O medalhão e a pedra

Autor: Hamaral Nunes

Lúcio era um trabalhador dedicado do bem. No entanto, quanto mais ele se esforçava para auxiliar a comunidade, mais surgiam comentários maldosos a seu respeito. Diziam que suas intenções eram políticas, que ele buscava o aplauso e até inventavam falhas graves em seu passado.

Abatido e sentindo-se injustiçado, Lúcio pensou em abandonar as tarefas. ” – Para que servir, se o resultado é o veneno da língua alheia?”, questionava-se.

Naquela noite, em descanso do corpo físico, Lúcio sentiu-se transportado a um gabinete sereno. Lá, um instrutor espiritual lia um antigo pergaminho. Ao ver Lúcio, o instrutor sorriu e perguntou:

— Por que o semblante de derrota, meu irmão?

— A calúnia, mestre. Estão destruindo o meu nome — desabafou Lúcio.

O instrutor caminhou até uma estante e pegou dois objetos: uma pedra comum, coberta de pó, e um medalhão de ouro finamente trabalhado.

— Olhe para essa pedra e esse medalhão, me responda, qual destes dois você  acredita ser mais desejado e cobiçado?

— Obviamente o medalhão — respondeu Lúcio.

— Pois bem — prosseguiu o instrutor. — Ninguém calunia o que não tem valor. A calúnia é, no fundo, um reconhecimento invertido. O caluniador dedica tempo, energia e criatividade a você porque você possui algo que ele ainda não consegue alcançar: o movimento, a ação, o progresso. Agradeça ao seu opositor, pois ele é quem melhor atesta a importância do seu trabalho. Se você fosse uma pedra inerte no caminho, ninguém notaria sua presença.

Lúcio ouviu, então, uma síntese das leis que regem a alma – assim o instrutor lhe disse:

Em O Evangelho Segundo o Espiritismo, aprendemos que as aflições da vida são provas. A calúnia testa se o seu bem é verdadeiro ou se depende do elogio dos homens. Chico Xavier, através de Emmanuel, sempre nos lembrou que o “inimigo” é quem nos aponta as brechas onde ainda precisamos melhorar. Se o que dizem é mentira, não te atinge. Se é verdade, te ajuda a corrigir. Veja o próprio Cristo, que diante de Pilatos e das falsas acusações, apenas usou o silêncio. Ele sabia que a verdade não precisa de defesa; ela precisa apenas de tempo.

A Moral da História

Ao acordar, Lúcio não sentia mais raiva. Compreendeu que se alguém gastava tanto tempo tentando diminuí-lo, era porque ele, de alguma forma, já havia crescido. O caluniador é alguém que nos vê com lupas. Em vez de sofrer, use essa “atenção” para polir ainda mais o seu caráter. Como ensina a doutrina: o mal que os outros dizem de você só se torna seu se você o aceitar como verdade ou se revidar com a mesma moeda.

AÇÃO ESPÍRITA NATRANSFORMAÇÃO DO MUNDO

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