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Jovem no Além: Caso 1

Médium: Chico Xavier

Por: Caio Ramacciotti

Traços Biográficos: Augusto César Netto

São Paulo

– 27 de setembro de 1942 – Praia Grande.

– 27 de fevereiro de 1968.

Filho de Raul César e Yolanda César

Irmãs:

– Maria Otília César Toscano, casada com o Sr. Walter Toscano.

– Zuleica César Carvalho, casada com o Dr. Antonio Celso Mesquita Carvalho.- Marly César de Almeida, casada com o Dr. Paulo Roberto Bourgogne de Almeida.

Às 12 horas e 30 minutos daquela terça-feira de carnaval, 27 de fevereiro de 1968, o telefone tilintou na residência da Rua Marcos Lopes, Vila Nova Conceição São Paulo.

Preocupada com o encaminhamento do almoço, de que participariam as filhas e o então único genro, desataviada, alegre, D. Yolanda César não deu atenção ao telefonema que lhe iria mudar radicalmente o curso da vida nos anos seguintes. O genro Walter Toscano atendeu à ligação de Santos e convocando, de imediato, D. Yolanda, alegando outros motivos paliativos, para lá se dirigiram.

Augusto, naquela manhã, bem cedo, junto de amigos partira para a Praia Grande, com a promessa de retornar pouco depois das 13 horas, quem sabe para o almoço. Alto, forte, atleta de formação, habituado aos exaustivos exercícios físicos, comedido, jamais se suporia que, afogado nas águas da Praia Grande, naquela manhã cálida de fevereiro, iria deixar o nosso mundo, em viagem para a Vida Espiritual, transpondo as gélidas barreiras da morte.

Chegando à Santa Casa de Santos, D. Yolanda, que esperava encontrar, em sua cândida ingenuidade de mãe, o filho recebendo socorros pelo pretenso acidente de automóvel – em versão conciliatória elaborada pelo genro – teve à vista outro quadro.

O rabecão vindo da Praia Grande trazia o corpo de Augusto, frio, definitivamente morto.

Natural de São Paulo, Augusto César Netto nasceu a 27 de setembro de 1942 e faleceu a 27 de fevereiro de 1968, cinco meses após completar 25 anos.

Desde o curso primário estudou no Liceu Eduardo Prado, bem perto de sua Vila Nova Conceição, onde sempre residiu. Completou os estudos básicos e, no próprio Liceu, formou-se em Química Industrial.

Trabalhou até quatro meses antes de sua morte nos Laboratórios Squibb, tendo deixado este emprego para dedicar-se com o pai e com o cunhado à extração -de areia em sítio localizado na BR-2 (atual BR-116) km 64, estrada perigosa, motivo de preocupações constantes de parte do pai carinhoso, Sr. Raul César, que, encontrando-se em Goiânia no dia do falecimento do filho, ao receber a notícia, imediatamente associou o infortúnio à movimentada rodovia que liga a capital paulista a Curitiba.

Muito alegre, sem maiores preocupações além do trabalho exaustivo e do convívio familiar intenso, como de hábito na família brasileira, Augusto era esportista de nomeada, com participação efetiva nas atividades do Clube Ipê, a tradicional agremiação do Ibirapuera.

Sua morte mereceu dos amigos do Ipê uma página tão candente, assinada na revista do clube por Camilo Guimarães, que reproduziremos a seguir as últimas palavras do articulista:

“…Março chegou de novo! O campeonato vai começar. Os times se formaram e nenhum de nós aprovou o seu contrato (referindo-se ao Augusto) com o Senhor dos Espaços Infinitos, pois sabemos que você jogará num gol de estrelas, defendendo com segurança as nossas lembranças, segurando com firmeza os ‘pênaltis’ de nossa saudade. Augusto César Netto! Até Quando? Até Sempre! Adeus!”

Após o sepultamento na quarta-feira de cinzas, a família se voltou para uma nova realidade. A dor, o luto, a tristeza imensa fecharam as portas daquela casa dantes alegre e jovial, para que os amigos e vizinhos não pudessem ver os olhos sempre úmidos de D. Yolanda, o desespero do Sr. Raul e a angústia das filhas que, quais pássaros desorientados, procuravam, engolindo as lágrimas, devolver aos pais um pouco de alento e reconforto.

Sendo católicos, absolutamente distantes de qualquer informação a respeito do Espiritismo, sem conhecer Francisco Cândido Xavier, como chegaram a Uberaba quatro meses mais tarde, para o primeiro contato com o querido médium que lhes descortinaria um panorama novo, construindo para aqueles pais desesperados uma estrada firme, assentada na certeza absoluta da sobrevivência do Espírito?

Como a família César chegou até Chico Xavier

Sem o Augusto, começaram no lar os intermináveis monólogos com as sombras, as longas insônias que tranqüilizantes e hipnóticos não conseguiam debelar. Amigos se aproximaram da família, buscando de toda sorte atenuar os duros padecimentos.

Alguém sugeriu que D. Yolanda tomasse passes e, com a sua anuência cortês, antes por respeito que por convicção, um pequeno grupo de senhoras do Lar do Amor Cristão, entidade espírita beneficente do Ipiranga, passou a freqüentar regularmente a casa, ministrando passes e fazendo preces que, segundo a mãe do Augusto, nada trouxeram de paz e refazimento, face à atribulação mental tão grande de que se via possuída.

Aos poucos, com a natural amizade decorrente das reuniões, a dirigente do grupo, Senhora Acácia Maciel Cassanha, sugeriu ao casal que fosse até Chico Xavier. Quem sabe o querido Chico poderia dar-lhes uma palavra de alento e esperança?

Quatro a cinco meses após a morte do Augusto, o Sr. Raul e D. Yolanda, num sábado pela manhã, chegam a Uberaba. Terminava uma reunião matinal com a presença de companheiros de outras cidades, e, num contato brevíssimo, apenas puderam dizer ao Chico que sofriam muito com a perda recente de um filho. Chico lhes pediu que voltassem para a reunião pública da noite, quando então poderiam conversar um pouco.

No reencontro da noite, entre o atendimento de imensa fila de companheiros, amigos, e sobretudo de pessoas desconhecidas que o procuravam, Chico Xavier disse a D. Yolanda – sem mesmo saber o nome do filho morto – que “era um pouco cedo para notícias do Augusto, mas que ela se tranqüilizasse que ele estava bem, no Plano Espiritual, sendo assistido pelo seu avô Augusto”.

Algo descrente, por que não dizer decepcionada, D. Yolanda conjeturou consigo mesma que alguém dos presentes teria dito o nome do filho ao Chico, embora não conhecesse e não tivesse conversado com qualquer pessoa presente àquela reunião. Mas, apesar da descrença, não escondia sua curiosidade; como adivinhara o Chico o nome do filho e do avô, e como sabia que o avô Augusto estava desencarnado?

Ao término das tarefas da noite, Chico voltou a conversar com D. Yolanda e disse-lhe que ficara preocupado com a sua descrença, mas o Augusto lhe mandava dizer que ele era mesmo o seu Augusto e o Augustinho dos outros familiares.

No lar, apenas D. Yolanda e uma das filhas chamavam o filho por Augusto, a despeito dos outros todos o tratarem por Augustinho.De posse dessas curiosas revelações, o casal passou a visitar regularmente o Chico, fazendo-o mesmo todos os meses e, nessa rotina de visitas, quatro anos se passaram até que surgisse a primeira mensagem psicografada.

Conotação importante é observarmos quão variável é o período decorrente entre o falecimento e a primeira comunicação dos jovens autores espirituais deste livro. Augusto o fez após 4 anos; Carlos Alberto após 4 meses; Jair Presente, 42 dias depois Wadyzinho, ao cabo de 6 meses.

Ensinam-nos os Espíritos que não é fácil à comunicação conosco após a morte, antes que fatores vários sejam superados. Compreende-se que, despojado do corpo físico, retornando o espírito ao convívio direto dos entes queridos, pode desesperar-se por encontrar condições que o preocupem, sem que possa atuar diretamente no grupo familiar pelas limitações impostas com a ausência do corpo material.

Devemos também considerar que muitas vezes o espírito desencarnado passa no Além por um período de recuperação mais ou menos longo que nós devemos respeitar e, mais do que isso, abreviar com nossas preces e pensamentos construtivos, evitando levar até eles o nosso desespero e o nosso sofrimento, pois os entes queridos permanecem ligados conosco após a morte, como se entre nós e eles existisse indestrutível cordão umbilical, de modo que choram, sorriem, sofrem ou permanecem felizes, conforme o nosso próprio estado de espírito.

Passemos às mensagens do Augusto, escritas aos pais, pela psicografia do Chico.

1º Mensagem – janeiro de 1974

Querida mamãe, aquele abraço e aquela prece de sempre a Jesus por sua fortaleza e paciência.

Seu coração pede uma palavra e me arranca, na medida do possível, para trazer ao seu carinho aquele alô de todos os tempos, enviando a você e a meu pai com as meninas e o nosso pessoal o beijo de sempre.

Estou fazendo força e melhorando. Hoje uma lição, amanhã a experiência inesperada, e a gente vai indo…

Parece que estamos todos de mãos dadas subindo a montanha. De quando em quando, um de nas parece despencar de cima. O companheiro tropeça, rola e se fere um bocado, mas a turma agüenta e o caldo se levanta a fim de seguir para a frente.

Não podia ser de outro modo. E, o pessoal daqui é a cópia melhorada do grupo terrestre, ou melhor, Mãozinha, aí no mundo somos a cópia piorada da equipe que segura a caminhada do lado de cá. É muita gente mesmo, tanto de nossa parte quanto da parte dos colaterais. Mas é isso. Sigamos com otimismo e fé Viva em Deus. O ponto para ser alcançado é a felicidade de todos.

Fale à Maria Otília para se alegrar. Tudo vai bem com ela e com o Walter. Tratamento do corpo é necessidade. Imposição da vida. Devem atender a isso, mas a maternidade com ela vai sendo muita bem amparada. O amigo que veio e voltou precisa refazer-se. Essa o a verdade. Não posso bancar a criança, dando uma de abelhudo, mas o tempo dirá quem é esse generoso amigo que procura voltar pelos braços dela com as mãos firmes do nosso Walter.

Zuleica (3) está sob forte auxílio, mas não deve descuidar-se. A ela e ao Celso, à Maria Otília e ao Walter, à Marly e ao Paulo (4), o meu carinho de sempre.

Nosso pessoal por aí costuma tratar a gente por mortos. Isso, às vezes, dificulta o intercâmbio. Mas com a experiência da vida tudo vai melhorando. Mãezinha, diga ao meu pai que a vida é luta. Luta da pesada, para perdermos os pesos que nos afastam da Espiritualidade Superior. Rogo a ele não chorar ao ler esta carta. Da vez passada, quase que entrei em grande aperto com as lágrimas do pessoal. Quando minhas pobres notícias foram abertas, fiquei tão emocionado com o carinho de meu pai molhando o papel com o pranto forte (5).

Felizmente, mamãe, o seu coração, embora golpeado de saudade, estava firme. E quando as lágrimas brilhavam nos seus olhos, lembro-me de que você procurava fixar meu retrato, fazendo força para alegrar-se.

Tudo vai passando. Aqui está nossa Acácia (6). Nosso grupo (7) é uma família de paz e amor com serviço e realização, chamando-nos a testes incessantes. D que puderem fazer no terreno do bem, façam. O que puderem suportar com paciência, suportem. Aqui é o que a gente fez de si mesmo, pelo que fez aos outros ou pelos outros é o que vale. Nossa oficina de modelagem espiritual está funcionando. Todos podemos transformar-nos, construindo em nós mãos de paz se espalharmos a paz, verbos de luz se cultivarmos a luz em nossas palavras, pés de alegria se soubermos caminhar no rumo do bem, olhos e ouvidos de bênçãos se nos dispusemos a abençoar sempre.

Paro aqui. Este assunto de citação é pesado para seu filho. Aluno que não deu a lição não pode ensinar. Mãozinha, tio Casimiro (8) está bem e nossa irmã Thereza (9), a quem devemos tanto carinho, prossegue feliz, embora com a saudade extravasando em forma de lágrimas. Nosso Godoy vem recebendo muito amparo. E vamos caminhando.

Agradeço o seu carinho em favor das crianças. (10) É a verdade, mamãe. Trabalhando é que se progride. Auxiliando é que a gente se auxilia. Dar é a forma de receber. E receber sempre mais.

Quem diz aqui que o relógio não existe de nosso lado? Lembranças explodem e as palavras querem tomar forma no lápis, mas o nosso caro Doutor Bezerra (11) me diz calmo: “agora, meu filho, já chega”. Não devo internar-me em novos assuntos. Mas termino, mãozinha, pedindo a sua serenidade e paciência. Sua saúde melhorará cada vez mais com a sua calma crescendo e com a sua compreensão avançando para cima.

Creia em nossa união de todos os dias. E abrace este rapaz que o seu carinho colocou neste mundo. Não e o melhor, mas é seu.

Não chegou a ser o que a sua ternura esperava, mas é seu amor, companheiro de seus passos tanto quanto é para o nosso caro amigo de todas as horas – o nosso herói e meu querido pai – o sócio e o Companheiro de trabalho e de luta.

Peço às meninas que não me exijam o nome do pessoal miúdo nesta carta (12). Seria uma fila acrescida dos nomes de todos aqueles que amamos.

Querida mãezinha, a mensagem está pronta, mas a saudade é um problema que não foi resolvido. Entretanto, estamos felizes. Temos fé e esperança e isso é muito no Tudo que é Deus, no amor com que nos amamos. Muito carinho e aquele beijo do seu filho

Comentários

Para situar o leitor amigo na mensagem, vamos acompanhá-la de breves elucidações, obedecendo à sua seqüência cronológica. Em essência, encontramos a preocupação da família, entrecortada de ponderações oportunas. Aliás, o próprio Augusto se trai nessas ponderações, ao lembrar que “aluno que não deu a lição não pode ensinar”. De fato, segundo sua mãe, quando na Terra, não era grande a sua preocupação religiosa. Católico, esporádicas vezes freqüentava o culto, mas denotava respeitosa religiosidade, não obstante mais ligado, como jovem, ao estudo, aos entretenimentos, ao namoro e ao trabalho.

Contudo, compreendamos que a desencarnação fez o seu espírito retomar conhecimentos que nos são intrínsecos, por termos vivido na Terra em outras reencarnações, no passado, acumulando experiências, definitivamente gravadas em nossos arquivos mentais.

Vejamos a mensagem

1 –  colaterais –  refere-se aos outros espíritas presentes à reunião.

2 – Maria Otília sua irmã Maria Otília César Toscano, esposa de Walter Toscano, citado a seguir. Referindo-se à irmã, Augusto procura alentá-la de problemas que enfrentou, com o insucesso de duas gestações interrompidas. Adiante Augusto diz à irmã que “o amigo que veio e voltou precisa refazer-se”, referindo-se ao espírito cuja tentativa de reencarnar não foi levada a termo, por duas vezes consecutivas.

3 – Zuleica outra irmã de Augusto, em estágio avançado de gestação, daí dizer o Augusto estar ela ‘sob forte auxilio mas deve descuidar-se’.

4 – Os nomes citados se referem a:

Zuleica César Carvalho e seu marido o Dr. Antônio Celso Mesquita de Carvalho; Marly César de Almeida e o esposo Dr. Paulo Roberto Bourgogne de Almeida, residentes na capital paulista.

5 – Augusto refere-se a mensagem anterior de sua autoria, também psicografada pelo Chico, recebida em 03 de fevereiro de 1973 –  um ano antes da mensagem que estudamos. O leitor encontrará a citada página no livro “Entre Duas Vidas”, de Francisco Cândido Xavier e Elias Barbosa. Conta-nos D. Yolanda que o Sr. Raul César, ao ler a mensagem em casa, pois não fora a Uberaba daquela feita, não pôde conter o pranto convulsivo, enquanto que ela realmente procurava fixar o retrato do filho que se destaca na sala de visitas da residência. Certamente em espírito o Augusto consolava o pai em pranto e a mãe em prece naquele reencontro no próprio lar.

6 – Acácia – Acácia Maciel Cassanha, a abnegada amiga que sugeriu a D. Yolanda que fosse até o Chico, após a morte do Augusto.

7 –     Nosso Grupo – trata-se do Lar do Amor Cristão, instituição que D. Yolanda, fortalecida pela consolação espírita, passou a freqüentar.

8 – Tio Casimiro – Casimiro César Carlos, falecido alguns meses antes.

9 -Irmã Thereza – vizinha de D. Yolanda, Thereza Motta Godoy, desencarnada em 28 de setembro de 1973. “Nosso Godoy” é seu marido Boanerges Bueno Godoy.

10 – Comovida com as consolações recebidas, D. Yolanda, renovada espiritualmente, passou a dedicar-se ao socorro de crianças necessitadas; daí a menção do filho.

11 – Doutor Bezerra – personalidade conhecida nos meios espíritas, o Dr. Adolfo Bezerra de Menezes, viveu no Rio de Janeiro no século passado, destacando-se como médico e político, sendo também um dos grandes batalhadores da Doutrina Espírita em terras brasileiras. Desencarnou em 1900.

Aqui se faz presente o espírito alegre e brincalhão de Augusto: assim se expressa porque na mensagem anterior, psicografada em fevereiro de 1973 e citada neste comentário, as irmãs estranharam o fato de Augusto lhes não mencionar o nome, reclamando, mesmo, jocosamente, com a mãe. O jovem ouviu-lhes do outro lado à observação e, na presente mensagem, nomeou-as a todas, bem como aos maridos, mas pediu-lhes que não exigissem também o nome dos sobrinhos…

2º Mensagem – 02 novembro de 1974

Querida Mamãe, é a hora de começar a nossa conversa falando em Deus. Não se pode mudar uma entrada assim tão clara e tão boa. Repito: Deus nos proteja.

Sou eu mesmo. Seu Augusto. Para servir só? Não. Para dizer que amo você, Mãezinha, cada vez mais.

Gostei de sua decisão (1) Acabar com os impedimentos e aparecer por aqui, de modo a  termos a idéia de que a gente melhora na comunicação. E só a idéia. Porque união mesmo é em qualquer lugar. Nossa Vila (2) é aquele negócio de amizade e beleza. Todos irmanados, quase que pensando com uma cabeça só. Mas, hoje é um dia triste para quem coloca a imagem da morte na frente da vida. E tanta lágrima nessa .fronteira que se exprime por passagem de um estado a outro, que fiquei contente de pintar nesta sala para aquele abraço. E isso ai.

Problemas não faltam. Perguntas sobram. E a saudade parece sete pontas de punhal retalhando a alma principalmente quando gritam ai por nós como se estivéssemos mortos e encalcados na Terra, sem recurso de alteração. Graças a Deus, não estamos nessa.

A onda para nós é confiança e amor.

Amor que não muda e confiança em que Deus é a base firme.

Agradeço, Mamãe, por tudo.

Compreendo. Sei que o seu carinho queria e não queria a mensagem de hoje (3). Queria porque a falta que sentimos uns dos outros é uma espécie de doença crônica, sem tranqüilizante que agüente. E ao mesmo tempo você não esperava por mim, porque desejava que as nossas amigas recolhessem palavras dos filhos que vieram também para cá, assim como acontece a tantos de nós.

Temos, porém, aqui diversos companheiros. Uma curriola de moços, como diria o Jair Presente (4), meu colega de incursão hidráulica. Entretanto, não sei se as mágoas do dia de hoje estão virando nuvens grossas de pensamentos amargos em torno da rapaziada. O certo é que fui considerado veterano para rasgar os obstáculos e dizer qualquer coisa. Por eles e por mim.

O Cristiano e o Gabriel (5) estão realmente aqui, lembrando pássaros ansiosos de pouso. Pouso no coração dos pais, que é sempre para nós um ninho de socorro infalível. Entretanto, não puderam reorganizar forças e enfileirar pensamentos para sustentar o lápis neste bailado das letras a que me vou habituando. Ainda assim, recomendam a este pobre estafeta da Vida Espiritual para transmitir-lhes as lembranças e os agradecimentos. Ambos sorriem e choram ao mesmo tempo. É aquela emoção de calouros da nova estrada, contentes por se verem na memória dos pais queridos e encucados no regime de carência afetiva a que nos submetemos. Enfim, a situação é esta mesma.

Ninguém pode alterar o inalterável. E, para transformar o que deve ser transformado, em coisas que fogem ao nosso bedelho, qual acontece com a vida e com a morte, só Deus consegue modificar o que consideramos como coisa necessitada de mudança. Querer estar aí com todos, a qualquer hora, e ligar prá vocês como quem toca telefones e campainhas, a gente quer mesmo. No entanto, é preciso esperar e esperar.

Este é preciso parece fatalidade. É preciso nascer e é preciso morrer, é preciso lutar por melhoria e é preciso melhorar sempre. Seqüência de imposições benéficas que a pessoa agradece porque não há saída melhor para estes assuntos e casos de evolução. Mas não se impressionem com isto. Não. Continuem auxiliando a gente com o pensamento de paz e amor. Isso é importante. Qualquer cara por aqui tem necessidade disso. Não é fácil esquecer o que ficou prá trás. Somos alunos felizes porque nos achamos resignados e contentes na escola da vida diferente a que fomos trazidos; contudo, somos ainda presos, muito presos ao carinho de vocês. Falo aqui, Mãezinha, a todos os presentes.

A indesejada (6) vai chegando e ataca de gigante, colhendo pessoas aqui e ali, deitando-as e levantando-as ao mesmo tempo. A gente entra à força na idéia de que está fazendo istripitisi. É aquele clamor de arrasar igualmente a qualquer um. Depois dessa operação obrigatória em, que a criatura é deslocada em definitivo de seu próprio encaixe, começa a luta maior pela adaptação. Vocês aí, fazendo força para nos reencontrar e nós daqui arrebentando energia para dar prá vocês a certeza de que ninguém morre… Mas tudo deve estar certo. Eu não posso andar invocado com problemas que não são para mim. Falo em saudade, falem outros com explicações. Dou, porém, uma voz à saudade e com ela peço a coragem de que não devemos estar desligados a fim de vencer a chuva parada de nossas indagações molhadas de lágrimas e prosseguir prá frente, dando duro no melhor por fazer.

Você, Mãezinha, leve a meu pai o carinho de sempre e fique animada. Corpo terrestre é máquina de costura em mãos do alfaiate, enxada nos braças do lavrador. Qualquer coisa de precioso que se deve conservar. A senhora tem que segurar a apito por muito tempo ainda e, por isso, deve dar uma revisada na .saúde física a fim de sabermos qual é o melhor remédio para a enquadração no equilíbrio das forças (7).

É preciso (outra vez a “é preciso”) viver a vida tanto quanto seja possível na Terra para que se retire o máximo da escola do mundo. Às vezes encontro você matutando coisas. Será? Não será? Tenho ainda muito tempo no mundo? O seu pensamento me busca longe e eu fico mais perto de você para auxiliar as suas idéias no reajuste. Viver sim, Mãezinha, e viver feliz como o figurino recomenda (8).

Otília, Zuca (9), Marli e a meninada estão chamando… Papai é nosso, um gigante de trabalho e de bondade, a pedir sempre mais atividade para ser mais útil. E nós não podemos ir para ao brejo do desânimo. Com os nossos de casa, temos nossos amigos e eles todos formam hoje uma família só em nosso favor. Sigamos pra Alto, que pra Alto é que a gente se manda com segurança. Mas isso tem que ser devagar. Pouco a pouco. A subida será por deveres cumpridos e por bênçãos do amor ao próximo. O melhor negócio é trabalhar com todos os necessitados do caminho por sócios ativos em nossas dividendos, por menores que sejam.

Mãezinha, hoje é um dia de aniversário geral. Todos lembrados nos dois planos da vida.

Muito grato por sua presença com os nossos laços do coração nas preces de hoje. Convertam vocês aí ás flores das homenagens em apoio aos que sofrem mais que nós mesmos. Teremos três benefícios juntos: pouparemos as flores em seus ninhos de origem, cooperaremos em favor de irmãos matriculados na penúria inesperada e prestaremos serviço a nós mesmos. Porque, como se vê na prece famosa “é dando que se recebe ” (10)

Mãezinha, continuemos dando ao papai todo aquele apoio. Diga a ele que não estou ausente. Cada vez mais em casa para melhorar-me aprendendo amor e dedicação com vocês todos.

Agora, é aquele beijo do filho reconhecido. A carta pronta, as datas lembradas, aniversários em dias (11) e avisos colocados entre nós para dizer que não há sinal vermelho nas estradas de nossa fé. Agora é me arrancar para outras tarefas. Não para outras ligações, que não as tenho maiores do que a nossa.

Deixamos, companheiros e eu, muito carinho e muitas lembranças para os amigos presentes.

Quanto a nós dois, querida Mamãe, é aquele mundo deflores do coração que entrego em seus braços. Flores de ternura e de gratidão. Desculpe seu filho pela pobreza. Tudo o que tenho de melhor é o seu amor e o amor dos nossos. Com esse amor peço aceite o seu rapaz que você criou com tantos mimos e que não aprendeu a criar mimo algum para o seu carinho. Mas sei que você, querida Mamãe, não quer tanto a que eu lhe pudesse trazer com as mãos repletas e .sim espera o amor, acima de tudo o nosso amor, que trago nas mãos vazias. São vazias ? Nós dois sabemos que não. Essas mãos, as mãos que Deus me concedeu, me trazem para o seu coração.

Sim, sou eu mesmo. Abrace-me. Estou com muitas saudades, embora sem desespero. Quero você, Mãozinha, estar com você e com meu pai, e dar-lhes a certeza de que estou vivo. Recebam todo o meu agradecimento em meu amor inalterável. E abençoe seu filho, sempre mais seu. E tudo de mais belo que espero sempre é a sua bênção.

Com todo o meu coração, entrego a você, mamãe, aquele abração do seu, sempre seu,

Comentários

Eivada de revelações do total desconhecimento de Chico Xavier, temos a sensação nesta mensagem, como de resto nas outras todas, de que Augusto, acompanhando sua mãe no próprio lar e na intimidade de seus pensamentos, foi recolhendo as impressões recônditas, as preocupações e os anseios, para, através de Chico, pela psicografia, devolver-lhe ao coração materno as respostas correspondentes.

Por exemplo, sentiu as dificuldades que enfrentou o coração materno, no dia de Finados, ao trocar a visita ao túmulo do filho no cemitério, junto de outros familiares, pela viagem a Uberaba.

Anotou também a prece-súplica de D. Yolanda, quando junto de duas mães, profundamente abaladas pela perda recente de seus filhos, Cristiano e Gabriel, rogou a Jesus, que se fosse possível, a despeito do desejo de receber mais uma mensagem do Augusto, que um dos dois jovens se comunicasse em seu lugar, para consolo de suas mães.

Em seu convívio espiritual com a genitora, Augusto surpreende ainda o abatimento físico, aconselhando os cuidados médicos e lhe suplica para não dar pouso em seu espírito a doenças fantasmas. D. Yolanda passou alguns meses alimentando a idéia de que se via prestes a morrer, pois se julgara muito doente… E Augusto, em sua mensagem insiste: “É preciso viver a vida tanto quanto seja possível na Terra para que se retire o máximo da escola do mundo. Às vezes encontro você matutando coisas. Será? Não será? Tenho ainda muito mais tempo no mundo?”

Outros elementos recolhemos a esta mensagem do Augusto e que anotaremos por ordem de aparecimento no texto.

1 – Ver comentário acima.

2 – Nossa Vila – Vila Nova Conceição, bairro da capital paulista, onde Augusto sempre residiu.

3 – Refere-se ao desejo de D. Yolanda, de todo contraditório em seu espírito pela saudade do filho, de ceder a vez, se o pudesse fazer, ás outras mães presentes, como já comentamos.

4 – Jair Presente –  um dos jovens autores deste livro; presente à reunião ora considerada. Colega de Augusto de incursão hidráulica, porque ambos morreram afogados.

5 – Cristiano e o Gabriel – Cristiano Ricardo Vilaça Lopes, filho de Joaquim Coelho Lopes e Lenira Vilaça Lopes, residentes em São Paulo, faleceu em acidente de automóvel na Estrada Curitiba-Ponta Grossa, com 14 anos apenas, no dia 10 de janeiro de 1974; Gabriel Casemiro Espejo, 25 anos, filho de Gabriel Espejo Martinez e de Irene Casemiro Espejo Martinez, residentes em Campinas, desencarnou, com meningite, em 27 de junho de 1974.

As mães desses jovens estavam presentes à reunião em Uberaba quando da psicografia desta mensagem.

6 – A indesejada – a morte.

7 – Conselhos de Augusto a D. Yolanda a respeito de sua saúde.

8 – Como no item 7 ver nossos comentários iniciais neste capítulo.

9 –  Zuca – apelido íntimo de Zuleica, irmã de Augusto, pouco conhecido fora círculos domésticos.

10 – Oração de São Francisco.

Augusto refere-se à passagem de aniversário de nascimento a 27 de setembro, pouco mais de um mês antes da psicografia desta mensagem.

3º Mensagem – 11 fevereiro de 1975

Obrigado, Mamãe. Seu filho está igualmente em prece por sua felicidade.

A saudade agora é uma oração de esperança. E a esperança é um caminho de amor. Ao trilhar essa estrada bendita de reencontro, você me aparece constantemente em tudo o que vejo de mais belo.

Melodias que me alcançam lembram suas cantigas de embalar e flores que afago trazem à memória o seu carinho.

No regaço das mães que contemplamos, à cabeceira dos filhos, sinto de novo o calor de sua ternura e nas crianças que nos sorriem revejo o meu próprio retrato, quando chegava em casa, depois da fuga para os brinquedos, e você me abraçava, perguntando aflita e surpreendida: – “Onde estava você, meu filho?”

Tanta inquietação pela ausência de minutos como que nos contava alguma coisa da separação que viria depois e das nuvens de saudade em que tatearíamos, chorando, na busca incessante de um coração para o outro. Deus, porém, já dissipou todas as sombras e as nossas lágrimas assemelham-se hoje ao orvalho do amanhecer. Tudo é luz, confiança, alegria e trabalho anunciando vida nova.

Neste dia diferente em que nos encontramos, de alma para alma, tenho . a impressão de ver a Terra, como sendo imenso jardim, onde todas as mães brilham, quais estrelas que ofuscassem o próprio Sol. Vejo-as todas. Todas são mensageiras do Céu clareando o mundo. Volto-me, no entanto, para o seu colo, imagino-me novamente criança e olhando para o Alto, em minha oração de jubiloso agradecimento, digo sem palavras, com todas as forças do coração:

– “Meu Deus, de todas as mães, na Terra, aquela que me deste é, com certeza, a mais linda!”

Comentários

A terça-feira de carnaval traz a D. Yolanda um turbilhão de reminiscências, ligadas à trágica morte de seu filho.

Por isso, nesse poema em prosa, vemos o coração do filho envolvê-la com palavras caridosas, num cântico maravilhoso em homenagem às mães.

Recordamos de uma estória infantil em que ao procurar a mãezinha perdida, o filho pequeno, sem maiores recursos para caracterizá-la, simplesmente a define como a mãe mais bonita do mundo. E Augusto, lembrando que mãe é atributo do espírito de mulher, sempre nobre, transbordando o seu significado a qualquer limitação social, encerra sua prece-poema dizendo:

“Meu Deus, de todas as mães, na Terra, aquela que me deste é com certeza a mais linda!”

Na noite em que Francisco Cândido Xavier recebeu esta mensagem, horas antes, alguns amigos presentes, entre os quais D. Yolanda, foram acompanhar o querido médium a uma visita a famílias paupérrimas de um bairro afastado, em Uberaba.

Ali, durante a visita, as crianças presentes, aglutinadas em uma pequena bandinha cantaram uma canção em homenagem a D. Yolanda. Augusto, presente em espírito, anotou as homenagens e em suas mensagens refere-se ao fato, dizendo:

“Melodias que me alcançam lembram cantigas de ninar.”

4º Mensagem – Abril de  1975

Paquerei o mundo, procurando o ouro do Céu. E caminhei curtindo maravilhas.

Achei meu pai, o amigão que me pôs prá jambrar. Guardei prá mim uma gente bacana chamada família e mandei a bola prá frente.

Saquei amizades que me colocaram nas jogadas e me ensinaram a sacudir a carola, tirando sarros.

Peguei uma nota comprida e gastei grana uma barbaridade.

Adorei máquinas lindas e ouvi ninfas geniais quase entrando pelos canos da vidração.

Aprendi a sair bem de grudes e zebras, de confas e pintas bravas.

Bati papos badalados, na crista da marola.

Mas quando o conta-viela se mandou prá cima de mim, empacotando o meu corpo num tremendo barato de praia, é que achei o tesouro do Céu que eu procurava:

– O coração de minha mãe, porque o coração do minha mãe e um pedaço de Deus.

Comentários

“Paquerei o mundo, procurando o ouro do céu…”

Nesta mensagem vazada em gíria objetiva e bem colocada, Augusto se dirige aos jovens do mundo, fazendo um pequeno resumo de sua passagem pela Terra.

Nascido em berço de paz, recebendo dos pais o carinho e apoio de um lar bem estruturado, sem maiores problemas com o dinheiro, viveu muito em toda a extensão do termo. O fascinante mundo dos jovens não lhe foi vedado, até que o conta-vida se mandou para cima dele…

No idioma característico dos jovens, Augusto definiu o drama que enfrentamos no mundo, sem a compreensão de seus verdadeiros valores. Somos frágeis e, sem a mensagem da Vida Eterna que Jesus nos trouxe, corremos o risco de, surpreendidos pela morte prematura, chegar do lado de lá, ainda à procura cios tesouros de Deus, quando aqui mesmo os podemos encontrar, se entendermos as nossas responsabilidades e o papel que nos é destinado nas lutas planetárias.

Meditemos sobre esta autobiografia do Augusto.

5º Mensagem – Maio de 1975

Meu caro Flávio (1) prezado amigo Duda e outros primos.

Deus nos inspire a  conversa em casa. Papo informal querendo aproximação. É muita gente esperando por nós com vestido de anjo e muitos ficam abilolados quando percebem que somos aqueles mesmos rapazes frajolas de pouca roupa.

Não corram de nós e fiquem na meditada com nossas madres.

Quando pintei por aqui julguei que iria pendurar as chuteiras, e o que achei foi os esculachos do lesco-lesco. O negócio é isso. Acordei birutado e tive de organizar muitas daquelas de puxação com gente de bem para ver a melhora. Perguntaram qual era o meu plá. Olhem prá mim. Fiquei naquela de agitado, depois dei o clarão e parti para outras. Era preciso sair do chá-de-cadeira e comecei a mudança.

Por isso, cupinchas meus, venho até vocês para dizer que não encontrei super-pai nem tutu-man. Fiz minha observada e vi todo mundo no basquete. Procurei meu lugar, dando início a coisas diferentes. Pega daqui, pega dali, dureza prá burro e vida nova.

Caso vocês queiram fornecer prá mim aquela escutada de irmãos, não fiquem no mais-prá-lá-do-que-prá-cá. Esqueçam traçados e goiabinhas. Tiro-a-esmo e bocas-quentes, comeretes e beberetes servem só para fajutar.

Não acreditem que eu esteja fazendo cafonália ou anotando aqui alguma de Nostradamus. Nem estou também com os macacos. O negócio é que não há caras mortos. O pessoal e as patotas, o grupinho e as turmas estão aqui. Ninguém sobe dando guinadas de foguetes. Nem os astronautas, porque os astronautas, foram obrigados a voltar para manjar forças novas. Estamos como éramos e ainda somos, procurando caminhos de renovar.

Vocês aí se estiram nas camas cada noite e morrem um pouco na mágica do sono e levantam-se cada manhã com o mesmo cenário; um céu muito azul quando está sem nuvens convidando a pensar e se chumbam no chão para dar o serviço. Nós aqui, despertamos, fitando um céu muito mais azul, chamando para cima, entretanto, somos atraídos para baixo, a fim de trabalharmos em favor das cucas, especialmente dos amigos que ainda moram aí nas furnas do solo. O difícil é que temos o dever de plantar novas idéias nas cucas de que falo, como se fôssemos horticultores, cultivando plantas de Deus nesses vasos vivos. Temos, porém, tantos grilos no pensamento, que não é fácil desengrilar as idéias dos outros.

Vocês não fiquem parados aí, quando estamos entregando a vocês tantas palas. Entrar no batente do bem aos que se esforçam por um mundo melhor, para não entrarmos em canas. Por aqui, pitongueiros é o que não falta. Visitamos juntos os irmãos separados em grades (2) e aqueles outros que esperam a felicidade brotar para ter alegria. Crianças vimos pedindo, com os olhos, braços que as sustentem e muitas mães enxergamos, como se fossem nossas escravas, embalando os que estão nascendo para o futuro.

Primos e amigos, larguemos copos e copas, bocas de sombra e redes mansas e coloquemos nossas mãos nessa construção de paz e amor. Ninguém nasce feliz, ninguém nasce sábio. Tudo é produto de esforço que nos cabe guiar para o melhor em auxílio a todos.

Prá frente com o programa de melhoradas corretas. Somos aqui uma turma que engrossa a corrente. Grupo de paz e amor formado pelos que se cansaram de canja e água refrigerada.

Permitem os professores que se fale como nos entendemos, mas sem fofocagem e sem pornô. Inventamos canais de comunicação para alcançar vocês e estamos contentes, porque muitos companheiros estão ouvindo. Quanto possível, façamos força para aderir.

Compreendemos vocês. Não somos realmente os filhinhos desmamados, lembrando chupeta. Olhem aí, porém! porque continuamos e devemos continuar filhos de Deus, nas obras de Deus com nossos pais e com nossas mães. Ponham freio nas fantasias e procuremos agarrar a enxada do bem a todos e com todos (3)

É muito a conversar e o tempo está dividido. Acabou-se a parcela de que dispunha e preciso pintar noutras bandas.

Agradeço à minha mãe ter trazido vocês. É verdade, ela güenta as pontas com vocês aí, carreando com alegria os corações amigos para as nossas preces e o servidor ainda muito fraco que sou busco usar o sarrafo e quebrar os galhos. Boa vontade só.

Aquele beijo para mamãe – o meu pedaço de bom caminho para a Vida Superior –  e para vocês todos, tchau. Até outra vista. Fiquem com Deus que tenho outros encontros na paróquia. Muito reconhecido, o primo pobre e o filho rico.

Comentários

1 – Flavão – Flávio Rotta, primo de Augusto. Duda é o Eduardo Trindade Ferreira, amigo do Flavão. Ambos foram levados a Uberaba pela D. Yolanda, no sentido de buscar para eles uma orientação espiritual, a propósito dos problemas que vêm enfrentando.

2 – “Visitamos juntos os irmãos separados em grades” na tarde que precedeu o recebimento da mensagem, Chico Xavier e algumas famílias presentes, incluindo o Flavão e o Duda, foram visitar os presos da Cadeia de Uberaba, visita que, próximo ao Dia das Mães, o querido Chico faz de rotina, aos presidiários da cidade, numa embaixada de luzes, em homenagem às suas mães anônimas, muitas certamente já desencarnadas.

3 – Este parágrafo todo se destina ao Flavão, que por várias vezes se dispôs a deixar o lar. Augusto o adverte de suas responsabilidades de filho.

A par desses elementos de revelação em que podemos identificar a pureza da mensagem transmitida pelo Chico, com a citação do apelido dos jovens, sem que dele tivesse conhecimento, encontramos alguns esclarecimentos a ambos em particular e aos jovens que de modo geral se envolvem nas ilusões da Terra, buscando o esquecimento de suas responsabilidades no álcool, no tóxico, no jogo e na ociosidade.

Embora vamos encontrar a gíria como recurso de linguagem mais comum no outro autor espiritual do livro   Jair Presente nesta página do Augusto vemo-lo dirigir-se ao primo Flavão e ao Duda em identificação precisa com a linguagem destes jovens.

D. Yolanda disse-nos mesmo que não era hábito do Augusto prender-se às palavras e expressões aqui arroladas, sendo sua gíria mais suave e identificável com a mensagem anterior, a que denominou “Pedaço de Deus”. Ocorre que o Flavão e o Duda, bem como seus companheiros, se mostraram bem familiares com o linguajar do Augusto, que, em esforço de comunicação, buscou sintonizar-se na faixa de compreensão dos jovens ali presentes.

Aliás, é o próprio autor espiritual que nos diz quase ao término da mensagem, para justificar suas palavras

“Inventamos canais de comunicação para alcançar vocês e estamos contentes, porque muitos companheiros estão ouvindo.”

Mencionemos também conceitos expostos nesta mensagem, exemplos objetivos de como é encarada a vida no Plano Espiritual.

Assim, na sua simplicidade de expressão, Augusto diz que julgou que iria “pendurar as chuteiras” quando pintou por lá, mas encontrou muito trabalho. Mais adiante afirma que sem querer dar uma de Nostradamus*, “o negócio é que não há caras mortos”.

Cremos que do corpo da mensagem uma pérola de expressão merece ser separada, pela profundidade de seu significado. É quando Augusto diz: “Nós aqui despertamos fitando o céu muito mais azul, chamando para cima; entretanto, somos atraídos para baixo, a fim de trabalharmos em favor das cucas, especialmente dos amigos que ainda moram aí nas furnas do solo”.

Como vemos, o amor liga definitivamente as criaturas e dessa lei divina não nos podemos afastar. Quantos espíritos sublimados descem à Terra para redimir almas queridas, ainda presas aos charcos do mundo. É o amor eterno unindo-nos uns aos outros na sustentação recíproca das forças espirituais.

Ao encerramento da mensagem, Augusto diz: “muito reconhecido, o primo pobre e o filho rico”.

Primo pobre, entendemos, por não estar mais na Terra, na abençoada oportunidade de abraçar as lutas redentoras no mundo, e filho rico, por ter recebido de Deus o tesouro que sua mãe representa em amor e abnegação.

Nota

* Nostradamus – Miguel de Notredame, ocultista francês do século XVI.

Nota Juventude Espírita: A imagem na chamada do texto é apenas ilustrativa. Não conseguimos foto, em boa qualidade, do jovem responsável pelas comunicações

Referência

Trecho do livro Jovens no Além – Espíritos Diversos de Francisco Cândido Xavier.

Link para adquirir a obra completa: https://www.geem.com.br/jovens-no-alem/p

Site da editora GEEM: https://www.geem.com.br/

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