Autora: Maria Dolores (espírito)
Escuta, alma querida!
Ante as perturbações e os empeços da vida,
Onde não possas ajudar
A dissipar a treva e extinguir o pesar,
Nada fales, em vão!…
Uma palavra, às vezes, tão-somente,
Na moldura de um gesto irreverente,
Basta para espancar o coração.
Se anotas sombra e dor, por onde jornadeias
Dá consolo e respeito às aflições alheias…
Tempo vai, tempo vem…
E assim como o carvão se faz diamante puro,
Na forja do destino, em louvor do futuro,
Todo o mal se converte em coluna do bem.
Usa o verbo, esparzindo novas luzes,
Não condenes, não firas, não acuses!…
Onde enxergares pedra, lodo, espinho,
Cobre de paz e amor as lutas do caminho.
Lembremos nossos erros, teus e meus!…
Todos sofremos provas, alma boa,
Trabalha, serve, ajuda, ama e abençoa
E encontrarás contigo a presença de Deus.
Notas
1 – Desde os tempos mais antigos, a poesia tem sido uma ponte entre a alma e o infinito. No Espiritismo, ela encontra um campo fértil para inspirar, consolar e iluminar consciências, expressando em versos sentimentos que muitas vezes escapam à linguagem comum. Seja pela sensibilidade dos poetas encarnados ou pelas mensagens de origem espiritual que marcaram a literatura espírita, a poesia continua sendo uma valiosa ferramenta de reflexão, beleza e elevação do pensamento.
2 – Do cap. 19 do livro Antologia da Espiritualidade, de Maria Dolores, psicografado pelo médium Francisco Cândido Xavier.


