Assuntos Diversos

Memórias

Autor: Luiz Trindade

Este mês, eu estava pensando em escrever a respeito das obras expostas no Ibirapuera. Discorrer sobre como, em sua magnitude e graça, elas trouxeram contribuições fundamentais à humanidade. Mostrar como seu legado revolucionou a maneira de pensar do Homo sapiens. Entretanto, isso não ocorrerá por dois motivos: eu ainda não tive a oportunidade de visitar as exposições do parque e uma edição do Jornal Nacional (Rede Globo) chamou minha atenção para outro fato de igual importância, a visita do Presidente dos EUA – George W. Bush – à América Latina.

Atenho-me a alguns fatos relevantes. Antes mesmo de ele sair de seu país natal, já havia, em todos os países pertencentes ao roteiro da visita, protestos de civis, seguidos de confrontos com a polícia, os quais resultaram em feridos de ambos os lados. Alguns dias depois, em São Paulo, um esquema de segurança absurdo foi montado pelos serviços de polícia dos dois países para que nada de mal acontecesse com o presidente que, aliás, foi o único que viu São Paulo com ruas sem trânsito. Após sua partida, mais manifestações nos países ainda não visitados.

Assim atento, perguntava a mim mesmo várias vezes a razão de tudo isso. Por qual motivo o presidente precisava desalojar tantas pessoas nos 50 km que o separavam do hotel onde ele e sua esposa ficariam menos de 24h? Vimos pessoas ficarem sem transporte público para voltar pra casa, tiveram seu dia de trabalho interrompido de alguma maneira por causa do presidente. O mais alarmante é que, por causa dessa mesma pessoa, muitas outras chegaram às raias da irracionalidade.  É que, durante a tarde, quando fui pagar umas contas de casa, vi, apreensivo, a manifestação se formando. Depois, as imagens chocantes na TV. Ainda não absorvi a ideia de que tudo isso aconteceu tão perto de onde eu estava.

Sobreleva em importância, para a harmonia mundial, a figura do estadista que praticamente lidera e conduz o mundo ocidental. Mal comparando, estima-se hoje como foi relevante para a humanidade o ato pelo qual o imperador Constantino, reconhecidamente ateu, acabou se permitindo compilar e dar a público a Bíblia Sagrada.

No caso em análise, desde que assumiu a presidência, G. W. Bush tomou uma postura menos flexível na defesa dos interesses do seu país. Como consequência, transformou-se na personificação da política estadunidense. Trazendo para um horizonte mais próximo a nós, peço que todos façamos uma reflexão sobre si mesmos. As atitudes que tomamos durante nossa vida constroem os laços entre nós e os demais, que permanecerão após nosso desencarne. Desta forma, tornamo-nos a personificação de nossos desejos, senão de nossos atos. Devemos atentar, e esta é a preocupação de quem tem a responsabilidade de interferir e até conduzir a política mundial, para qual tipo de política iremos adotar e, conseqüentemente, a maneira pela qual desejamos ser lembrados. Há, na história, inúmeros exemplos. Basta apenas escolher qual será sua inspiração. Porém, de alguma coisa se tem certeza, tudo afinal será levado à devida conta e importância na jornada de provas e expiação do crescimento moral individual e coletivo, mormente quanto mais elevado for o grau de poder e autoridade a quem se confiar o destino da humanidade.

Fala MEU! Edição 49, ano 2007
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