Materiais de Suporte

União no movimento espírita

Autor: Marçal Gouveia

Sentado aqui em frente ao micro é que pude ter a ideia do que poderia ser a missão de escrever algo sobre unificação e o que ela pode representar para nós Espíritas. Não queria que esse texto viesse a ser como muitos outros que normalmente se escreve, e que depois sabemos, vai virar papel de rascunho ou qualquer coisa do tipo. Sou jovem, logo penso que os ideais de unificação entre as várias correntes do pensamento Espírita, deveriam estar unidas numa só militância; juntos conquistaríamos muito mais adeptos e prestígio frente a sociedade, e também, por meio dessa união, ficaria muito mais simples enfrentar as diferentes dificuldades pelas quais atravessam, mesmo que transitoriamente, as diversas casas Espíritas que conheço.

No dia 30 de Outubro, assim como os jovens fizeram no UEMESP (vide edição anterior), diversos trabalhadores do movimento Espírita, representando a Aliança Espírita Evangélica, as CONFEESP’s – Confederações da Federação Espírita de São Paulo e a USE Regional São Paulo – União das Sociedades Espíritas, estiveram reunidos para debater as questões: “Quem Somos, Para Onde Vamos?”. Neste encontro, essas entidades que professam a codificação de Kardec sobre todas as coisas, puderam se conhecer e integrar-se de maneira dinâmica e descontraída. Quanto às questões: sabemos que somos espíritas. Mas para onde vamos? Poderíamos tentar deturpar o que Jesus disse a Nicodemos e dizer que: “o Espírito sopra onde quer…” (O Evangelho Segundo o Espiritismo); isso nos oferece possibilidades mil, inclusive a concretização do anseio dos jovens na realização de um movimento sem bandeiras, contudo nem sempre a juventude carrega consigo todos os elementos necessários ao sucesso de seus ideais. Não quero com isso, jogar “um balde de água fria” nos sonhos de um movimento integrado, não! Mesmo porque ele já tem em si os elementos para atuar desta maneira.

Na verdade você leitor deve estar se questionando:

Esse cara tá falando do quê?

E eu vou tentar explicar:

Nós não deveríamos acreditar que a união, ou seja, um movimento Espírita unido pela mesma causa, seria um caminho certo para o nosso crescimento. A realidade é cheia de elementos para comprovar essa pequena sentença que estou utilizando como argumento; podemos tirar o exemplo das torcidas organizadas que se reúnem pelos ideais de torcer pelo seu time até a morte, mesmo que seja a morte de alguém que não torce por ele. Se esse exemplo pode parecer covarde, afinal de contas existe todo tipo de gente no meio das torcidas organizadas, eu vou utilizar um outro; você já imaginou um município que adota como lei, a aceitação de Jesus como seu Senhor e Salvador e que todos os seus moradores se redimem de seus pecados…? Pois é tem muita coisa acontecendo nesse mundo, seja por intermédio de pessoas abençoadas ou não.

Como estava dizendo, talvez, uma verdadeira união para o bem, já esteja consolidada entre todos os órgãos de unificação que ainda hoje levantam suas bandeiras de cabeça erguida, sem que mácula alguma possa manchar quaisquer de seus passos. Estamos melhorando as relações entre as pessoas que defendem o Espiritismo e isso pressupõe que estivemos sempre trabalhando unidos pelo mesmo ideal. A única diferença é que um irmão resolveu ser pintor, o outro barbeiro e o outro feirante; os pais são os mesmos, e de vez em quando cada um dá uma espiada no outro só para ver se ele está bem ou se está precisando de alguma coisa.

O dia 30 de Outubro de 2005 serviu para dizer isso entre tantas outras coisas. O movimento Espírita é integrado, pois atende a todos nós dentro dos preceitos espíritas, oferecendo o melhor dentro daquilo que acreditamos; aquele que auxilia ao mesmo tempo é beneficiado, estamos todos colaborando para o progresso uns dos outros e é justamente essa a nossa tarefa.

Durante o encerramento deste evento, foram expostas impressões de alguns participantes e se nós pudéssemos tirar uma lição desses depoimentos, acredito que ficaria de seguinte maneira: “O movimento Espírita é tarefa muito importante que precisa ser vivenciada com trabalho comprometido e dedicação, visando com isso o combate de nossas más inclinações, a renovação de iniciativas para o bem e a colaboração com os irmãos de ideal para melhoria da humanidade”.

Pois então, continuemos nossa tarefa com muito amor! A união já está feita e o trabalho por ser realizado, cada qual aprenda com seu irmão…; esquece, vai! Não vou tentar fazer nenhuma frase de efeito. Eu achei que esse texto precisava de um final com chave de ouro, mas talvez seja melhor deixar de molho. Essa história tem muita coisa para acontecer antes que a gente possa dizer qualquer coisa. E você, tá fazendo o quê aí? Mãos à obra…

Fala MEU! Edição 33, ano 2005