Um olhar azul. A astrofísica na vida e no amor

Autor: Luis Almeida direto de Porto – Portugal

Observação: Este texto está escrito em português de Portugal

Como somos uns apaixonados e estudiosos pelo Mar e Universo, é surpreendente a sua analogia. Ao contemplá-los, com um olhar azul, brilhando de amor, descobrimos tantas semelhanças, graças à dádiva divina do doce Amigo – O Espiritismo.  O que o Consolador nos faz é impressionante! Olhamos para a vida com outros olhos, o do Amor.

Desde miúdos, que observamos o comportamento do Universo e do Mar, quase como um ser vivo. Na Avenida Brasil, junto à foz do rio Douro – na cidade do Porto, passamos a nossa juventude contemplando-os, durante a noite e durante o dia. Sendo este um lugar muito especial para nós. E porquê? Simplesmente, porque é um dos locais de meditação, inspiração, conhecimento e amor da Obra de nosso Pai. Nestas infinitas horas absorvidas durante a nossa vida, até aos dias de hoje, e num desses dias que estávamos simplesmente amando, descobrimos ao olhar para este mar azul tão apaixonante, a perfeita analogia entre a maré baixa e a expansão do universo, mas, não foi só…

O oceano Atlântico e o universo

Quando passeávamos nossa mente neste local, íamos sempre acompanhados com livros de astrofísica, em que o responsável por esta nossa paixão, foi um amigo da Humanidade, um homem simples, que somente sabia amar, a quem todos nós devemos imenso, referimo-nos a Carl Sagan.

Quando a maré está alta, os rochedos ficam totalmente submersos e camuflados sobre o lençol de água azul.

Aparentemente deixam de existir. Só resta um oceano imenso, calmo ou tempestuoso, em que tantas vezes o observamos. E quando estamos num prédio no 4º andar da Av. Brasil,  a perspectiva é deslumbrante.

Entretanto a maré começa a descer, as ondas começam a ficar atormentadas, pois já sentem a presença dos rochedos e recifes, e começam a surgir vagas agora cheias de espuma branca. Com as primeiras arestas destes minerais esplendorosos, surgem os primeiros rochedos no vasto lençol azul do Atlântico. O ciclo de rochas e vagas continuará por algum tempo – o “fixo” e o “fluido”. Paulatinamente a majestosa paisagem liquida azulada, vai dando lugar à paisagem sólida. O imóvel rochas, penedos – desloca o domínio do móvel; vagas que se desfazem ruidosamente transbordando torrentes de água esbranquiçada, em que muitas vezes fomos apanhados. Pequenas pedras e grãos de areia fixam-se onde podem, devido às vagas que os retiram de seu local e os levam pela corrente. Reparemos que as situações de instabilidade de um aparente equilíbrio, são constantemente modificadas, tal como em nossas vidas.

Os recifes agora encontram-se visíveis, e algumas vagas, cada vez mais fracas e mais raras, veem ainda mais uma vez, perturbar o estado aparente de equilíbrio dos seixos e areia. O movimento por fim fixa-se. Um pouco mais, e a paisagem modificou-se completamente, de aquática passou a mineral, e assim ficará até à próxima maré.

Encontramo-nos agora na maré baixa, a água desempenha aqui o papel do calor inicial do universo. Uma e outra representam a mudança. Ao revés, a rede cristalina das rochas, significa as estruturas arquitectónicas infinitamente variadas do presente universo. Quando a maré é alta, tudo é fluido, movimento, dinamismo. Na maré baixa é precisa mente o inverso, tudo é imóvel, a paisagem é inteiramente mineralizada. Tal e qual como se passou e passa na formação e evolução do universo. Espantoso!!!??? Sem dúvida alguma…!

O universo e o espiritismo

No entanto este nosso caldo de calor – mar, sol, universo e azul -, só ficou completo e solidificou graças ao espiritismo, que nos trouxe uma perspectiva nova e complementar para o nosso “olhar”, passando a ser de esperança, confiança, muito mais azul e dourado, que sem Ele não elaboraríamos este tema, pois não veríamos estas divinas  analogias entre o universo e o mar…

Lembramo-nos de uma estrofe de um poema (1) que retracta essa mudança.

Quase o amor, quase o triunfo e a chama,quase o principio e o fim – quase a expansão…mas na minh´alma tudo se derrama… entanto nada foi só ilusão!

Contudo a fase que chamou mais a atenção, é a intermédia, nela existe água abundante para a fertilidade e vitalidade desta paisagem divinal. O seu amálgama tem um papel preponderante e fundamental no mar e universo. As suas combinações e construções não evoluem senão a determinada temperatura. São os ciclos férteis da gestação cósmica, marítima e espiritual. Se está muito calor, tudo se desintegra, como sabemos, mas se está muito frio, tudo pára  e mineraliza, no sentido lato do termo.

Meditemos sobre nós próprios, nosso comportamento, e o que pretendemos da vida.

Como podemos verificar, os comportamentos do mar e dos recifes, dão-nos inúmeras semelhanças com o movimento do calor ao percorrer o universo, mas, não só. Também podemos comparar  esta promoção calorifica com um despertar. Despertar esse para a vida e para o amor, e não temos palavras para descrever a sensação que é a de absorver  a maravilha do planeta Terra e dos seus 2/3 de água, do Sol e do Universo, ou seja a criação do Supremo Estruturador – Deus. Como disse um filósofo da Grécia antiga, que para conhecer o Universo, deveríamos olhar à nossa volta e para dentro de nós, e assim, ficaremos a conhecê-lo. Partilhamos inteiramente a sua opinião. O quanto o Criador nos presenteia. É esta a nossa experiência, que gostaríamos de compartilhar com o leitor amigo.

Ao observarmos as palmeiras neste local esplendoroso, e não é pura casualidade, que chamam “O Passeio Alegre”, vimo-las balançar suavemente, tal como o efeito ondulatório do mar azul, causado pela Lua, amadurecendo os seus frutos, esperando pacientemente pelo tempo, que lentamente e serenamente, sem que ninguém se aperceba, acabará por terminar a sua criação. Esta espera serena e paciente, mais uma vez com o nosso “olhar azul” é mais uma analogia, que tem toda a sua aplicabilidade no Universo e na Humanidade. Como? Com o passeio tranquilo do “Tempo” desenvolve-se e evolui a gestação universal e espiritual. Em cada segundo o universo, tal como o mar, edificam algo.

Ele (universo) com toda a sabedoria escala pausadamente os degraus da complexidade e da simplicidade, tal como nós, rumo ao Conhecimento e ao Amor.

Citamos um extracto de um poema que define esta analogia (2).

Patience, patiencepatience dans l’azur!chaque atome de silenceest la chance d’un fruit mûr.

O espiritismo e a lua

E por falar no nosso satélite – Lua, responsável pelas marés, estações, ventos etc., observamos pela primeira vez a nossa luminosa companheira da noite, mergulhando no longínquo horizonte, e como foi egrégio. Estávamos falando e estudando mensagens sempre apaixonantes de Kardec, Emmanuel, André Luiz, Chico, Divaldo, Francisco de Assis, Paulo de Tarso e do Universo. Nesta simbiose tão envolvente a Lua estava sorrindo para nós, lembrando-nos ainda hoje do “seu” olhar meigo e do “seu” sorriso fraternal. Sentimos a “sua” enorme alegria com tanta intensidade, que nos envolveu de tal forma, que derramamos torrentes de lágrimas de tanto encantamento, em que a nossa amiga carioca – Josina , disse: – “Não somos merecedores de tanto…!”, e retorquimos, “pois não…!”.

Claro que não foi a lua que se comportou como um ser vivo, biológicamente falando, já que não o é. Estes fenómenos estão profundamente documentados na vasta obra da Literatura Espirita.

Continuamos a nossa tarefa, embora muito emocionados, na elaboração de um trabalho para o Movimento Espírita Português, agora ainda com muito mais empenho e dando graças a Deus de tal dádiva, a cada passo. No entanto a saga continua, e paramos ao fim de algum tempo, contemplando o suave mergulho da

lua no oceano  atlântico que demorou alguns minutos, e mais uma perfeita analogia. Perguntamos à Josina o que lhe parecia este fenómeno natural, de a lua agora com uma côr avermelhada, em termos gerais devido ao comprimento de onda da luz reflectida pelo sol ser muito maior e a atmosfera terrestre dispersar completamente o azul  devido à sua posição transversal relativamente a nós como observadores, o que faz com que a luz tenha de percorrer uma distancia muito maior através do ar, e Josina responde-nos: “- Parece o  nascimento de uma ilha, com as suas explosões e lava incandescente.” Foi evidente! É espantoso as analogias que a Criação de Deus nos presenteia! – concluímos encantados!

Tudo isto devemos ao Consolador prometido por Jesus, e somente queremos compartilhar a influencia do espiritismo em nossas almas e quanto este nos fez transformar a nossa visão da vida, e, parafraseando o médico francês, Claude Bernard: “As nossas ideias não são mais que instrumentos intelectuais que nos servem para penetrar nos fenómenos. Devemos modificá-las depois de terem desempenhado o seu papel. Como se muda de bisturi quando ele já serviu muito tempo.” É isso aí. Olhemos para o universo, com olhos de ver e investiguemo-lo, coadjuvados pela Doutrina Espirita. Descubramos a beleza e simplicidade da Obra de nosso Pai. Cada dia que passa, descobrimos tanto. Elas estão aí, algures. Saibamos aproveitar o nosso divino potencial. Que possamos ver no nosso olhar azul, (côr do mar e céu) brilhando o nosso caminho dourado tal como o Sol, reflectindo toda a nossa vida em harmonia. E como é gostoso saber viver.

A astrofísica e o espiritismo

Ouve-se frequentemente dizer, que quanto mais os cientistas investigam profundamente os segredos do Universo, mais a ideia de Deus desaparecerá dos seus corações e do seu espírito. Bem… demonstramos nesta experiência vivenciada que é precisamente o contrário, como magistralmente Allan Kardec nos legou na Codificação. As descobertas da moderna astrofísica mostram a própria criação e a presença de Deus, independentemente do que propalam as milhares de doutrinas religiosas.

Os astrofísicos continuam se deparando com sinais evidentes e precisos, de que o Cosmos foi feito à medida, para que pudessem existir vida e conhecimento. Quando compreendermos que as leis da natureza têm de estar numa incrível sintonia para produzirem o Universo, constatamos que tudo se conjuga para  estabelecer a ideia de que o Universo não aconteceu por mero acaso, que tem que haver um desígnio na sua origem. Segundo o físico  Gell Mann,para que uma partícula material se forme é necessário que, sobre a energia cósmica actue um “agente estruturador” externo a ela, a fim de modulá-la, condensando a energia necessária para sua formação. Ora, o que acontece no microcosmos repete-se no macrocosmos. Nada de mais simples… a prova irrefutável de um “Agente Supremo Estruturador”.

Finalizamos com considerações do poeta da astronomia do sec. XIX, Camille Flammarion, astrónomo e espirita, dos maiores divulgadores dessa notável ciência, que explana todo o nosso trabalho no seu livro “Urânia”, «A missão da Astronomia será mais elevada ainda. Depois de vos haver feito sentir e dado a conhecer que a Terra não é mais do que uma cidade na pátria celeste, e que o homem é cidadão do céu, irá mais longe. Descobrindo o plano sobre o qual o universo físico está construído, mostrará que o universo moral se acha alicerçado sobre esse mesmo plano; que os dois mundos não formam senão esse mesmo plano; que os dois mundos não formam senão um mesmo mundo, e que o espírito governa a matéria. (…) A ASTRONOMIA SERÁ, POIS, EMINENTEMENTE E ANTES DE TUDO, A DIRECTRIZ DA FILOSOFIA. A FILOSOFIA ASTRONÓMICA SERÁ A RELIGIÃO DOS ESPÍRITOS SUPERIORES.

PARA SABER MAIS:

Luís de Almeida é professor doutor em Astrofísica e Cosmologia e pertence ao Conselho Cientifico da AME Porto – Associação Médico-Espírita da Área Metropolitana do Porto, Portugal. www.ameporto.org

  • Mário de Sá Carneiro, In «QUASE» – poeta português (2) Paul Valery, In «Patience dans L’Azur» – poeta francês
Fala MEU! Edição 70, ano 2008

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