fbpx

Sonetos

Autor: Batista Cepelos (espírito)

*

Eu fui pedir à Natureza, um dia,

Que me desse um consolo a tantas dores;

Desalentado e triste, pressenti-a

Cansada e triste como os sofredores.

*

Encaminhei-me à porta da Agonia,

Corroído por chagas interiores,

Buscando a morte que me aparecia

Como o termo anelado aos dissabores,

*

Desvendando esse trágico segredo

Que a alma decifra, pávida de medo,

Com ansiedade e temores dos galés…

*

Mas ah! que atroz remorso me persegue!

Choro, soluço, clamo e ele me segue

Nesse abismo que se abre ante os meus pés.

*

Ninguém ouve na Terra esse lamento

Da minha dor imensa, incompreendida,

Nas pavorosas trevas desta vida

Em que eu julgava achar o Esquecimento.

*

Tenebrosa, essa noite indefinida,

Cheia de tempestade e sofrimento,

No país do Pavor e do Tormento

Onde chora a minhalma enceguecida.

*

Onde o não-ser, a paz calma e serena,

Que me traria o bálsamo a esta pena

Interminável, rude, dolorosa?

*

Ninguém! Uma só voz não me responde!

Sinto somente a treva que me esconde

Na vastidão da noite tormentosa…

*

Sirva-vos de escarmento a dor que trago

Na minhalma infeliz e sofredora,

Este padecimento com que pago

O desvio da estrada salvadora.

*

Aqui somente ampara-me esse vago

Pressentimento de uma nova aurora,

Quando terei os bens, o brando afago

Da Luz, que está na dor depuradora.

*

Agora, sim! depois de tantos anos

De tormentos, em meio aos desenganos,

Espero o sol de novas alvoradas

*

De existências de pranto e de miséria,

Para beber no cálix da matéria

As essências das dores renegadas!

Nota

A poesia acima, psicografada por Francisco Cândido Xavier, faz parte do livro Parnaso de Além-Túmulo

Obra completa: https://www.febeditora.com.br/parnaso-de-alem-tumulo

spot_img