Autor: Emmanuel (espírito)
Recordemos o olhar pleno de amor
E compreensão de Nosso Salvador,
A fim de não nos preocupar o argueiro
Que às vezes turva o olhar de um companheiro.
No cego Bartimeu, de Jericó,
Jesus não vê densas trevas, tão só,
Mas sim o amigo que anseia enxergar
Para as riquezas de Deus vivenciar.
Em Madalena vê a mulher sofrida,
Pelos demônios da sombra possuída,
E lhe restaura o coração dileto,
Para anunciá-Lo, um dia, ressurreto.
Não vê em Zaqueu o expoente da usura,
Mas o emissário que os bens enclausura,
E lhe devolve o trabalho e a razão
À sábia e justa administração.
Pedro não é, na negativa instante,
O amigo fraco, e sim invigilante,
A Lhe exigir compreensão permanente,
Até ser luz no Evangelho nascente.
Não vê o ingrato em Judas, mas o irmão
Que se traiu pela própria ilusão,
E ao perdoá-lo, estende à Humanidade
O Seu Amor-Perdão, de Idade a Idade.
Busquemos algo do olhar de Jesus
Para banhar nossos olhos de luz,
E toda crítica ou maledicência
Será banida de nossa consciência.
Porque teremos, então, atingido
O Grande Entendimento prometido,
Que nos fará sentir em cada irmão
Alguém credor de auxílio e compaixão.
E, assim, no olhar, em branda semiluz,
Teremos algo do olhar de Jesus…
Notas
1 – Desde os tempos mais antigos, a poesia tem sido uma ponte entre a alma e o infinito. No Espiritismo, ela encontra um campo fértil para inspirar, consolar e iluminar consciências, expressando em versos sentimentos que muitas vezes escapam à linguagem comum. Seja pela sensibilidade dos poetas encarnados ou pelas mensagens de origem espiritual que marcaram a literatura espírita, a poesia continua sendo uma valiosa ferramenta de reflexão, beleza e elevação do pensamento.
2 – A poesia acima, psicografada por Francisco Cândido Xavier, faz parte do livro Viajor


