Autor: Figueiredo Silva (espírito)
Apagara-se a luz, de pupila a pupila!
Começa noite enorme! O quarto faz-se escuro…
Rígido, o corpo lembra inesperado muro,
Carga de pedra e cal que me prende e aniquila!…
Em torno escuto ainda a palavra intranquila
Dos que choram na sombra em que me desfiguro!…
Guardo estranha aflição, no temor do futuro,
Espírito algemado a casulo de argila.
Em vão clamo sem voz na dor que me subleva…
Mas de repente, oh! Deus! um clarão rasga a treva,
Sinto o afago de alguém… Vejo-me de alma erguida!…
Torno a ver minha mãe, na morte que transponho,
E em seus braços de amor, como na luz de um sonho,
Encontro, além da Terra, a vida de Outra Vida!…
Notas
1 – Desde os tempos mais antigos, a poesia tem sido uma ponte entre a alma e o infinito. No Espiritismo, ela encontra um campo fértil para inspirar, consolar e iluminar consciências, expressando em versos sentimentos que muitas vezes escapam à linguagem comum. Seja pela sensibilidade dos poetas encarnados ou pelas mensagens de origem espiritual que marcaram a literatura espírita, a poesia continua sendo uma valiosa ferramenta de reflexão, beleza e elevação do pensamento.
2 – Do livro Chico Xavier pede licença, obra de autoria de Francisco Cândido Xavier, J. Herculano Pires e Espíritos diversos.


