Autor: Júlio Salusse (espírito)
Céu de chumbo a rugir na imensidão remota
Verte em largos bulcões indômita procela.
No tempestuoso mar que se agita e encapela,
Sofro o anseio febril dos náufragos sem rota.
Mergulho a vastidão, qual mísera gaivota
Que, em tentando fugir da nau que se esfacela,
Logra apenas ferir-se e tombar junto dela,
Sonho audaz de infinito amargando a derrota.
Desço às vascas do fim, no pélago profundo…
Irrompe de improviso a tela de outro mundo,
Sob a luz que transcende os fastos da memória.
Faz-se a treva esplendor, raia o dia opulento…
Ante a luz divinal, que banha o firmamento,
Levanto-me do abismo, em suprema vitória.
Notas
1 – Desde os tempos mais antigos, a poesia tem sido uma ponte entre a alma e o infinito. No Espiritismo, ela encontra um campo fértil para inspirar, consolar e iluminar consciências, expressando em versos sentimentos que muitas vezes escapam à linguagem comum. Seja pela sensibilidade dos poetas encarnados ou pelas mensagens de origem espiritual que marcaram a literatura espírita, a poesia continua sendo uma valiosa ferramenta de reflexão, beleza e elevação do pensamento.
2 – Do livro Antologia dos Imortais, obra psicografada pelos médiuns Francisco Cândido Xavier e Waldo Vieira.



