Autor: Felipe Gallesco
O verão brasileiro sempre foi marcado por altas temperaturas. No entanto, nos últimos anos, o que antes era apenas desconforto passou a representar um risco real à saúde. Ondas de calor cada vez mais intensas, recordes sucessivos de temperatura e sensação térmica acima dos 50 °C já fazem parte da realidade de diversas regiões do país.
Mesmo o Juventude Espírita sendo um site de abordagem espírita, abrimos esta pauta por uma questão de cuidado com a vida. A preservação da saúde, do corpo e do bem-estar coletivo também é um dever moral. Diante do aumento de casos de internações e desencarnações associadas ao calor extremo, a conscientização se torna urgente.
O calor excessivo não é “normal”
É importante deixar claro: essas temperaturas não são apenas “o verão de sempre”. O aumento da frequência e da intensidade das ondas de calor está diretamente ligado às mudanças climáticas globais, ao desmatamento, à urbanização desordenada e à emissão excessiva de gases de efeito estufa.
O corpo humano possui limites. Quando exposto a calor intenso por longos períodos, ele pode falhar em regular a própria temperatura, levando a quadros graves como:
- Desidratação severa
- Exaustão pelo calor
- Insolação (intermação)
- Queda de pressão
- Agravamento de doenças cardíacas e respiratórias
Em situações extremas, esses quadros podem levar ao desencarne, especialmente entre idosos, crianças, gestantes e pessoas com doenças crônicas. Embora o Espiritismo ensine que a vida continua após a desencarnação, sabemos que muitos sofrimentos poderiam ser evitados com informação e prevenção.
Quem corre mais risco?
Alguns grupos precisam de atenção redobrada durante períodos de calor intenso:
- Idosos, cujo organismo regula pior a temperatura
- Crianças pequenas
- Pessoas com doenças cardíacas, renais ou respiratórias
- Pessoas em situação de rua
- Trabalhadores expostos ao sol ou a ambientes muito quentes
- Animais, que também sofrem com o calor extremo
Ignorar os sinais do corpo ou minimizar os efeitos do calor pode resultar em consequências graves, tanto físicas quanto espirituais.
Cuidados essenciais durante dias muito quentes
Algumas medidas simples podem preservar a saúde e evitar agravamentos sérios:
Hidrate-se constantemente: não espere sentir sede. Beba água ao longo do dia, mesmo sem vontade.
Evite exposição ao sol nos horários mais críticos: entre 10h e 16h, a radiação solar e a sensação térmica costumam ser mais intensas.
Use roupas leves e claras: tecidos leves ajudam o corpo a dissipar o calor.
Alimente-se de forma leve: prefira frutas, verduras e alimentos de fácil digestão.
Mantenha os ambientes ventilados: use ventiladores, ar-condicionado quando possível e evite locais fechados e abafados.
Fique atento aos sinais de alerta: tontura, dor de cabeça, confusão mental, náusea, pele muito quente ou seca exigem atenção imediata e, em muitos casos, procura por atendimento médico urgente.
Um olhar espírita sobre o cuidado com a vida
O Espiritismo ensina que o corpo físico é um instrumento precioso da alma, confiado a nós para aprendizado e evolução. Embora saibamos que a vida não se encerra com a desencarnação, isso não diminui nossa responsabilidade de cuidar da existência corporal enquanto ela nos é concedida.
Zelar pela saúde, evitar riscos desnecessários e proteger a vida — própria e alheia — também é um exercício de responsabilidade espiritual. Conscientizar sobre os perigos do calor extremo não é alarmismo: é caridade preventiva. Informar, orientar e alertar pode evitar sofrimentos físicos e emocionais que poderiam ser minimizados ou adiados.
Informação preserva vidas
Diante de um cenário climático cada vez mais severo, negar a realidade ou tratar o calor extremo como algo banal pode gerar consequências sérias. Precisamos falar sobre isso, compartilhar informações confiáveis e agir com responsabilidade coletiva.
Que este alerta alcance o maior número possível de pessoas — especialmente aquelas que mais necessitam de cuidado, amparo e orientação.
Referências
Organização Mundial da Saúde (OMS / WHO) — Impactos das ondas de calor na saúde
Ministério da Saúde (Brasil) — Orientações sobre calor extremo e desidratação
Instituto Nacional de Meteorologia (INMET) — Dados e alertas de temperaturas extremas
Painel Intergovernamental sobre Mudanças Climáticas (IPCC) — Relatórios sobre aquecimento global
Fundação Oswaldo Cruz (Fiocruz) — Estudos sobre clima e saúde pública




