Relacionamento e Sexualidade

Paixões adolescentes

Autora: Deusa Samú

Há uma música da dupla sertaneja João Paulo e Daniel em que o refrão diz: “Estou apaixonado e este amor é tão grande / estou apaixonado e só penso em você a todo instante.” É bem assim que tudo ocorre.

O termo Adolescência tem sua raiz na palavra adolescere que significa crescer para ficar adulto.

O vocábulo “PARA” anuncia uma transição, a qual tem sua culminância dos 13 aos 18. É nessa fase que surgem questões do tipo: será que vou casar? Terei filhos? Que profissão seguirei? Será que alguém vai gostar de mim? É o momento de assumir uma identidade e consolidá-la. Os valores até então introjetados pelo adolescente serão decisivos nas escolhas que ele fará.

É muito comum surgir uma grande paixão. É típico do adolescente viver de forma intensa o momento porque o seu psiquismo encontra-se insípido para o raciocínio indutivo, ou seja, ele tem dificuldade de entender consequências. Essa é uma das fortes razões para aquela gravidez indesejada e a vinculação a algum tipo de droga por achar que “não vai dar nada”.

É comum o adolescente se ver perdido em meio a todas essas questões e ao apaixonar-se por alguém, depositando no outro toda essa necessidade de preenchimento e, por isso, querem ficar o tempo todo juntos, fazer tudo juntos e esquecem até das obrigações deixando os pais aturdidos sem saber o que fazer.

A grande questão é que nem sempre o outro está disposto a corresponder e, quando isso não acontece, vêm as crises e essas serão mais intensas de acordo com as bases recebidas. Em outras palavras, é importante administrar as frustrações com equilíbrio e se isso não ocorre o sofrimento é intenso, gerando quadros de rebeldia e impelindo o adolescente às fugas. Atualmente há um altíssimo índice de adesão às bebidas. Aliás, apesar de ilícito, muitos adolescentes têm acesso a elas.

A grande maioria dos adolescentes optou por substituir o velho e conhecido namoro pelo “ficar”, que consiste em estar com alguém por um tempo mínimo sem compromissos e trocar carícias intensas. Na linguagem deles “beijar muuuuito”.

Esse movimento tem se constituído em um problema. Explico: sempre que nos envolvemos afetivamente com alguém em um grau qualquer, independente da intenção de superficialidade, há uma fusão áurica (espiritual) e uma demanda libidinal (troca energética).

Se fizermos isso intensamente sem pausa para assimilação e elaboração do vínculo, resta uma sensação de vazio enorme gerando angústia e, em alguns casos, é um caminho curto para a instalação de uma depressão reativa com pensamentos suicidas.

Na verdade, dificilmente o adolescente irá realmente suicidar-se, mas a sensação de vazio é tão intensa que ele traduz como vontade de morrer.

O ideal seria que todos os adolescentes pudessem contar com pais seguros e espiritualizados, mas a realidade é outra. Portanto, dicas: valorize o que há de concreto em você pensando em tudo que você é capaz de realizar, valorize o que há de belo esteticamente em você e assuma isso.

Busque aceitar-se como único, converse com pessoas que se mostrem abertas e compare opiniões, leia muito para informar-se um pouco sobre tudo, tenha uma fé robusta em Deus como quer que você o conceba. Não tenha receio de buscar uma ajuda profissional para que você ache uma direção sadia para seus impulsos que fazem parte da vida e da condição humana.

Não desista de apaixonar-se porque é muito bom e faz parte das experiências da vida. Aprenda sim a lidar com suas emoções, busque o autoconhecimento e seja feliz.

Fala MEU! Edição 72, ano 2009
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