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Cobertura – COMECAP 2006

Autor: Thiago Rosa

Suor, muito suor!

Mesmo com o frio que congelava quando o vento parecia penetrar suas raízes por baixo de nossas roupas, no pátio da escola principalmente, uma corridinha a mais de um lado pro outro fazia uma gotícula de suor escorrer atrás da orelha.

Mas para chegarmos ao suor gratificante, temos que falar do conjunto todo que formou a 37ª edição da Confraternização das Mocidades Espíritas da Capital e Arredores 2006 (COMECAP), que ocorreu em 24 de setembro. Nem preciso dizer que aprendemos na prática durante todo o planejamento, organização e reuniões, aqui e acolá, o tema que foi proposto: Conviver e Melhorar. Foi a grande oportunidade de refletirmos sobre a convivência diante de tantas pessoas, ideias e pensamento diferentes. A melhora só seria oportunista diante desta situação.

Véspera – os preparativos

Sábado não poderia amanhecer melhor! Dia ensolarado com o sol reluzente no firmamento esquentando pernas, braços e todo o nosso corpo. O que nos passou pela cabeça era bem simples: – Vamos ter um dia maravilhoso amanhã.

Então, depois de uns sanduíches, mãos ao trabalho.  E é nestas horas que eu vejo como é duro limpar uma casa e dou mais valor para mamãe. Imagine você, por exemplo, varrer com mais seis amigos um pátio de um colégio que equivale cerca de 50 quartos iguais ao que você dorme. Depois ainda passar pano úmido nos mesmos 50 quartos. É muita coisa não? Sem contar as mais de 10 salas de aulas, banheiros, jardins, refeitório, corredores, palco, empilhar mais de 200 carteiras e ainda arrastar cerca de 250 cadeiras pesadas para o pátio central. Depois que fazemos tudo isso, é que vemos quanto vale o nosso suor. Isso tudo se chama empenho, que pode se resumir em vontade. Todos trabalhamos com o mesmo ideal, que não era nada mais do que fazer uma COMECAP agradável aos mais de 200 jovens participantes. E ainda vinha mais, muito mais…

Além de corrermos atrás durante a noite para comprarmos cerca de 54kg de frango, a madrugada ainda ia nos brindar com muito serviço no Centro Espírita Auta de Souza, em Santana, muito próximo a escola sede do evento, praticamente dois quarteirões de diferença. Papéis para cortar, apostilas para organizar, bexigas para encher, batatas para descascar e muita coisa para cozinhar. Até hoje imagino como aquele povo da cozinha trabalhou. Sem contar o sono perdido tomado pelo fogão. Para você ver que organizar um evento como este não é nada fácil. E tudo estava só no começo.

O dia – tudo pronto

Garoa fina e vento gelado. Ah, o dia não poderia amanhecer pior. O nosso pensamento de um domingo ensolarado descortinava agora um céu repleto de nuvens que fazia o tempo branquear e o frio arrepiar os pêlos que estavam expostos.

Mas nada como um cafezinho quente, um chá com bolachas para começar o encontro, ou mesmo um leite quente, ou melhor, um banho de leite quente. Enquanto os jovens se agrupavam na escola para conversar e saborear um pouco o café da manhã com frutas, eu e o monitor Leonardo tomávamos um banho saboroso de leite quentinho durante o trajeto da cozinha (dois quarteirões de distância) até o refeitório do colégio. Mas acredito que tudo não passou de sorte.

Após discurso do Rodrigo Prado, que está à frente do DM, e umas palavras do Marçal, responsável pela parte doutrinária do evento, juntamente com a menção da Suzete, que é presidenta da USE Regional São Paulo, as portas esperançosas da COMECAP davam por abertas. Cada dupla, ou trio, de monitores eram seguidos por seus pupilos jovens participantes até a porta de uma das 10 salas usadas para discussão do tema.

É importante ressaltar que pela primeira vez o evento dedicou fichas exclusivas para pré-mocidades que quisessem participar, com sala especial para os mesmos. E posso dizer que foi engraçado ver os jovens todos tendo os olhos vendados por uma tira de TNT preta antes de entrarem na sala, onde iriam dar início a primeira dinâmica e abertura do tema com o primeiro módulo.

Mas fazer parte dos bastidores de todo o evento não é tão simples assim. O trabalho empenhado de cada trabalhador que se doou durante todo o período do evento não deixa de ser desgastante, apesar de compensador. Além da primeira pausa do estudo, tem toda a organização do almoço, observar cada jovem, preparar e recepcionar os grupos responsáveis pela parte artística, não parar de limpar o que é sujo, e correr contra o relógio a todo tempo para não fugir nada do tempo previsto, para que tudo saia como planejado e não tenhamos nenhuma perda. No âmbito geral, incluindo o frango delicioso do almoço, para os carnívoros, e o brócolis ao molho branco para os vegetarianos, onde tive oportunidade de experimentar os dois, com toda a estrutura que preparamos, podemos dizer que o evento foi muito proveitoso e saiu tudo certo, mesmo com uns tropeços aqui ou ali. Também se não tropeçássemos em nada, aí que poderia dizer que a COMECAP foi tão fria como o dia nos apresentava.

Aprender a ser, a conhecer e a conviver…

As mídias televisivas e irradiantes estavam nos acobertando. Enquanto a voz do Franklin Felix e da Dani nos prestigiava no programa Juventude Maior na Rádio Boa Nova, que tentamos inclusive, sem sucesso, entrar ao vivo, a TV Mundo Maior esteve presente para filmar e fazer entrevista com nossos dirigentes responsáveis pelo evento.

Toda esta cobertura e organização não têm sentido algum se não tivermos um objetivo e, com isso, conseguirmos obter um resultado. Desta forma o tema central “Conviver & Melhorar” foi separado em três módulos: “Aprender a Ser”, “Aprender a Conhecer” e por fim “Aprender a Conviver”.

A dinâmica inicial fez com que os jovens se apresentassem a si mesmos, com reflexão e uma viagem flutuante aos seus sentimentos mais íntimos; a busca e reconhecimento de si mesmo, com apresentação aos demais amigos, de olhos vendados, o seu “ser” como sentimento.

O segundo módulo falou de alteridade, tudo haver com aprender a conhecer. Saber conhecer o outro sem imaginar ou ter em mente um estereótipo já definido; saber conhecer o diferente e lidar com isso; saber compreender aquilo que é diferente pra você.

A terceira parte, que ocorreu após o almoço, foi de livre e espontânea vontade. Isso mesmo! Exceto ficar sem fazer nada, os jovens puderam escolher a sala que iriam ficar, conforme os limites propostos de participantes por sala, de acordo com a ordem de escolha. Durante a primeira pausa da manhã e parte do almoço, o pessoal pode escolher entre sete temas a serem discutidos no terceiro módulo, e todos envolvidos no assunto “Aprender a Conviver”. A organização do evento convidou pessoas que estão ligadas diretamente com o convívio de pessoas diferentes do seu comum. Vejam quais eram os temas e salas optativas de discussão: O que é o Islamismo?, Alcoólicos Anônimos, Grupo de Auxílio à Família (AUFA), Canto Cidadão, Visitas a Febem e Penitenciárias, Orfanato Favos de Luz, e Centro de Apoio Psicoeducacional Esperança. Todos os temas foram ministrados por pessoas que fazem parte destes projetos sociais ou que estão envolvidas inteiramente com o tema proposto. Menos o tema do Islamismo, com participação exclusiva de um Sheik, e o Alcoólicos Anônimos, que teve um tempo maior, quem escolheu os demais tiveram a oportunidade de participar de dois temas. No final, com a formação inicial e as pessoas retomando as suas salas, os monitores contaram com mais 15 minutos para fazer o fechamento do 3º e último módulo.

O sol, que já tinha sido encoberto durante todo o dia, já não aparecia mais quando reunimos todos no pátio central para o encerramento de mais um evento da COMECAP. O que mais esperamos é que os jovens comecem a refletir mais sobre este tema tão oportunista que é o Convívio. A melhora, sabemos nós, é fruto desta convivência que lidamos diariamente. Ah, e a prova já tivemos logo no fim em arrumar toda a escola de acordo como a encontramos no início. Saldo final: acho que emagreci algumas gramas. Mas sei que o chocolate no dia seguinte já deixou tudo como era antes. Mas como é difícil conviver, ah se é!

Fala MEU! Edição 43, ano 2006

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