Criatividade e criticidade

Autor: Marcus De Mario

Desde a metade do século dezenove a doutrina espírita propõe um ensino libertador das consciências, numa concepção que o educando, seja criança, jovem ou adulto, é um espírito imortal reencarnado, portanto, possuidor de extensa bagagem de conhecimentos e experiências que ficam em estado latente em sua personalidade, o que não pode ser ignorado no processo educacional. Muito além de levar em consideração as forças sociais diversas que atuam sobre ele, a doutrina espírita elege a reencarnação e a realidade espiritual da vida como elementos da máxima importância na interação educador/educando, revolucionando o processo ensino-aprendizagem.

Até o final da década de 1980 ainda tínhamos um pensamento educacional de que o educando somente aprendia através do saber do educador, e o processo ensino-aprendizagem ficava tolhido a exercícios repetitivos, memorização de conteúdos, provas de avaliação, notas excludentes, currículo fechado, carteiras enfileiradas em sala de aula, advertências, punições e assim por diante. Isso porque a grande maioria dos professores brasileiros não conhecia as pesquisas sobre o desenvolvimento psicogenético da criança, e também pelo fato dos princípios espíritas não serem levados em conta quando se tratava da educação.

Hoje o quadro é diferente. Repetir o passado é continuar na mesmice e dar corda ao fracasso escolar, o que é inadmissível. Não levar em conta o espírito imortal em processo evolutivo rumo à perfeição é ignorar uma realidade e privar o educando do que ele tem de mais sagrado: o potencial divino em desenvolvimento.

O Espiritismo, bem compreendido e aplicado, desamarra o homem de pensamentos preconceituosos e mesquinhos, libertando-o de um passado muitas vezes obscuro (entenda-se aqui as vidas pretéritas). O Espiritismo favorece uma ação educacional ligada ao desenvolvimento integral da criança e do jovem, ou seja, tanto do potencial cognitivo (intelectual), quanto do potencial emocional (afetivo), e ainda levando em conta a interação entre os dois planos principais da vida: o espiritual e o material.

A visão de ser e de mundo propiciada pelo Espiritismo assegura uma ação pedagógica desenvolvedora da criatividade e do pensamento crítico, o que é imprescindível para que esse espírito possa agir socialmente com equilíbrio, vencendo as barreiras criadas pela própria sociedade humana, e sendo agente transformador da mesma.

Além de trazer de forma latente em seu psiquismo as experiências e aquisições realizadas nas vidas passadas, o espírito molda sua atual personalidade com base nas tendências de caráter e nas ideias inatas que possui, influenciadas pelo estágio que recentemente realizou no mundo espiritual, onde adquiriu mais outras experiências e teve oportunidade de desenvolver outras habilidades. Nada disso pode ser ignorado pela educação, que deve ser libertadora das consciências porque todo espírito tem uma missão a cumprir no planeta, e somente ele pode cumpri-la, seja de caráter individual ou coletivo, de maior ou menor amplitude.

Ter espaço para colocar o potencial criativo para fora, ao mesmo tempo em que aprende a desenvolver o senso crítico, é o que o processo educacional deve lhe fornecer, e isso não será alcançado se continuarmos a dar aula nos moldes tradicionais, onde o professor destila o conhecimento e o aluno apenas recebe, numa tentativa muitas vezes mal sucedida de absorvê-los, quanto mais de vivenciá-los.

Não esqueçamos que a evangelização espírita infantojuvenil praticada nos Centros Espíritas está igualmente no contexto da educação do espírito. Os Centros Espíritas precisam, se já não o fazem, priorizar esse serviço, formando evangelizadores nessa proposta dinâmica do educar, e adaptando suas dependências físicas para que educadores e educandos tenham espaços estimuladores para o desenvolvimento do senso moral, da vivência das lições cristãs. Improvisação não deve rimar com educação.

Estamos diante do tempo em que o planeta caminha a passos mais largos para mundo de regeneração. Temos muito a fazer, é verdade, pois o bem ainda não predomina, mas o alvorecer de uma nova era se anuncia, solicitando nossa decisiva colaboração na regeneração moral da humanidade, por isso a chamada para uma educação que permita o desenvolvimento da criatividade e do pensamento crítico, pois em não sendo assim, o processo de transformação planetária será mais lento do que deseja Deus, que aguarda que seus filhos façam, em definitivo, a sua parte na obra da criação universal.

A IMPORTÂNCIA DOESTUDO E O LIVRO

Como aprender uma ciência sem realizar seu estudo profundo? Como realizar esse estudo profundo sem mergulhar na leitura dos livros que abordam essa ciência? Essas perguntas também se referem ao Espiritismo ou Doutrina Espírita, que é uma ciência e uma filosofia com vastas consequências morais, portanto, não se pode aprender o Espiritismo com leituras...

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