Igualdade, liberdade e fraternidade

Autora: Cristina Sarraf

A Constituição brasileira, no capítulo do direitos e garantias individuais, diz que: 

I – Todos são iguais perante a lei, sem distinção de qualquer natureza, garantindo-se aos brasileiros e aos estrangeiros residentes no País, a inviolabilidade do direito à vida, à liberdade, à igualdade, à segurança e à propriedade, nos termos seguintes… 

E diz que: 

X – São invioláveis a intimidade, a vida privada, a honra e a imagem das pessoas, assegurado o direito a indenização pelo dano material ou moral decorrente de sua violação.

O Espiritismo ensina que todos somos Espíritos individualizados, criados idênticos: simples e ignorantes e com potencialidades iguais. Tivemos, temos e teremos as mesmas oportunidades e possibilidades, dada a justeza das leis divinas, não havendo privilegiados ou prejudicados.  Tendo sido criados simples e ignorantes, o progredir é a meta de todos, independentemente de quanto demore ou que rumo cada um siga, porque diante de Deus, todos são absolutamente iguais e têm a mesmíssima importância.

A ninguém é dado dominar outro e a ninguém é exigido que se submeta, no aspecto que for, e deixe de ser si mesmo, pois cada um pertence a si.

A individualidade de cada um se aprimora e especifica no decorrer das múltiplas encarnações, ou seja, vidas com novos corpos, para novas experiências, nas quais desenvolvemos potenciais latentes, intelectual e moralmente, firmando e especificando nossa individualidade e as diferenças naturais e pessoais. Não temos que ser cópias uns dos outros. (LE – 114 a 127)

O Espiritismo é composto e caracterizado por uma série de princípios ou idéias básicas: Deus, imortalidade, reencarnação e evolução dos Espíritos, arbítrio livre, responsabilidade pelos atos, ação sobre a matéria fluídica influências dos desencarnados…

Arbítrio é a capacidade de cada um decidir sobre sua vida, como queira e possa, sendo, até pela constituição brasileira, inviolável essa decisão, seja qual for, no campo que for, desde que não fira o direito alheio, pois todos tem direitos iguais. Posições sociais, religiosas, posses, cargos não fazem de uma pessoa mais que outra. São situações relativas e circunstanciais, que podem mudar nessa e noutras vidas, chegando até ao oposto; variação que representa novas oportunidades de aprendizado. E nada, nada, nada recebe punição ou prêmio por parte das leis universais, ou de Deus.

O arbítrio nos permite mudar de opinião, de idéias, de conceitos, de condutas… Isso porque outro dos Principios é o da evolução dos Espíritos, que se faz da ignorância para a sabedoria, do desconheido para o conhecido, do não percebido para a percepção, do pouco para o muito, do teórico para o prático… Sem regras fixas e com absoluta liberdade de ser, num crescendo infinito.

A lei da evolução se mostra na história da humanidade, que foi desvendando a si e ao planeta, superando ignorâncias e preconceitos religiosos, místicos, medrosos, que levaram à violência contra etnias, condutas e opiniões. Sendo que esses abusos, a discriminação, a maldição aos diferentes, demonstram conservação de poder arbitrário sob  condicionamentos sociais. Porém, todas as diferenças pessoais são naturais!

A busca de estabelecer normas e regras morais consideradas ideais, e impô-las aos demais, exemplifica o desconhecimento sobre o funcionamento da Vida e a falsa superioridade que alguns atribuem a si. Aquele considerado inferior, muitas vezes se mostra mais dígno e capaz, em aspectos onde o outro é frágil e incompetente. (LE 827, 835 a 837)

Segundo o Espiritismo, os Espíritos não são dotados de sexo, e portanto reencarnam masculinos ou femininos, condição independente da sexualidade e da procriação, que são aspéctos distintos. (LE 200 a 202)

A individualidade e a identidade de uma pessoa, não são estabelecidas por sua sexualidade, que é apenas uma das características que a especifica.  Desrespeitar isso, é ferir o direito, o arbítrio e a pessoalidade alheia, conduta passível de condenação e punição pela lei humana. E que ninguém se sinta caracterizado ou diminuído por sua sexualidade; cada um é um “mundo” de diversidades e nuances, em relação aos demais.

Para o Espiritismo o lema do Universo é: Unidade/Diversidade! Que tal pô-lo em prática, reciclando ideias, conceitos, restrições, rigidez mental …

A preconceituosa idéia das “ovelhas negras”, que quer o abaixar das cabeças às injustiças e abusos de poder, tem sido derrubada pelas ações e vida dessa “negras ovelhas”, a cuja participação o mundo deve todas

as melhorias, seja no campo que quisermos observar.

A coragem de ser si próprio é o único caminho para cada um, e para o bem geral, pois a soma das diferenças produz grandeza e amplitude de vistas, pessoais e coletivas.

Apesar dos desmandos, a revolução francesa nasceu de aspirações de justiça social e trouxe mudanças e progresso social irrevogáveis.Que seja um ponto de reflexão sobre os preconceitos e discriminações… A naturalidade já existiu. O terror ainda está vigente. A firmeza de posições e a participação de todos que tenham sua consciência aberta, fará com que a sociedade supere ignorâncias e imposições, e caminhe pelo justo. O natural consciente.

Mudando a ordem do lema: Igualdade (que não é de “xerox”, mas de direitos e deveres), liberdade (que não é abuso,e sim  decisões pessoais que não prejudiquem outros) e fraternidade (que  não é ter que gostar de tudo, mas ver em cada outro, um irmão em Deus!).

Jornal do NEIE

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