Inclusão

Portador da síndrome de Down

Autor: Prof. Dr. Zan Mustacchi

Todos podem aprender

Nossas dificuldades vinculam-se aos modelos didáticos, utilizados universalmente como padrões de ensino. Imaginem (mãe ensinando o filho a falar): – Meu filho, “eu sou, tu és, ele é, nós somos, vós sois, eles são”. E se ele “ousar” tentar aprender tal como “nós sois”, lá vai ‘a bronca’, ‘a chamada’, nossos antigos ‘puxões de orelhas’ e etc. Não queremos mais nos expor! …

Entretanto, se “mamãe canta”: Parabéns pra você…, O pato vinha cantando alegremente…; Ou até: A de ‘amor’, B de ‘baixinho’…, Balança, balança …; com um ritmo agradável, sem risco de punição, eles aprendem tudo. Lembrem que tivemos (todos que completamos o 2º grau) aulas de ‘línguas’ estrangeiras (francês, alemão ou algumas de latim e principalmente inglês) e quem de nós aprendeu (considerando-se somente as aulas da escola)? Tivemos cerca de quatro anos de língua estrangeira e em quatro anos não aprendemos. Pois é… tentaram nos ensinar a gramática de alguma língua estrangeira sem mesmo sabermos falá-la, ou melhor, sem entendermos nenhuma palavra desta língua! Será que fomos todos deficientes? Obviamente que não. Deficiente foi e é o modelo pelo qual nos é proposto este ensinamento.

Pensando em Inclusão

Existe um consenso evolutivo, em nossa civilização, de que a produtividade é essencial.

A criança especial beneficia-se de oportunidades existentes, desde que a sociedade lhe permita participar e demonstrar seu potencial de colaboração. Lembrando que a principal motivação para a vida educacional está no prazer dos resultados das oportunidades que nos são apresentadas e valorizadas pela comunidade.

Os limites impostos aos indivíduos, desde o nascimento, envolvendo, principalmente, as áreas de aprendizado e sociabilidade, não devem ser rigorosos e imperativos a ponto de preocupar os familiares de portadores de comprometimentos. Devem ser flexíveis até o ponto em que não se prejudique a integridade do indivíduo que necessita de estimulação constante, para promover sua adesão ao ambiente em que vive, estimulando a inclusão de todos em tudo.

A ideia de inclusão escolar deve gerar a oportunidade do conhecimento especial às habilidades individuais para inserir o indivíduo diretamente à vida. Os professores deverão crescer em escolas cujo reconhecimento da atividade bem sucedida gerem uma espécie de remédio que assegure, de forma aglutinadora, a ambição com motivação.

Passos para a inclusão

Alguns pais, de forma intuitiva, percebem que o ensino inclusivo necessariamente beneficiará o seu filho deficiente, dando-lhe oportunidades para obter uma sociabilização comunitária.

A relação entre alunos com e sem deficiência proporciona experiências singulares, que geram modelos de apoio educacional muito mais adequado do que quando ocorre a segregação. É preciso entender que, a simples ‘inclusão’ dos deficientes em sala de aula regular, não necessariamente resultará em benefício de sua aprendizagem, mas terá um fator de desenvolvimento de habilidades e atitudes positivas na preparação da vida comunitária; justamente porque proporcionará, através da comunicação e do desenvolvimento de amizades, uma orientação com relação ao respeito, a compreensão, a sensibilidade e a motivação.

Para os alunos com uma grave deficiência cognitiva é preciso acreditar no benefício que estes alunos virão a obter, principalmente da socialização com seus colegas e, em especial para estes alunos, não é conveniente que o professor preocupe-se com habilidades acadêmicas, o importante e o mais razoável é oferecer-lhes a oportunidade de adquirirem habilidades sociais para a vida comunitária.

Os locais onde há segregação geram prejuízos por alienarem os alunos e limitam o aprendizado do aluno sem deficiência, por não lhe oferecer a fundamental experiência da diversidade, cooperação e respeito necessário para interagir com os deficientes.

Promover a igualdade

Promover o respeito da igualdade do aluno é, sem dúvida nenhuma, um dos deveres da educação escolar e, portanto, o acesso à informação e formação educacional deve ser promovido sem triagem prévia, de forma irrestrita para todos os alunos, sem discriminação para com os alunos deficientes. Vivemos numa cultura fotográfica, onde a principal restrição é bem caracterizada quando um aluno portador de um estigma fenotípico (com uma face diferente, ou mesmo que caracterize uma síndrome genética do tipo Down) tem seu acesso limitado, portanto simplesmente discriminatório, caracterizando que o preconceito está inserido não só na inconsciência como na consciência, resultando em conflitos sociais onde o valor da igualdade é desrespeitado.

Quando um professor é exposto a este tipo de situação ele deve lembrar que as suas habilidades profissionais serão postas em questão, entretanto melhorarão devido às grandes transformações sociais que esta oportunidade lhes desenvolverá; principalmente devido às suas atitudes e práticas educacionais que serão moldadas, envolvendo conceitos retrospectivos e prospectivos, vinculados com o nível e com o potencial de desenvolvimento de cada indivíduo; promovendo um desafio que deve ser enfrentado pelos educadores, onde a abordagem de sua própria reforma interna possa ser fragmentada, mas inteiramente satisfatória, entendendo e reconhecendo as necessidades das diferentes situações, utilizando para isso a dinâmica e a habilidade da aptidão cognitiva.

Aprendendo com o educador

Os alicerces da inclusão estão apoiados em alguns princípios básicos, onde o aprendizado e o ensino são pertinentes a todos, não permitindo nenhum modelo de isolamento, e/ou, segregação.

As questões desafiadoras que são enfrentadas, tanto pelos alunos quanto pelos professores, residem basicamente no reconhecimento e interpretação dos distúrbios de aprendizado expressos pelo aluno e do valor da formação profissional do educador, bem como da sua experiência, paciência, tempo e esforço em busca de respostas.

O educador jamais deve alienar-se das hipóteses diagnósticas pertinentes aos comprometimentos de seus alunos, considerando que estas hipóteses podem justificar atitudes e modelos que favoreçam o seu melhor desempenho, cujo resultado não pode negligenciar qualquer forma consistente de modelo educativo previamente conhecido.

O professor não pode apegar-se a um currículo fixo e deve engajar-se a modelos inovadores, com improvisação voltada a necessidades gerais do aluno, visando proporcionar basicamente uma educação e não necessariamente um aprendizado acadêmico. Por outro lado a escola deve proporcionar aos membros da comunidade e, principalmente, aos seus educadores, a oportunidade de propor planos estratégicos de abrangência objetiva e específica, tentando desenvolver e implementar uma programação receptiva aos alunos, com recursos proporcionados pelo próprio ambiente, pelos professores e eventuais facilitadores, muitas vezes chamados de mediadores.

VISITE: http://www.sindromededown.com.br/

Fala MEU! Edição 66, ano 2008

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