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A educação e o gosto pela leitura

Autor: Marcus De Mario

A pesquisa Retratos da Leitura no Brasil, do Instituto Pró-Livro, com dados de 2012, mostra que os brasileiros leem em média 0,82 livro inteiro por trimestre, ou seja, em um ano, nada mais do que três livros. Já a Federação do Comércio do Rio de Janeiro, em outra pesquisa, constatou que sete em cada dez pessoas não leram um livro sequer no ano de 2013. Você ficou preocupado? Pois saiba que ainda não é tudo.

O Indicador de Analfabetismo Funcional – Inaf, divulgado este ano, revela que apenas 8% dos brasileiros entre 15 e 64 anos são alfabetizados proficientes. Explicando: somente essa minoria consegue opinar sobre o que lê, consegue debater sobre o posicionamento do autor do texto ou sobre o seu estilo literário. E agora, ficou impressionado? Se você faz parte dessa família, sinta-se um privilegiado.

Essas pesquisas atestam o que vivenciamos no cotidiano, quando reunimos pessoas, sejam alunos na escola, ou um grupo de adultos, para leitura de um livro, ou de um texto qualquer. É notória a dificuldade que elas têm com vírgulas, exclamações, interrogações e parágrafos, acrescido isso do desconhecimento sobre a pronúncia e o significado de palavras.

O problema está instalado nas famílias, onde o livro e a leitura não são prioridades para a maioria, e se estende para a escola, pois segundo o Censo Escolar de 2014, apenas 36% têm biblioteca e 21% possuem sala de leitura, e mesmo assim parte dessas escolas, digamos privilegiadas, nem sempre fazem um bom trabalho pedagógico de incentivo à leitura.

Quem não lê livro também não lê jornal, revista e nenhum outro texto mais complexo, mais longo, preferindo as pílulas do mundo digital, onde textos acima de 140 palavras são considerados exagerados por muitas redes sociais e mesmo por agências noticiosas. Vive-se num mundo de poucas palavras, num universo restrito da rica língua portuguesa.

Mas nem tudo está perdido. Trabalhos pedagógicos muito bem-feitos estão dando excelentes resultados e transformando essa realidade, como, por exemplo, as da EMEF Célia Regina Andery Braga, no bairro de Cidade Tiradentes, zona leste de São Paulo, e também o trabalho realizado pela Secretaria de Educação de Ponta Grossa, a pouco mais de 100 Km de Curitiba, orientando os gestores das 120 unidades de ensino na implantação ou melhoria dos espaços de leitura. Você pode se inteirar dessas iniciativas no site da revista Nova Escola.

É certo que quando a escola trabalha a biblioteca, a contação de histórias, a leitura dramatizada, a troca de livros e outras atividades relacionadas, o universo escolar se modifica e os alunos, antes rebeldes ou indiferentes, se apaixonam pela leitura e levam essa paixão para os pais e a comunidade em que vivem. 

E talvez sonhem como sonha João Carlos de Almeida Lima, 8 anos, aluno do 3º ano do ensino fundamental, quanto ao seu futuro: “Ser quem escreve livros”.

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