Até que ponto os espíritos nos influenciam?

Autora: Teresinha Olivier

Aprendemos com o Espiritismo que os espíritos estão por toda a parte. O mundo espiritual não fica lá em cima, nem embaixo. O mundo espiritual nos rodeia, os espíritos estão em torno de nós.

Podem ver o que estamos fazendo e, até mesmo, o que estamos pensando. Podem ter acesso aos nossos pensamentos mais íntimos.

Mas então não temos nenhuma privacidade? Eles têm acesso a tudo na nossa vida? Até que ponto? Como fica a nossa intimidade?

Vemos na questão 459 de O Livro dos Espíritos:

Os Espíritos têm influência sobre nossos pensamentos e ações?

“Em relação a isso, a sua influência é bem maior do que imaginam, porque muitas vezes são eles que os dirigem.”

Diante dessa resposta, podemos pensar: então somos marionetes? Bonecos dirigidos pelos espíritos? E a nossa autonomia, como fica? Não temos livre-arbítrio?

São questionamentos que precisamos fazer e refletir sobre o que os espíritos ensinam.

Nós somos espíritos e estamos sempre pensando. Nós temos os nossos próprios pensamentos e temos pensamentos que nos são sugeridos, sem que percebamos.

Muitos pensamentos que achamos que são nossos, são pensamentos de desencarnados que estão ao nosso redor e que desejam nos influenciar de alguma forma, com alguma intenção.

Podemos ser influenciados por espíritos de várias categorias, desde os bons até os mais atrasados e temos dificuldade de distinguir qual ideia é nossa e qual não é.

Os espíritos superiores nos ensinam que mais importante que saber se os pensamentos são nossos ou não, é distinguir entre eles quais são para o bem e quais são para o mal.

Muitas vezes, é melhor não saber se os pensamentos são nossos ou não, assim agimos com mais liberdade.

Frequentemente são pensamentos contraditórios sobre o mesmo assunto e ficamos na dúvida de qual caminho seguir.

É aí que entra o nosso livre-arbítrio, a nossa vontade, a nossa decisão, nosso discernimento para avaliar quais levam para o que é nobre, digno e elevado e quais levam para o erro, para a inferioridade, para a indignidade.

É assim que Deus deixa à nossa consciência a escolha do caminho a seguir e a liberdade de ceder a uma ou outra das influências contrárias que se exerçam sobre nós.

Se decidirmos pelo bem, o mérito é nosso; se optarmos pelo mau conselho, a responsabilidade é nossa.

É a constatação de que não somos joguetes da vontade dos espíritos. Somos seres autônomos. Somos joguetes, marionetes, quando não usamos o nosso discernimento para escolher e agir, quando apenas nos deixamos levar para o lado mais fácil.

Temos livre-arbítrio e precisamos usar do nosso discernimento e não simplesmente nos deixar levar por alguma ideia, seja de quem for, sem refletir.

Os espíritos podem nos inspirar ideias, mas não podem interferir no nosso livre-arbítrio. A não ser nos casos gravíssimos de obsessão.

As inspirações dos bons espíritos são sempre voltadas para o bem geral. As dos maus sempre procuram nos levar para o mau caminho, para a perturbação, para o desequilíbrio.

Por isso, quando estamos em dúvida sobre qual pensamento seguir, analisar: qual deles me leva para cima e qual me puxa para baixo?

Vejamos a questão 466 de O Livro dos Espíritos:

Por que Deus permite que os Espíritos nos induzam ao mal?

Será que a influência dos espíritos sobre nós depende da vontade de Deus? Ou da nossa? É Deus que permite, ou nós que permitimos?

Os espíritos inferiores são atraídos pelas imperfeições morais que o homem cultiva dentro de si. É a lei de sintonia.

Eles se associam ao mal que o homem já tem desejo de cometer. Mal de qualquer grau, desde os mais graves até os menores, os mais simples.

Se o homem tem em si a tendência para o roubo, por exemplo, ele vai atrair espíritos com a mesma tendência que vão incentivá-lo nisso e vão potencializar essa tendência dentro dele.

Se a tendência é para a mentira, para os vícios, para a desonestidade, acontece a mesma coisa.

Mas também ele terá outros tentando influenciá-lo a não praticar aquele ato. Porque todos têm espíritos protetores e amigos que querem o seu bem.

É o equilíbrio da balança.

É então que o homem vai exercer seu livre-arbítrio, vai decidir por si mesmo. Só assim ele evolui. Se ele fosse um boneco guiado, não evoluiria.

Além de respeitar a nossa privacidade, a missão dos espíritos superiores é sempre o de colocar o homem no bom caminho, no caminho do progresso moral e intelectual.

Quando usamos o nosso raciocínio, nosso discernimento, a autoanálise com frequência e vamos aprendendo a rejeitar as más influências, vamos afastando gradativamente os maus espíritos, que vão perdendo a sintonia conosco, e vamos atraindo cada vez mais os bons, que querem o nosso bem.

É uma questão de sintonia, não podemos nos esquecer disso.

Vai chegar um momento em que os maus espíritos desistem, porque percebem que não têm mais influência sobre nós.

Mas precisamos sempre estarmos vigilantes, porque não somos perfeitos e podemos cair novamente em maus pensamentos.

O que vai acontecer com esses espíritos que induzem o homem ao mal?

São espíritos que estão momentaneamente no caminho do mal, mas, como todos nós, também terão oportunidades de aprender com as consequências dos seus erros, estão num processo evolutivo, como nós. Também têm seus protetores e um dia, saberão ouvi-los. Ninguém está desamparado.

O homem se livra da influência dos maus espíritos:

Pela prática do bem, que é a benevolência para com todos;

pela confiança nas leis divinas, compreendendo que os desafios da vida não são castigos, mas oportunidades de aprendizado e de crescimento;

pela vigilância dos pensamentos e sentimentos, atraindo assim a influência dos bons espíritos;

tendo sempre em mente que está aqui, encarnado na Terra, para trabalhar sua evolução e para auxiliar o seu próximo também a crescer e evoluir.

Estamos aqui encarnados para vencermos as tendências negativas que cultivamos em muitas encarnações e para desenvolvermos qualidades morais e intelectuais que nos farão subir na escala evolutiva.

Mas sempre usando nossa vontade, nosso discernimento, nosso empenho em aprender e em crescer. Nunca é demais repetir isso.

Somos seres pensantes com vontade própria. Somos os seres inteligentes da criação. Não podemos esquecer isso.

ESPÍRITOS EM ERRATICIDADE - PRINCÍPIO ESPÍRITA E GRANDE DIFERENCIAL

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