Autor: Alphonsus de Guimarãens (espírito)
Por que ajuízas com ironia,
Sobre as obscuridades do irmão
que sobe dificilmente a montanha?
Quando atravessava a floresta
O pobrezinho julgou que o Amado
lhe falava à mente pela voz do trovão
E lhe erigiu altares
Enfeitados de flechas.
Depois,
Quando penetrou noutros círculos,
Acreditou que o Senhor pertencia somente ao seu grupo
E que as outras comunidades humanas eram condenadas…
Lutou, sofreu, feriu-se em dolorosas experiências.
O Amado, porém, jamais o deserdou por isso.
Deu-lhe novas forças,
Concedeu-lhe oportunidades diferentes.
Por vezes,
Buscou-o no fundo dos abismos,
Como pai carinhoso,
Em busca da criancinha abandonada.
De tempos a tempos,
Fê-lo dormir no regaço,
Ao influxo do bendito esquecimento,
Para que o sol do trabalho lhe sorrisse outra vez.
Não observas em seu caminho áspero a tua própria história?
Não atormentes com palavras amargas o irmão que se eleva
Laboriosamente,
Dando ao mundo o que possui de melhor.
Ama-o, faze-lhe o bem que possas.
Se já atingiste
Algum topo de colina,
Contempla as culminâncias que te aguardam
Entre as nuvens,
E estende as mãos fraternas
Àquele que ainda não pode ver o que já vês.
Notas
1 – Desde os tempos mais antigos, a poesia tem sido uma ponte entre a alma e o infinito. No Espiritismo, ela encontra um campo fértil para inspirar, consolar e iluminar consciências, expressando em versos sentimentos que muitas vezes escapam à linguagem comum. Seja pela sensibilidade dos poetas encarnados ou pelas mensagens de origem espiritual que marcaram a literatura espírita, a poesia continua sendo uma valiosa ferramenta de reflexão, beleza e elevação do pensamento.
2 – A poesia acima, psicografada por Francisco Cândido Xavier, faz parte do livro Parnaso de Além-Túmulo


