Autora: Teresinha Olivier
As mulheres do tempo de Jesus eram desvalorizadas, tratadas quase sempre como mercadorias de troca pelos pais e criadas unicamente para conseguir um casamento e cuidar das tarefas domésticas. Tinham o mesmo valor que um escravo ou uma criança.
Para uma família judaica, naqueles tempos, o nascimento de um homem era motivo de alegria, e os próprios homens tinham uma reza matinal, agradecendo a Deus sua masculinidade.
“Bendito sejas Tu, eterno Deus do Céu, que não me fizeste mulher”
A mulher era não mais que um objeto pertencente ao marido, como seus servos, suas propriedades e demais posses. Ele podia rejeitá-la por qualquer motivo.
E, por princípio, a mulher era considerada como naturalmente infiel, desvirtuada e falsa. Por esta razão, sua palavra diante de um juiz não tinha praticamente valor algum.
Até na esfera espiritual a mulher era considerada desigual, e para ela era reservado um local à parte no templo, separada dos homens.
Paulo em 1 Coríntios 14:34 e 35:
“Permaneçam as mulheres em silêncio nas igrejas, pois não lhes é permitido falar; antes permaneçam em submissão, como diz a Lei.
Se quiserem aprender alguma coisa, que perguntem a seus maridos em casa, pois é vergonhoso uma mulher falar na Igreja.”
No auge do desrespeito à mulher, houve até uma assembleia de bispos, na Gália, em 585, com a pretensão de resolver uma inquietante questão: A mulher tem ou não alma?
Jesus mostrou um comportamento bastante diferente com relação às mulheres. No grupo que o seguia, havia um número expressivo de mulheres, o que era um fato excepcional naquela época, pois as mulheres não podiam participar da vida social de maneira ativa. Jesus as tratava em pé de igualdade com os homens.
Independente da condição sexual, Jesus mostra que para Deus todos são igualmente importantes. Que as separações era coisa dos homens e não da lei de Deus. Isso, inclusive, provocava comentários até mesmo entre os discípulos ainda presos aos preconceitos do seu povo.
Na passagem “Jesus e a mulher samaritana”, o Mestre quebra alguns preconceitos:
Dirige-se a uma mulher que estava sozinha, o que era visto como um desrespeito à lei; ele, um judeu, se dirigindo a uma samaritana, sendo que os samaritanos eram tremendamente desprezados pelos judeus; passou ensinamentos para ela, sendo que também isso estava contra os costumes preconceituosos da época.
Mostrou, assim agindo, que toda mulher deve ser respeitada e valorizada, não importando a condição, a religião, nacionalidade e que todo preconceito deve ser combatido.
No caso da mulher que foi pega em adultério, que Jesus não condenou, mas aconselhou amorosamente, rompe com um costume bastante enraizado na cultura judaica, onde só a mulher era penalizada. Onde estava o homem que adulterou com ela? Nem foi citado.
E temos a figura de Maria Madalena tida por muitos séculos como uma prostituta que foi tocada pelos ensinamentos de Jesus e se arrependeu dos seus pecados. Isso foi o que a igreja divulgou sobre ela por séculos. O Evangelho não diz que ela era prostituta e sim que ela estava sendo obsediada por vários espíritos e que Jesus a curou dessa obsessão.
Os Evangelhos considerados apócrifos, encontrados em meados do século 20, que haviam sido condenados pela igreja, mostra Maria Madalena não como prostituta, mas sim como uma discípula que ocupava uma posição semelhante à dos apóstolos Pedro, João e todos os demais.
Esses textos atestam a importância de Maria Madalena e as suas conversas com Jesus.
Nesses textos, Madalena é mostrada como uma mulher lúcida, audaciosa e inteligente, como discípula preferida do Mestre e que que conhecia seus mais profundos ensinamentos. A posição de destaque de Madalena provocou ciúmes entre os homens que seguiam Jesus.
Quando Jesus foi preso e crucificado, os apóstolos se esconderam, Pedro negou por três vezes conhecer o Cristo. Na colina, aos pés da cruz, somente ficaram até o fim Maria, a mãe de Jesus, sua irmã Maria esposa de Cleopas, Maria Madalena e o apóstolo João, que mantiveram-se vigilantes.
Os discípulos ficaram amedrontados e desanimados e foi Maria Madalena que, com palavras de ânimo, os estimulou a darem continuidade à missão da divulgação dos ensinamentos do Mestre.
A igualdade é uma lei natural. Com a Doutrina Espírita, a igualdade da mulher não é mais uma simples teoria; é um direito fundado nas mesmas leis da natureza, a lei de igualdade e de fraternidade.
O Espiritismo começou pelo intermédio de mulheres. Foi por meio de jovens mulheres, as irmãs Fox, as irmãs Baudin e Ermance Dufaux. Foi através dessas jovens mulheres que os espíritos responderam a Kardec.
Ainda há um longo caminho para a humanidade compreender que o espírito é tudo e a matéria é um estado transitório.
Ainda há muitas desigualdades entre os homens, muitos preconceitos e a violência contra a mulher, infelizmente, é uma realidade em nosso mundo.
A lei de igualdade vai superar as diferenças com o tempo. Gradativamente, os homens irão compreendendo que, espiritualmente falando, não há brancos, negros ou vermelhos; não somos homens, mulheres, crianças ou velhos. Somos espíritos imortais, reencarnados em evolução e todos estamos juntos para evoluirmos juntos.
E, sem exceção, fomos todos criados para sermos espíritos perfeitos e felizes um dia.



