Autor: Nubor Orlando Facure
Insistentemente somos somos bombardeados por desafios das mais diversas procedências – internas e externas –: nossas contrariedades, nossas perdas afetivas, nossas doenças, o ambiente hostil, as palavras dos amigos que tentam nos corrigir, as críticas e o azedume dos inimigos.
Imediatamente o cérebro dispara os mecanismos de defesa:
Para manter a integridade do EU
Para sustentar a lealdade com as nossas crenças
Para manter elevada a nossa autoestima
Para confirmar nossa sensibilidade social.
A integridade do Eu
Diante de experiências amargas:
Cobranças, acusações, surpresas, o amigo que nos trai, a reprovação no concurso, o dinheiro perdido, a casa assaltada – em todas elas meu cérebro teima em resistir – mobilizo os mecanismos de defesa para manter a integridade do Eu – prevenindo-me da loucura.
A reação de cada um de nós costuma ser parecida:
Tomamos a decisão de esquecer os fatos. Vamos trocar ódio por amor, sujeira por ordem, crueldade por gentileza, exigências por submissão. É melhor nos isolarmos por um tempo. Que tal substituir dificuldades instransponíveis pela escalada de uma montanha? Podemos usar a fantasia da felicidade aparente. Podemos viajar nos nossos sonhos. Faremos tudo para não infantilizarmos nossas atitudes.
A lealdade com as nossas crenças
Cada um de nós se sustenta em crenças, às quais nos apegamos com unhas e dentes. Sem elas não encontraríamos razões que justificassem este mundo caótico e inseguro em que vivemos – mesmo quando as evidências sugerem o contrário – mantermos fidelidade às próprias crenças é menos opressivo:
Sempre que passo mal do estomago ou tenho minhas dores de cabeça eu confio mais num chazinho caseiro
Viajar de carro é muito mais seguro
Os políticos, além de não fazerem falta, estão sempre mentindo
A televisão só mostra porcaria
As escolas de hoje não ensinam como as de antigamente
Não fui aprovado pela empresa porque não tinha “padrinho”
Não continuei esse namoro porque não gosto de me apaixonar
Pelo que falam dela, a filha da vizinha só não é santa
Ele só te agrediu porque eu não estava lá
Meu cérebro é complacente e admite uma certa cumplicidade comigo ao adotar essas crenças – elas aliviam minhas angústias.
A presunção da autoestima
Errei grosseiramente – fui agressivo demais ao repreender uma funcionária – o pior é que todos viram o exagero – adeus, portanto, para a presunção – minha aura de bonzinho foi para o espaço. Meu cérebro mobiliza, correndo, mil justificativas. Estava preocupado com as contas do banco, com as notas da escola do filho, não sei como fui ficar tão nervoso por tão pouco – isso não é do meu feitio.
O que não posso é pedir desculpas – minha autoestima não permitiria. Humilhação demais eu nunca suportei:
Não fui ao casamento da prima Carol, afinal ela não me mandou convite
Não falei sobre minha cirurgia, afinal isso é assunto meu
Não farei discurso de despedida, afinal não gosto de me expor.
A sensibilidade social
Somos sensíveis ao apoio social. A interpretação que os amigos fazem de nós – garantindo aprovação ou reprovação – é indispensável para nossa vida mental.
Na escola compartilhamos as notas e reclamamos das exigências dos professores.
No trabalho dividimos tarefas e organizamos encontros.
Nas festas de família trocamos notícias e prometemos novos encontros.
No cenário político compartilhamos com o exagero dos impostos.
Na modernidade dos costumes ressaltamos o despreparo da juventude de hoje.
Dessa ou daquela maneira estamos, sempre, buscando apoio uns nos outros.
Lição de casa
“Teimosia e presunção” quando é no cérebro tem seu lado bom. Ele joga a nosso favor.




