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Os sistemas da mente e nossas aptidões 

Autor: Nubor Orlando Facure

O que nos faz um ser vivo particular, capaz de fazer escolhas, recusar ou aceitar uma proposta, expressar esse ou aquele comportamento, crer ou descrer da ocorrência de determinados fenômenos, ter medo, raiva, ciúme, agredir ou abraçar, esconjurar ou agradecer?

As experiências dentro de um meio ambiente mais ou menos hostil e desconhecido criaram múltiplos sistemas de funcionamento que permitiram aos seres vivos enfrentar seus desafios, e essas experiências penosas criaram, para cada um de nós, aptidões variadas.

Sistemas de funcionamento da mente

Eles dividem-se em:
 

  • Biológicos: relacionados, por exemplo, à sobrevivência, ao comportamento sexual, ao altruísmo.
     
  • Psicológicos: têm a ver com o humor, a racionalidade, a grupos sociais, a superstições etc.
     
  • Culturais: relacionados com nossas crenças, tradições e religiosidade.

As Aptidões são talentos ou competências – usando a metáfora do computador, são os nossos “aplicativos”: acumulamos aptidão social, musical, manual, intelectual, esportiva, utilitária, entre outras. 

Os “sistemas” são mais ou menos permanentes, com forte origem genética, ao passo que as “aptidões” são instaladas e removidas com mais flexibilidade e seu uso constante reforça sua permanência, enquanto seu desuso deteriora sua competência e performance.

Essa maneira de ver o ser humano é didática e sua aplicação experimental a torna de fácil uso prático. Vamos estudar clinicamente esses sistemas: 

Sistemas de funcionamento biológico 

O comportamento dos animais tem sido estudado exaustivamente e esse estudo confirma que cada espécie age dentro de um modelo de funcionamento padrão. Temos exemplos fartos em diversos ambientes da natureza:

Vejamos as estratégias da Leoa ou um bando de Leoas organizando-se para a caça.

O comportamento de um gatinho caseiro com todas suas manhas.

O cachorro em companhia de seu dono, que obedece fielmente a diversos comandos, mas, diante da fêmea no cio, adquire sua costumeira agitação.

O Chimpanzé alfa, dono do bando, impondo suas preferências sexuais.

O Suricata fingindo de morto para afastar o gavião.

Todos esses exemplos mostram comportamentos instintivos, típicos para cada uma dessas espécies – o instinto, no animal, é o seu sistema predominante de funcionamento.

Diz-se que são comportamentos instintivos, por serem padronizados, e estamos aqui usando-os como exemplos, como modelos de sistemas de “funcionamento sedimentado geneticamente” – um comportamento padronizado, fixo, invariável, que é, de certa maneira, universal, visível em cada uma dessas espécies e que permanece repetitivo no tempo e no espaço. Onde estiver um gatinho, ele reagirá repetindo seus caprichos do mesmo modo que fez desde as noites em companhia dos Faraós no Egito.

Para os seres humanos, os exemplos de “sistemas de funcionamento fixado” são da mesma forma abundantes:

Fácil de ver, como exemplo, naquela “mama” italiana que, com a vigilância que faz aos filhos, exige que todos comam o máximo do macarrão no almoço.

O pai japonês que ensina o filho a disciplinar as emoções, o homem árabe com a convivência masculina quase tribal, o homem distante e frio na Noruega com sua rara aproximação com os filhos e a esposa. O jovem rebelde que não aceita imposições e regras. 

Sistemas de funcionamento psicológico 

Quase toda família pode identificar aqueles seus parentes que agem intempestivamente, outros que gastam sem medida, os mal-humorados, os tímidos, os sedutores, os briguentos, os espertalhões e os “mãos-de-vaca”.

Somos todos supersticiosos. Quando ocorrem certos eventos, como ter uma boa colheita, o parto transcorrer normal, fazer uma boa viagem, seu time ganhar a partida, dizemos que tudo isso só foi possível devido a um acontecimento concomitante – foi a novena, a promessa, a vela que acendemos, a medalhinha que carregamos ou a camisa velha que usamos na partida de futebol do domingo passado. 

Sistemas de funcionamento cultural 

Aquele menino da roça mal fala com as visitas, esconde-se no seu canto quando chegam os estranhos e aprendeu com os adultos a não abrir a boca sem ser chamado.

Aquele velhinho que guarda todas as sobras – pode ser um parafuso velho, um prego torto ou uma dobradiça enferrujada – são objetos a que mais tarde ele vai dar uma nova utilidade.

Aquela crença de que os fenômenos da Natureza ocorrem por determinação divina – se morreu foi porque Deus quis assim; se abortou o filho, foi da vontade de Deus que isso acontecesse; se não chove, pede a Deus para mandar chuva.  

Uma palavra mais sobre Allan Kardec e Sigmund Freud 

O texto aqui escrito é fruto de estudos da neuropsicologia produzidos no meio acadêmico. A contribuição de Kardec e Freud, nessa área que discorremos, merece muito mais atenção.

Kardec descortina o mundo espiritual, estuda a existência dos Espíritos, sua relação e influência com o mundo corpóreo – destacando que esses Espíritos exercem uma forte interferência até mesmo em nossos pensamentos.

Freud criou a psicanálise como instrumento de estudo do inconsciente demonstrando  quanto nossa vida, nossos atos, nossas escolhas são dirigidas pelo nosso inconsciente.

Quando falamos, então, em sistemas de funcionamento da mente e nossas aptidões, os desencarnados e o inconsciente, invisíveis aos olhos físicos, são extremamente atuantes nos nossos comportamentos. Por causa disso, é preciso estudá-los com afinco.

O consolador – Ano 10 – N 492

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