Pacto áureo

Arquivo histórico do Departamento de Mocidade da União das Sociedades Espíritas

No dia 21 de dezembro de 1924, foi criado na FEB o Conselho Federativo, órgão destinado a suprir a lacuna da FEB no sentido da unificação do Movimento.

Devido a problemas internos e externos, o Conselho Federativo que deveria reunir-se com a presença de representantes de cada federação estadual ligada à FEB, só pode fazê-lo em Outubro de 1926 e mais tarde  em Outubro de 1933.

Durante o período em que a FEB manteve inativo o Conselho Federativo algumas federações estaduais fortaleceram-se na forja do trabalho unificacionista. Em 1944 e 45, a União Espírita Mineira e a Federação Espírita do Rio Grande do Sul  realizaram seus primeiros Congressos Estaduais.

Em São Paulo, as quatro entidades federativas existentes decidiram formar uma nova instituição e entregar a ela a coordenação do movimento paulista. Assim, no dia 06 de janeiro de 1946 é fundada a USE –União das Social Espírita. É convocado um congresso para definir a estrutura da nova entidade, realizado no período de 01 a 05 de junho de 1947, sob denominação de 1º Congresso Espírita do Estado de São Paulo.

Tendo em vista os resultados do congresso paulista e a situação geral, Edgar Armond, presidente da USE, propôs a realização de um Congresso Espírita Nacional a fim de comemorar o centenário dos fenômenos de Hydesville e discutir a organização do movimento espírita brasileiro. Com a negativa da FEB em patrocinar o evento, a coordenação do Congresso ficou com a própria USE. O grande encontro marcado para os primeiros dias de novembro de 1948, e a  princípio foi designado de 1º Congresso Espírita Centro-Sulino, pelo fato de não contar com a participação de todos os Estados.

Pouco antes desse, realizou-se no Rio de Janeiro, no período de 18 a 20 de julho de 1948, outro importante acontecimento doutrinário: o 1º Congresso de Mocidades Espíritas do Brasil, organizado pelo revolucionário Leopoldo Machado.

E por sugestão do mesmo Leopoldo Machado, o 1º Congresso Centro- Sulino passou a se chamar 1º Congresso Brasileiro de Unificação Espírita, que se realizou de 31 de outubro a 03 de novembro de 1948, em São Paulo. As principais deliberações do Congresso foram as seguintes:

  1. criar o Conselho Federativo Nacional, sediado na capital federal, composto de um representante de cada Estado.
  2. O conselho poderá Ter independência jurídica ou ser organizado em torno de instituição já existente, desde que já se adaptasse à condição de entidade federativa nacional.
  3. A FEERGS – Federação Espírita do Estado do Rio Grande do Sul, encarregada de coordenar a criação do novo órgão no prazo de um ano deveria convocar um novo Congresso para regulamentar definitivamente o funcionamento do Conselho Federativo Nacional

Quase um ano depois, a FEERGS ainda não havia resolvido o problema da unificação do movimento espírita nacional. Extremamente insistente, a entidade sulina ainda não  havia desistido de armar o novo esquema federativo em torno da FEB. E , à 05 de outubro de 1949, o presidente da FEB, Wantuil de Freitas, decidiu-se a entrar num acordo com as federativas estaduais: o CFN – Conselho Federativo Nacional seria uma espécie de Departamento da FEB. No dia 08 de outubro, Lins de Vasconcellos noticiou o acordo no jornal  “Mundo Espírita”: 05 de outubro, dia Áureo da Confraternização, onde foi lançada e celebrizada a expressão “PACTO ÁUREO”, que todos nós usamos quando nos referimos ao acordo assinado entre a FEB e as federativas estaduais. E os principais itens aprovados foram:

  • cabe aos Espíritas do Brasil, porem em prática a exposição contida no livro “Brasil, coração do Mundo, Pátria do Evangelho, de maneira a acelerar a marcha evolutiva do Espiritismo;
  • a FEB em criará um Conselho Federativo Nacional permanente com a finalidade de executar, desenvolver e ampliar os planos da atual organização federativa;
  • cada sociedade de âmbito estadual indicará um membro de sua diretoria para fazer parte desse conselho;

As Sociedades componentes do CFN são completamente independentes. A ação do Conselho só se verificará, aliás, fraternalmente, no caso de alguma sociedade passar e adotar programa que colida com a doutrina exposta nas obras: O Livro dos Espíritos e O Livro dos Médiuns, e isso por ser ele, o Conselho, o orientador do Espiritismo no Brasil;

Nenhum membro do Conselho poderá dar publicidade a trabalho seu individual, subscrevendo-o como membro do CFN, salvo se o trabalho for antecipadamente lido e aprovado pelo Conselho.

No dia 13 de novembro de 1949 foi conseguida a unificação do movimento.

Para a efetivação final do Pacto Áureo, faltava a transformação da liga espírita do Brasil em entidade federativa nacional. Dia 20 de novembro de 1949 foi realizada uma Assembléia, onde ficou resolvido que a Liga Espírita do Brasil faria parte do CFN e teria sua atuação reduzida ao âmbito do distrito Federal , adequando seu nome à nova situação.

Como o Norte e o Nordeste se mantivessem alheios ao Pacto Áureo, partiu do Rio de Janeiro a 31 de outubro de 1950 a chamada “Caravana da Fraternidade”, cujo trabalho constituiu em divulgar o Pacto Áureo, conseguir adesões ao CFN, tentar unificar os movimentos locais e fundar entidades federativas. A Caravana encerrou no dia 13 de dezembro de 1950, em Belo Horizonte – MG, e seu objetivo foi alcançado ao espalhar a obra de unificação por todos os quadrantes do território brasileiro.

O LIVRO DOS ESPÍRITOS:O NASCER DO ESPIRITISMO

O nascimento do Espiritismo ou Doutrina Espírita aconteceu no dia 18 de abril de 1857, quando foi lançada a obra O Livro dos Espíritos, assinada por Allan Kardec, pseudônimo de Hippolyte Leon Denizard Rivail, ocorrido na cidade de Paris, em plena Europa da metade do século XIX. Antes dessa obra muitas doutrinas religiosas, por serem espiritualistas, já...

veja também