Errar é humano. Permanecer no erro é apenas imaturidade espiritual

Autora: Cristina Sarraf

Mesmo sendo espíritas e nos sabendo em evolução, errar é sempre um grande incômodo e motivo de muitas reações psicológicas indesejáveis, mas que ainda nos pertencem.

Errar, em verdade precisa de um bom exame sobre o que seja, na medida em que muitas vezes está sendo apenas a opinião de outro sobre nosso modo de ser, pensar e agir. Esse outro que nos aponta um erro, está agindo por imposição? Por espírito de domínio? Por considerar-se dono da verdade? Por querer nos diminuir? Por se incomodar conosco, por que o desagradamos? Por querer nosso bem-estar? Mas quem quer o nosso bem, aponta erros? Precisamos examinar isso!

Muitas outras questões poderiam ser feitas, no entanto, cada um pode elaborá-las segundo a situação que vive, viveu ou viverá.

Quando nós mesmos nos reconhecemos em erro, teremos realmente errado ou estamos nos comparando a algum padrão estabelecido por alguém, pela sociedade, pela religião ou por nossa vontade de agradar para ter reconhecimento e/ou amor? Tudo isso e mais algumas coisas precisam ser examinadas, como por exemplo o nível de orgulho, pretensiosidade e vaidade que possamos estar cultivando.  Sim… também ver se não estamos querendo ser iguais a outra pessoa, que consideramos melhor por alguma razão.

À luz do Espiritismo, estamos todos em processo evolutivo. Processo é algo que veio de algo, que veio de algo… e que vai para algo, que vai para algo… sem término, sem interrupção e sem exceção.

Se estamos em evolução, é possível ser criticado ou condenado por alguém, que nos aponta um erro, sendo que esse alguém também, está em evolução?  Bom… há os mais maduros e com mais experiência. Mas se alguém é melhor, aponta erro, critica e condena? Ou ajuda a entender, respeita e considera as razões que temos; e admite que pode não haver erro? É preciso examinar isso!

Esses raciocínios não estão isentando que erramos, e sobretudo não estão “passando a mão na cabeça” de ninguém, e muito menos esquecendo que há erros que realmente prejudicam, destroem e matam.

Na medida em que há Espíritos encarnados de todos os tipos em nossa sociedade humana, e que recebem influências de desencarnados, também de todo tipo – fato de fácil compreensão para os espíritas – mas ignorado pela legislação social, as punições são a condição, por enquanto, para que abusos e crimes não predominem. Ou que sejam temidas as consequências, inibindo um pouco a maldade, a ignorância moral e a “injustiça”. Se bem que tudo isso possa ser acobertado e imposto de forma oficial, disfarçada e sob ameaça, na medida em a maioria não sabe prever o resultado de certo tipo de escolhas, como por exemplo de governantes.

Mas voltando as relações de amizade, família, grupo espírita, trabalho profissional, há que pensarmos melhor sobre o que se considera serem erros.

Por exemplo: se já sabemos que algo não é bom, não faz bem, não ajuda e pelo contrário, atrapalha e prejudica, mas continuamos agindo da mesma forma, o que está acontecendo? Sabemos mesmo? Estamos convictos de que isso ou aquilo é errado, ou apenas ficamos submetidos ao que nos dizem? Será negligência, prepotência e imposição? Será que conhecemos os passos, as etapas para chegar ao acerto? Estaremos nos forçando, sem conseguir acertar? É que forçar mostra desconhecimento dos caminhos!

Porque, muitas vezes, um hábito, um modo de ser é tão antigo e condicionado, que nem é percebido que está sendo usado, até que se concretize. Porém… o fundamental é entender, de verdade, que os atos são frutos, são consequência da maneira de pensar.  Se o pensamento perdura, não há como mudar os atos! Ou seja, ser condenado ou condenar-se não resolve nada. Culpar-se é usar de raciocínio não espírita.

Os equívocos são parte de nossa ignorância espiritual, por mais que o intelecto esteja desenvolvido. E sair deles – sempre chamados de erros – requer condições de percepção, compreensão, humildade intelectual e verdadeiro entendimento de estarmos em evolução. Ah, sim… todos somos bem e mal inspirados, influenciados e temos limites, equívocos, preconceitos e tendenciosidade no que sabemos e somos.

Como resolver? Aí vai uma sugestão:

Primeiro ver se realmente é um erro ou apenas uma opinião alheia. Segundo sair da culpa e ver-se em evolução e por isso, errar e acertar faz parte do processo. Terceiro observar-se, com respeito e amor, em relação a sua forma de pensar sobre a questão, assunto ou conduta. Quarto, analisar se está com disposição de empreender uma mudança de pensamento e sustentar-se no devido tempo de transição entre o hábito antigo e a nova forma. Quinto, aceitar-se como é, integralmente e propor-se a uma modificação que lhe será benéfica; e para isso comece a dar-se todo apoio necessário. Com paciência e muito amor.

A escolha é de cada um, conforme sua possibilidade!

Mas… afaste-se da utopia da perfeição, do conhecimento absoluto, da verdade inconteste e da falsa superioridade, que só é orgulho. E orgulho é também, apenas ignorância espiritual.

Jornal do NEIE

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