Quando o jovem espírita se sente um “loser”

Autor: Cauê A. Sanchez

um olhar doutrinário sobre pertencimento e acolhimento

Nos últimos anos, tornou-se cada vez mais comum encontrar jovens espíritas que, embora mantenham sua fé e interesse pelos ensinamentos de Jesus, sentem-se deslocados dentro dos próprios espaços do movimento espírita.

São jovens que carregam dúvidas, possuem gostos culturais diversos, vivem desafios emocionais complexos e enxergam o mundo a partir de referências diferentes das gerações anteriores. Muitos deles amam o Espiritismo, mas nem sempre encontram ambientes onde possam expressar sua identidade sem medo de julgamento.

Essa realidade nos convida a uma reflexão importante: o que a Doutrina Espírita tem a nos ensinar sobre acolhimento, pertencimento e diversidade de experiências humanas?

A Individualidade Como Lei Divina

Uma das bases da Doutrina Espírita é o reconhecimento da individualidade do Espírito.

Em O Livro dos Espíritos, Allan Kardec demonstra que cada Espírito possui uma trajetória própria, construída ao longo de inúmeras existências. Embora todos caminhem em direção à perfeição, cada um o faz em ritmos, contextos e experiências diferentes.

Isso significa que a diversidade não é um erro do processo evolutivo.

Ela é parte do próprio projeto divino.

Pensar diferente, possuir interesses distintos, ter habilidades específicas ou enfrentar desafios particulares não torna ninguém menos digno de amor, respeito ou acolhimento.

Pelo contrário: são justamente essas diferenças que enriquecem a experiência coletiva da humanidade.

O Exemplo de Jesus

Ao analisarmos o Evangelho, percebemos que Jesus constantemente se aproximava daqueles que eram considerados inadequados pelos padrões de sua época.

  • Publicanos.
  • Samaritanos.
  • Mulheres marginalizadas.
  • Doentes.
  • Pessoas socialmente excluídas.

Enquanto muitos observavam defeitos, Jesus enxergava potencialidades.

Enquanto muitos julgavam, Ele acolhia.

O Cristo não criou grupos exclusivos para os considerados perfeitos. Sua mensagem destinava-se precisamente aos que sofriam, aos que buscavam sentido para a vida e aos que necessitavam de amparo moral.

Essa postura deveria inspirar profundamente as instituições espíritas contemporâneas.

O Risco da Uniformidade

Por vezes, sem perceber, podemos transmitir a ideia de que existe apenas uma forma legítima de ser jovem espírita.

Entretanto, a Doutrina Espírita não propõe uniformidade.

Ela propõe unidade de princípios.

  • É possível amar Jesus e gostar de cultura pop.
  • É possível estudar Kardec e apreciar tecnologia.
  • É possível viver a espiritualidade sem abrir mão da própria personalidade.

Quando confundimos valores morais com padrões culturais, corremos o risco de afastar justamente aqueles que mais necessitam de acolhimento.

A Juventude Como Espaço de Escuta

As mocidades e grupos de juventude não devem ser apenas locais de transmissão de conteúdo doutrinário.

Devem ser espaços de convivência fraterna.

Locais onde perguntas possam ser feitas sem medo.

Onde dúvidas possam ser acolhidas.

Onde o jovem seja visto antes de ser corrigido.

A pedagogia de Jesus não era baseada na imposição, mas no diálogo e no exemplo.

Por isso, uma juventude espírita verdadeiramente evangelizadora precisa aprender a ouvir tanto quanto ensina.

Diferente Não é Sinônimo de Equivocado

Em uma sociedade marcada pela busca de pertencimento, muitos jovens carregam o peso de não se encaixarem em determinados padrões.

  • Sentem-se invisíveis.
  • Sentem-se incompreendidos.
  • Sentem-se, por vezes, como os “losers” da música popular contemporânea.

No entanto, à luz da Doutrina Espírita, o valor de uma pessoa jamais pode ser medido pela aprovação social que recebe.

O Espírito é definido por suas potencialidades de crescimento, pela capacidade de amar e pela disposição de progredir.

  • Não pela popularidade.
  • Não pela aparência.
  • Não pelos rótulos que os outros lhe atribuem.

Conclusão

A juventude espírita do século XXI enfrenta desafios inéditos, mas continua carregando a mesma necessidade que sempre acompanhou o ser humano: ser vista, compreendida e amada.

Se desejamos construir um movimento espírita verdadeiramente fiel aos ensinamentos de Jesus, precisamos transformar nossos espaços em ambientes onde a diversidade humana seja acolhida com fraternidade e respeito.

Talvez alguns jovens ainda se sintam deslocados.

Talvez alguns ainda se sintam diferentes.

Mas o Espiritismo nos lembra que cada Espírito possui valor infinito diante de Deus.

E, diante do amor divino, não existem excluídos.

Existem apenas filhos e filhas de Deus em diferentes etapas da jornada evolutiva.

Como nos recorda Emmanuel:

“A maior caridade que podemos fazer pela Doutrina Espírita é a sua própria divulgação, vivida com amor.”

Que essa divulgação comece pelo acolhimento sincero de cada jovem que chega aos nossos grupos trazendo consigo suas dores, sonhos, dúvidas e potencialidades.

Porque, antes de sermos espíritas, somos irmãos. E antes de qualquer diferença, somos todos aprendizes do Cristo.

A IMPORTÂNCIA DOESTUDO E O LIVRO

Como aprender uma ciência sem realizar seu estudo profundo? Como realizar esse estudo profundo sem mergulhar na leitura dos livros que abordam essa ciência? Essas perguntas também se referem ao Espiritismo ou Doutrina Espírita, que é uma ciência e uma filosofia com vastas consequências morais, portanto, não se pode aprender o Espiritismo com leituras...

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