Autor: Casimiro Cunha
Para quem viveu na Terra
Em meio dos sofredores
E somente frias dores
No mundo ingrato colheu,
O frio beijo da morte
É o beijo da liberdade,
É um raio de claridade
Que vem da altura do Céu.
A vida terrena é a noite
Que precede as madrugadas
Das regiões aureoladas
De amor, de verdade e luz:
Sem paradoxo, portanto,
O gozo é o próprio martírio,
Que se fez excelso lírio
Na devoção de Jesus.
A morte é a deusa celeste
Da vida, da plenitude,
Que a alegria da virtude
Faz, linda, desabrochar;
Seu beijo é um raio de luz
Do dealbar das alturas,
Que na noite de amarguras
As almas vem despertar.
Notas
1 – Desde os tempos mais antigos, a poesia tem sido uma ponte entre a alma e o infinito. No Espiritismo, ela encontra um campo fértil para inspirar, consolar e iluminar consciências, expressando em versos sentimentos que muitas vezes escapam à linguagem comum. Seja pela sensibilidade dos poetas encarnados ou pelas mensagens de origem espiritual que marcaram a literatura espírita, a poesia continua sendo uma valiosa ferramenta de reflexão, beleza e elevação do pensamento.
2 – O poema acima integra o Parnaso de Além-Túmulo, obra psicografada por Chico Xavier.


