Autora: Auta de Souza (espírito)
Muitas vezes sonhei na Terra ingrata
O paraíso doce da ventura,
Vendo somente o espinho da amargura
Que as nossas tristes lágrimas desata;
Somente a dor intérmina que mata
A alegria mais lúcida e mais pura,
O veneno da acerba desventura
Que fere em nós a aspiração mais grata.
Se apenas vi, porém, a mágoa intensa
Que rouba a luz, o amor, a paz e a crença,
É que a dor da minhalma em tudo eu via.
E aumentava minha íntima tristeza
Vendo em tudo, na própria Natureza,
A mesma dor que eu tanto padecia.
Notas
1 – Desde os tempos mais antigos, a poesia tem sido uma ponte entre a alma e o infinito. No Espiritismo, ela encontra um campo fértil para inspirar, consolar e iluminar consciências, expressando em versos sentimentos que muitas vezes escapam à linguagem comum. Seja pela sensibilidade dos poetas encarnados ou pelas mensagens de origem espiritual que marcaram a literatura espírita, a poesia continua sendo uma valiosa ferramenta de reflexão, beleza e elevação do pensamento.
2 – A poesia acima, psicografada por Francisco Cândido Xavier, faz parte do livro Parnaso de Além-Túmulo


