É Natal

Autor: Rogério Miguez

É costume festejar a data do nosso nascimento. Neste dia aportamos mais uma vez à Terra, com promessas, roteiros de trabalho e compromissos acertados antes de reencarnar. Uma nova etapa iniciou-se, imensa esperança e possibilidades de renovação. Outro arranjo familiar e muitas expectativas para o futuro. Quando chega o dia do aniversário, quanta alegria, quantos preparativos, quantas surpresas. Os amigos são chamados a se reunir, e juntos confraternizam-se em torno do homenageado, comunicando ao aniversariante as mais sinceras expressões de respeito, consideração, amizade, em suma, afeto.

Chegou 25 de dezembro, e nos perguntamos como vamos realizar esta festa, em homenagem a este particular Espírito, Jesus, quando ao passar pela Terra, nos deixou presentes incalculáveis através dos seus exemplos, ensinos, sabedoria e amor? Ao ganhar presentes, pensamos logo em retribuir, porém, em relação a Jesus, quanto temos a restituir! Temos a obrigação de preparar uma festa de Natal muito especial, não mediremos esforços. Tudo do bom e do melhor, pede a nossa tradição.

Os Convidados

Certamente convidaremos as pessoas mais importantes da sociedade, afinal o Aniversariante merece todo o nosso apreço. Faremos uma lista imensa e não podemos esquecer ninguém. Gente bonita, jovem e colunável. Todavia, revendo os escritos sobre Ele, não há registro de se ter Jesus impressionado por reis e rainhas da Terra, tampouco pelos nobres e abastados. Sempre se interessou pelo povo, este foi sim objeto de sua dedicada e extremada paixão. E mais, Ele mesmo já era Rei, de um reino por hora inexistente na Terra, mas que por certo existirá, um dia. Personalidades ilustres, assim, não vão garantir o sucesso da festa, nem a satisfação do Aniversariante. Mas como convidar todo o povo? Aonde acomodá-lo? Como alimentá-lo? No entanto, quando Ele fazia as suas preleções, naqueles sermões ao ar livre, nos salões belíssimos e incomparáveis da Natureza, nos convidando para a Sua festa de ensinos, multidões de convidados estavam presentes e, ao final, todos se alimentavam e se satisfaziam plenamente, seguro indicador de terem recebido outro tipo de alimento, o verdadeiro, o espiritual. É fato também terem todos saciado a sede, pois bebiam da água viva, e os que a tomam, nunca mais têm sede. Precisamos avaliar melhor quem convidaremos…

Os Preparativos

É nosso costume, para este dia, tomar várias providências, para que a festança agrade a todos, principalmente ao Aniversariante. Neste dia nos esmeramos em preparar as melhores iguarias e quitutes, toda a sorte de bebidas, de modo a não faltar comes e bebes a ninguém. Tudo escolhido a dedo. Se possível, importados! Contudo, nos foi dito uma vez pelo homenageado: deveríamos nos preocupar com o que sai de nossas bocas, pois procede dos corações, e não com o que entra por elas. Ah, é fato, o salão da festa deve estar limpíssimo, cadeiras arrumadas, poltronas disponíveis para todos, música agradável, ambiente acolhedor e alegre para receber os convivas e o Homenageado. Jesus, porém, quando aqui esteve, ter-se-á preocupado com o asseio da poeira dos salões terrestres, com a música mundana, ou se manteve mais concentrado na limpeza dos nossos pensamentos e atos, de modo a melhor seguirmos as leis de Deus? Promover a higiene moral do nosso ambiente íntimo, não foi um dos objetivos de sua mensagem de amor?  Convivendo há bom tempo na intimidade do Pai e certamente conhecendo as mais sublimes melodias capazes de sensibilizar o mais bruto dos corações, pergunta-se: Poderia a nossa música popular alcançá-lo?

E agora, qual espécie de preparativos devemos realizar, assim perguntamos?

A Vestimenta

Não podemos esquecer, consoante a tradição destes dias, que devemos usar a melhor roupagem possível, destacando grifes e modelos, combinações de cores traduzindo a última moda, joias e penduricalhos, perfumes importados. Deste modo, a festa transcorrerá bonita, aparentando um ambiente rico e saudável. Entretanto, o Mestre não afirmou ser o interior mais importante do que o exterior? Poderíamos agradar a Jesus pelo uso de roupagem externa, bela e reluzente, limpa e perfumada, mas com os nossos Espíritos maculados de iniquidades e imundices morais, não podendo ser disfarçadas nem escondidas de Espíritos perfeitos? Não seria motivo de tristeza, ao invés de júbilo, o fato de Jesus constatar não estarem os seus exemplos sendo perfeitamente seguidos, nem observados, e ainda nos encontrarmos muito preocupados com a aparência externa em detrimento das verdadeiras e imortais conquistas?

Qual o valor de joias a nos merecer tanta consideração, se o tempo às relegará inexoravelmente ao esquecimento? E os verdadeiros tesouros não alcançados pela corrosão da ferrugem, tampouco pela destruição das traças, onde estariam armazenados? Não foi dito por Ele: “Aprendei dos lírios do campo, como crescem, e não trabalham e nem fiam. E, no entanto, eu vos asseguro que nem Salomão, em toda sua glória, se vestiu como um deles.” (Mateus 6: 28 e 29).1

Com qual indumentária devemos nos apresentar então!?

Os Presentes

Nossa! Os presentes precisam ser comprados, muitos, originais, se possível, bem caros, embora a dinheiro esteja um tanto escasso e limitado nestes dias de dificuldades econômicas. E ainda nem descobrimos o que falta ao Aniversariante de modo a satisfazê-lo plenamente.

Quanta magia na entrega de um presente! Aquela caixa embrulhada em papel multicor, prenunciando uma surpresa sem fim… Os olhos do Aniversariante brilhando de contentamento ao descobrir exatamente naquele presente o seu desejo atendido.

Entretanto, estamos loucos, como podemos pretender agradar a Jesus com presentes materiais? Desatino puro! Como faremos em tal caso, o dia esta chegando e não conseguimos imaginar um presente do agrado do Rei dos reis. Poderíamos encontrar algo na rua 25 de Março, em São Paulo? Estamos ficando sem horizontes, sem perspectivas. A angústia começa a despontar. Jesus não se sensibilizará, entendemos agora, com salões grandiosos, lustres belíssimos a iluminar os dançarinos, roupagem colorida e perfumada, comidas sofisticadas e abundantes, bebidas especiais cujos sabores nada mais farão além de anestesiar os nossos sentidos, ofuscando a nossa visão espiritual, na busca dos bens imortais. A alegria vazia e sem sentido dos salões das festas terrestres jamais poderá agradar ao Mestre. Convidados ricos e famosos também não vão assegurar o êxito do evento.

Como proceder então neste dia de Natal? Estamos ficando sem opções para agradar o Aniversariante.

A Solução

Os convidados serão todos que nos procuraram ao longo do ano, solicitando apoio, uma palavra amiga, um prato de comida, algumas moedas, muitas vezes apenas o nosso ombro para recostarem as cabeças cansadas, e que foram por nós recebidos de braços abertos e com um sorriso sincero e fraterno. Todos estarão em nossas mentes, testemunhas do trabalho realizado, e agora poderão ser relembrados e convidados mentalmente a participar desta festa sem igual.

Faz-se necessário um ambiente espiritualizado para recebê-lo. Pode ser a nossa casa, o templo escolhido para reverenciá-lo, preparado com orações de agradecimento à nossa atual existência. A própria Natureza pode servir de ambiente festivo para esta homenagem especial. Quantos salões podemos imaginar, muito mais ricos de amor, daqueles habituados a abrigar reis, rainhas, nobres, imperadores e monarcas?

Chegado o dia de honrarmos este especial Aniversariante, notamos agora a necessidade de uma vestimenta especial, que nos faça brilhar pelo amor e sabedoria dispensados a todos por nós atendidos, com quem partilhamos experiências durante este quase consumado ano. Qual diamante mais valioso podemos usar neste dia, senão aquele construído pelo nosso esforço sincero em ajudar e aprender? As nossas realizações serão as nossas joias e representarão igualmente os nossos perfumes. Posso usar o rubi da praticada Paciência, a esmeralda da exercitada Tolerância, a safira da vivenciada Brandura, o jade da dispensada Misericórdia e finalmente o brilhante do Amor espalhado aos quatro ventos. Ah! Estas sim são joias eternas, indestrutíveis, que estarão sempre conosco. O nosso crescimento espiritual e realizações caridosas serão os melhores presentes ofertados a Jesus. E tenhamos a certeza de termos acertado nesta escolha, do melhor presente, construído dentro do imortal lema: amemo-nos como Ele nos amou.

Conclusão

Somente quando Ele tiver nascido e frutificado em nossas mentes e corações, chegaremos a entendê-lo e principalmente vivê-lo. Nesta hora diremos confiantes: “Já não sou eu que vivo, mas é Cristo que vive em mim.” (Gálatas, 2:20).2

REFERÊNCIAS:

1 BÍBLIA DE JERUSALÉM. Trad. Gilberto da Silva Gorgulho; et al. 8.imp. São Paulo: Paulus Editora, 2012.

2 ______. ______.

Juventude Espírita 30/01/2019

O LIVRO DOS ESPÍRITOS:O NASCER DO ESPIRITISMO

O nascimento do Espiritismo ou Doutrina Espírita aconteceu no dia 18 de abril de 1857, quando foi lançada a obra O Livro dos Espíritos, assinada por Allan Kardec, pseudônimo de Hippolyte Leon Denizard Rivail, ocorrido na cidade de Paris, em plena Europa da metade do século XIX. Antes dessa obra muitas doutrinas religiosas, por serem espiritualistas, já...

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