Entrevistas

Rodrigo Prado – Desafios, obstáculos e objetivos do UEMESP 2005

Autor: Thiago Rosa – Fala MEU! Edição 31, ano 2005
Os números do UEMESP
Se inscreveram 726 pessoas
Ao longo do evento foram 130 trabalhadores
No evento: aproximandamente 600 pessoas
46 CONFEESP São Miguel
340 USE
340 Aliança Espírita
90 instituições presentes

Rodrigo Antonio Prado – Dirigente do Departamento de Mocidade Espírita da USE Distrital Penha, além de fazer parte da equipe da Fala MEU!, como ele era um dos cabeças da união dos encontros de mocidade espírita de São Paulo fomos atrás dele para saber todos os detalhes da concretização do evento. Confira a entrevista

De onde brotou a idéia deste evento de unificação?

 No ano passado o DM USE Distrital Penha ajudou o DM CONFEESP São Miguel, em uma parceria, a realizar a 4ª COMESM – Confraternização das Mocidades Espíritas em São Miguel – no dia 17 de outubro, onde teve a palestra do sr. Paulo Ribeiro – diretor doutrinário da USE Estadual. Quando terminou o evento, num bate-papo com os amigos Rodrigo Corrêa, Moisés Bezerra e William Andrade do CONFEESP, surgiu a idéia de bolarmos um evento em conjunto.

E como a Aliança veio integrar o grupo?

 Tivemos a oportunidade de trabalharmos juntos com alguns irmãos da Aliança no evento de comemoração do Bicentenário de Kardec em 30 de outubro de 2004, onde nesta data criamos os primeiros laços de amizade. Depois, nos dias 13 e 14 de novembro, do mesmo ano, durante a realização do 6º EECDME – Encontro da Comissão Diretoria de Mocidades Espíritas – realizado no Orfanato Casa do Cristo Redentor, instituição na qual a mocidade espírita participa da Aliança, tivemos oportunidade de conhecer alguns integrantes da mocidade do local, que quiseram conhecer o evento, e daí, novamente num bate papo fraterno, falamos que estaríamos realizando um evento em conjunto no ano seguinte e estendemos o convite a eles. Passados alguns dias, para a minha grande surpresa, recebi um telefonema da irmã Valesca Salles – secretária do DM Regional São Paulo da Aliança Espírita, e que não havia conhecido ainda– falando do interesse deles participarem deste evento.

Quando começou a desenhar todo este evento que foi o UEMESP?

 No inicio a ideia era trazer o Divaldo Pereira Franco para falar sobre unificação aos jovens. E assim, na reunião do DM USE Regional São Paulo, em 18 de novembro de 2004, os DM’s USE Distritais Penha e São Miguel levaram uma proposta de criação do evento, que após apreciação dos presentes, foi votada e aprovada. Depois, em 16 de janeiro de 2005, na reunião do DM Aliança Espírita Regional São Paulo, realizada em Poá, a proposta do evento foi apresentada aos presentes inicialmente pelas irmãs Thais Rocha e Valesca Salles da Aliança e na seqüência o amigo Marçal Gouveia– secretário da SAM – falou daquele seu jeito fraterno, empolgante e comovedor, levando todos a refletirem sobre a oportunidade impar que era realizar esse evento. Foi unânime a aprovação dos presentes e neste dia então foi oficializado a realização do evento com a entrada do terceiro órgão ao grupo.

Como veio o tema “Quem sou Eu?”

 O amigo Joelson Pessoa apresentou na reunião citada de novembro uma proposta com esse tema, baseada na obra Reforma Intima Sem Martírio, de Wanderley S. de Oliveira, pelo espírito de Ermance Dufaux, que foi aprovado pelo DM USE. Depois, na primeira reunião específica para construção do evento, em 26 de Janeiro na A.B.E Francisco de Assis, no Tatuapé, onde os representantes dos órgãos após um bate-papo gostoso de integração, souberam da aprovação do tema pela USE, e os amigos do DM Aliança e do DM Confeesp São Miguel saíram com o compromisso de avaliar a proposta do tema com os seus jovens. E assim, na reunião de março o temário foi escolhido.

Quais foram os maiores obstáculos?

 No início o entendimento foi muito fácil. As pessoas à frente dos órgãos estavam bem entrosadas e com o foco no objetivo do evento, que era unir no UEMESP os jovens das mocidades espíritas, independente de “bandeira” e que também o evento fosse construído em conjunto e refletisse um pouco da realidade de cada um, ou seja, abriríamos mão da forma como estávamos acostumados a sempre fazer para que houvesse flexibilização e assim isso fosse possível. Mas com o passar do tempo, como muitos novos trabalhadores foram chegando, o objetivo algumas vezes se perdia e surgiam desconfortos, sendo necessário de tempo em tempo relembrá-lo para que tudo acontecesse como o desejado.

De onde surgiu o nome?

O nome inicial foi dado como EMESP. Depois dentro de uma das reuniões gerais com os organizadores foi mudado para UEMESP.

Não eram previstas 1000 pessoas para o encontro?

Esse era o ideal, mas no início não encontramos uma estrutura para isso. Então começamos a cogitar de reduzir para 500 ou 600 pessoas caso não conseguíssemos. Mas felizmente e graças a ajuda dos amigos da Espiritualidade, conseguimos fechar no CEU da Vila Curuçá, que comportaria os 1000 jovens.

O ideal foi alcançado?

 Sim, o evento foi feito e vivenciado em conjunto. O objetivo de trabalharmos juntos foi atingido, as pessoas se interaram e trabalharam pela causa Espírita.

O evento pode acontecer de novo?

 Sim, pode e devemos realizá-lo novamente, pois quem participou da sua construção e concretização sabe falar muito bem o quanto foi maravilhoso, o quanto aprendemos em conjunto e o quanto recebemos.

Qual foi a maior lição do evento?

Ver que quando falamos de unificação de ideal ou união de trabalho, vemos que na teoria é muito fácil, mas na prática exige esforços de cada um para realizá-la. Mas não nada descomunal, e sim esforços no sentido de se permitir em aprender com o outro, de ver que há muito mais semelhanças que nos atraem do que diferenças que nos repelem. E como registrado por Kardec no livro Obras Póstumas, por maior que possam parecer as dificuldades, no final vemos que os resultados obtidos são muito maiores que qualquer “empecilho”, ou seja, o bem sobrepuja o “mau”.

No que você resume o UESMESP?

Durante toda a construção do evento aprendi muita coisa e tive a “sorte” de poder otimizar o aprendizado com a leitura do livro Reforma Íntima Sem Martírio, onde fui chamado a me esforçar a praticar a teoria ali exposta já que a minha consciência foi ampliada. Para mim o UEMESP aconteceu não só no dia 11 de setembro, mas sim durante todo o período de construção e continua acontecendo, pois continuo na caminhada rumo a descobrir ‘Quem Sou Eu?’.

Obrigado a todos os velhos e novos amigos que tivemos a oportunidade de convivermos juntos durante todo esse período.