Opinião

Violência juvenil

Autor: Pedro Vilatti

Como esse é o meu primeiro (e espero que não seja o único) artigo, eu gostaria de iniciar com um agradecimento pela oportunidade e com uma revelação. Já escrevo tem algum tempo para outras publicações, no entanto, nenhuma voltada para o jovem, o que me causava certa frustração. O jovem é o futuro em curto prazo da humanidade, a juventude é o horizonte do futuro que os olhos já podem alcançar. Portanto, muito trabalho nos é reservado se quisermos manter em nossas mãos a chama da esperança e colhermos no futuro os louros de uma geração, não apenas renovada, mas também formadora, inovadora e principalmente transformadora.

No entanto, o nosso artigo de hoje nos remete a um assunto um tanto pesado, o qual causa a preocupação em todas as idades, a violência juvenil. Não comentarei a questão das políticas públicas, o meu público alvo são os jovens e não os políticos, portanto não convém entrar nesse mérito.

A grande maioria de nós tem a violência latente dentro de nós, devido ao passado delituoso e muitas vezes violento. Lembremo-nos que não importa se somos crianças, jovens, adultos ou idosos, todos somos espíritos em um mundo de provas e expiações, portanto, com nossas dificuldades. No entanto, no jovem, devido a explosão de sentimentos e a vitalidade, o descambar da violência é muito mais facilitado. Como controlar, ou melhor, canalizar esse ímpeto juvenil? Bem, na verdade o processo educativo não é feito num estalar de dedos, como um passe de mágica, ele está muito mais para a confecção de um bolo, feito com os ingredientes certos, na quantidade certa e construído em camadas. Analisemos tais ingredientes:

Afetividade – Toda criança precisa de atenção dos pais ou dos responsáveis, a falta da mesma causa irremediavelmente uma crise de afetividade, na qual pode desembocar em duas possibilidades: Um adolescente altamente emotivo, no qual se deprime ou emociona-se por qualquer motivo, como se a ausência da afetividade tivesse-lhe deixado lacunas no desenvolvimento da maturidade sentimental. A consequência disto é clara hoje em dia. Vocês conhecem algum (a) jovem que conhece alguém e dentro de uma semana tem a certeza de ser a pessoa certa de ficar o resto da vida, se diz apaixonado e capaz de fazer qualquer coisa por ela?

Essa falta de maturidade sentimental é uma consequência da falta de atenção e afetividade na infância, entrega-se em sentimentos impondo ao outro a responsabilidade de fazê-lo(a) feliz. Como que procurando fora de casa o que não encontra dentro da mesma. As consequências podem ser onerosas para o futuro e marcar pelo resto da vida, tal como gravidez na adolescência.

No que tange a falta de afetividade, temos ainda outra consequência, muito mais perigosa: A formação de um ser sem desenvolvimento sentimental, que aliado a um condicionamento mental, tal como games violentos, e um processo de obsessão podem levar a uma tragédia, vide o casos como Columbine e este mais recente na Alemanha.

Façamos uma reflexão interior sincera, como gostaríamos que fosse a nossa relação paterna, e lutar por esta. Se não tivermos os pais mais atenciosos e amáveis, e sabemos que estes existem e nos causam dificuldades, deixemos que a lei divina dê-lhes a consciência de tais erros, mas não nos comprometamos como filhos, não se permitam embarcar em inconsequências por conta de erros alheios. A nós cabe a paciência, resignação e a torcida, em forma de oração e exemplo, para a reflexão dos atos paternos.

Educação baseada no exemplo – Acredito que a palavra que deixe um adolescente indignado seja o “não”, o mesmo caso acontece com os pais quando escutam um “por quê”. As vezes, um “não” explicado é necessário, somos seres imediatistas, gostaríamos de tudo na hora. A ausência do necessário “não” deixa de desenvolver no ser a noção de limite. Como consequência temos adolescentes sem limites. Sabe aquele amigo que faz as brincadeiras mais pesadas e não sabe a hora de parar? Ou aqueles consumistas compulsivos que não pensam antes de comprar ou comer? Precisavam ter escutados alguns “nãos” na infância. Culpa deles? Não totalmente, foram vítimas de um processo educativo falho e sem o bom exemplo dos pais. A criança sabe perfeitamente detectar incoerências entre o que lhe é falado e exemplificado, certamente a lição através do exemplo é bem mais eficaz.

Instrução – Como sermos adultos completos e conscientes sem instrução? Se tivermos a oportunidade da instrução, o que é uma benção nos dias de hoje, que possamos agarrá-la como a um salva-vidas. Um jovem sem instrução será fatalmente um adulto incompleto ou joguete da indolência e vida fácil, porém sem perspectivas maiores, deixando passar parte do comprometimento missionário assumido antes de nascer, como forma de aprendizado ou ressarcimento de erros do passado. Esquecemos que somos espíritos reencarnacionistas? Será que o aprendizado ou a instrução esta fora do escopo da evolução espiritual de cada um? Estou certo que não. Aquele que desenvolve a potencialidade e responsabilidade do conhecimento terá no mínimo portas abertas e oportunidades de alçar outros campos de trabalho e possibilidades que apenas a instrução permite. Valorizemos as oportunidades instrutivas, elas são dádivas de Deus, tenhamos a certeza de que seremos cobrados por todas as nossas escolhas, e a nossa decisão no tocante a oportunidade instrutiva está entre tais escolhas.

Não é por que somos jovens, que podemos desperdiçar o nosso tempo, após certa idade, todos perceberemos que 1 ano de vida é tempo suficiente para muitas realizações individuais.

Maturidade: Após certo tempo, perdemos um pouco a dependência paternal, na questão do sentimento. É como se começássemos a enxergar o mundo com os nossos olhos, baseado na educação que recebemos e também nos nossos valores adquiridos ao longo de nossas existências. De nada adianta nos fixarmos em erros da nossa criação, se não temos os pais perfeitos, também não somos os filhos perfeitos. Nesse momento a maturidade entra em ação, como que a corrigir erros da educação recebida. No entanto, se a maturidade não entra em cena, a revolta a faz as vezes. Não lembro termos conseguido algo consistente e justo, baseado na história, através da revolta. As manifestações que nos garantiram os reais e duradouros ganhos vieram da aplicação consciente da força, vide Ghandi, e não da aplicação descontrolada da energia, que é a revolta. O mecanismo de funcionamento de uma hidroelétrica é o perfeito exemplo de aplicação organizada de força e dos benefícios que a mesma nos traz. Um tsunami é o mecanismo descontrolado da mesma força. Esta é a analogia que nos faz entender os efeitos de uma revolta em nós e nos outros.

O arremate do bolo, ou seja, a cobertura, quem coloca somos nós através do senso de maturidade e do livre arbítrio. Por melhor que seja a cobertura, não esperemos o melhor bolo do mundo sem os ingredientes apropriados o mesmo acontece se forem utilizados os melhores ingredientes e cobertura não for a ideal.

Esforcemos-nos por colocar uma cereja em nossa cobertura, e não uma azeitona!

Espero que esse papo tenha dado apenas fome de reflexão…

Fala MEU! Edição 73, ano 2009
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