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A auto-obsessão, a aura e a monoideia  

Autor: Leonardo Marmo Moreira

A auto-obsessão é uma das maiores enfermidades espirituais que existem, uma vez que esse estado mental frequentemente é gerador de uma série de outros processos mento-comportamentais, os quais podem literalmente destruir uma encarnação. De fato, a auto-obsessão pode fomentar uma série de distúrbios psicológicos, os quais podem ou não ser agravados por obsessões propriamente ditas, ou seja, pela influência espiritual negativa de entidades. Essas entidades aproximam-se devido à afinidade pelo comportamento do encarnado em questão ou, pelo contrário, objetivam especificamente prejudicar esse indivíduo, motivados por problemas do passado, ideais contrários, inveja, ou simplesmente vazio existencial.

As ações, os comentários, os desejos, os ideais, os sentimentos, as sensações, as fixações, os pensamentos e os diálogos mentais, entre outros, constituem, em conjunto, o perfil espiritual de cada indivíduo, os quais são facilmente detectáveis por grande número de Espíritos desencarnados. De fato, estes fatores influenciam, inclusive, na constituição da chamada “aura”, que é a irradiação característica de cada individualidade, ocorrendo com mais intensidade em torno da cabeça do indivíduo. Vale lembrar que a cor associada à aura pode representar o nível vibracional do ser em questão, ou seja, o padrão espiritual de cada um. Essa correlação fica evidente em várias obras de André Luiz, como, por exemplo, em “Os Mensageiros”, no capítulo intitulado “A Prece de Ismália”; em “Mecanismos da Mediunidade”, quando o Mentor afirma que Espíritos superiores irradiam fótons com menor comprimento de onda (maior energia e, portanto, maior frequência) do que Espíritos inferiores; e também no capítulo intitulado “Psicoscópio” (“Nos Domínios da Mediunidade”), quando o referido dispositivo é utilizado para determinar o nível espiritual do ser analisado.

As fixações espirituais podem constituir verdadeiras telas mentais (nas palavras de Manoel Philomeno de Miranda, “Painéis da Obsessão”, em expressão que dá nome a um excelente livro psicografado por Divaldo Franco), ou, até mesmo “filmes” psíquicos, que representam um certo tipo de “Lavagem Cerebral”, isto é, “Lavagem Mental”. Tais fixações espirituais, em função de sua carga emocional hipnotizadora, vão limitando as áreas de interesse de cada ser, aproximando o indivíduo da chamada “Monoideia”. Esse quadro restringe significativamente a capacidade de aprendizado do indivíduo, pois atenua drasticamente o nível de interesse do mesmo no que se refere aos mais variados fenômenos da Vida. Portanto, a Monoideia diminui a curiosidade sadia e o aprendizado de uma forma geral.

A Monoideia traduz quadro de perturbação espiritual do ser, que, repetitivo e obcecado, constrói uma redoma vibracional negativa, vivenciando verdadeira Auto-obsessão. Assim, o ser dominado pela Monoideia, seja ela de vingança, cobiça, reconhecimento, mágoa, entre outras, muitas vezes perde a noção da realidade, o que o faz perder tempo e muitas oportunidades evolutivas, gerando quadros espirituais de crescente infelicidade. Isso explica, inclusive, alguns casos de alienação que acometem tanto encarnados como desencarnados.

A auto-obsessão independe da participação efetiva de outros seres, sejam eles encarnados ou desencarnados, pois é construção predominantemente pessoal, mas, pode, eventualmente, ser agravada pela influência de outros seres. Se tais irradiações gerarem algum tipo de afinidade e/ou interesse em Espíritos desencarnados, atrairemos esses seres ao nosso convívio mental. Neste caso, essa interação pode apresentar intensidades variadas, dependendo de diversos fatores, tais como o nível de resistências morais, o grau de constância em trabalhos de nível moral mais elevado, o mérito geral do indivíduo, as boas obras já realizadas, os hábitos de “higiene espiritual”, a corrente de simpatia já construída, entre outros.

Quando o “auto-obsidiado”, em função de sua irradiação perturbada e perturbadora entra em sintonia com outros seres, sobretudo desencarnados, pode provocar uma efetiva atração devido aos interesses comuns, gerando uma espécie de “diálogo espiritual”, em uma simbiose de sensações e telas mentais, as quais fortalecem as perturbações originais de cada ser envolvido. O diálogo mental, por sua vez, pode gerar o “convencimento” do encarnado por parte do desencarnado. Assim, uma ideia perturbadora que surgia muito raramente pode ir ganhando cada vez maior aceitação, superando as resistências morais do “hospedeiro”. Essa inter-relação gera verdadeiros laços fluídicos, uma vez que toda emissão mental gera direta consequência perispiritual, imantando mutuamente estes Espíritos em conexões difíceis de serem eliminadas. Neste contexto, lembremo-nos da necessidade de “vigilância e oração”, conforme recomendação evangélica, para que a disciplina mental limite a instalação e o enraizamento das ideias negativas em nossa vida espiritual. De fato, a higiene espiritual é fundamental para controlar e minimizar os efeitos de crises espirituais agudas e também os processos espirituais inferiores que, lenta e gradualmente, podem se cronificar.

A “cronificação” do desequilíbrio espiritual piora a vida do “auto-obsidiado” em um contexto bem amplo, que abrange desde sua saúde física, passando por seu desempenho escolar/profissional e atingindo suas relações pessoais. A obsessão, quando caso crônico, pode ser mais difícil de ser tratada, pois implica na aquisição de inevitáveis hábitos consequentes a esse vício mental, ou seja, condicionamentos mentais, verbais e físicos.

É interessante mencionar, a título de ilustração, a recomendação que Chico Xavier forneceu ao Doutor Elias Barbosa. Certa vez, Chico sugeriu que o célebre médico e autor espírita fizesse Evangelho no Lar todos os dias da semana. Ao contrário da recomendação usual das casas espíritas de uma reunião semanal, Chico Xavier recomendou 10 minutos de Evangelho no Lar, em seis dias da semana, e uma reunião semanal de 30 minutos, de modo que fossem desenvolvidas reuniões evangélicas todos os dias. Esse procedimento, segundo Chico, fortaleceria a proteção espiritual da casa, pois aumentaria a chamada “barreira fluídica” ao redor do lar de Elias Barbosa. Tal medida era fundamental para o bem-estar espiritual da família do médico, pois em seu consultório psiquiátrico ele estava obtendo sucesso em determinados tratamentos, apoiado pelo conhecimento espírita, uma vez que conseguia identificar vários casos em que o problema principal era o fenômeno obsessivo. Obviamente, isso estaria irritando grande número de obsessores, que passavam a encontrar mais dificuldades para manter o conúbio mental com seus parceiros encarnados. Consequentemente, muitos obsessores passaram a perseguir o novo “rival”, no caso, o Dr. Elias Barbosa, seguindo-o até a sua casa para perturbar espiritualmente Dr. Elias e seus familiares. O fortalecimento da proteção espiritual, bastante conhecida das obras de André Luiz, como, por exemplo, “Os Mensageiros” e “Missionários da Luz”, impediria a entrada dessas entidades na casa de Elias Barbosa.

O hábito da prece e da leitura/estudo evangélico-doutrinário deve ser sempre estimulado. A leitura de mensagens positivas do ponto de vista espiritual pode ser feita, inclusive, através de livros de bolso, os quais são uma interessante alternativa no dia-a-dia corrido dos tempos atuais. Mensagens que podem ser levadas a quaisquer lugares e lidas em intervalos de tempo reduzidos são opções interessantes para mantermos hábitos saudáveis para a nossa vida mental, os quais são decisivos para a manutenção de nossa saúde espiritual, sobretudo em períodos difíceis da vida física, nos quais enfrentamos situações estressantes e exigentes emocionalmente.

Assim como devemos cuidar da higiene do corpo todos os dias, nós também devemos cuidar da nossa “higiene espiritual” diariamente. De fato, sem um mínimo fornecimento de um “alimento espiritual saudável” à nossa mente, dificilmente manteremos um equilíbrio espiritual razoável para desenvolvermos adequadamente nossas atividades, sem corrermos o risco de adquirir graves perturbações mentais.

O consolador – Ano 5 – 224

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