Autor: Maria Dolores (espírito)
Escuta, coração,
Seja qual for
A nuance de dor
Que te mergulha em aflição,
Nunca te dês à intemperança
Do azedume que se inclina
Para a sombra abismal da indisciplina
Sem qualquer esperança.
Por maior seja o vulto
Da mágoa que te fere a alma dorida,
Resguarda-te na paz que nos defende a vida,
Sem cair em tumulto.
Procura o bem, nas trilhas em que vamos,
Cala-te, serve, age, abençoa e não temas,
A bondade de Deus jamais nos dá problemas
De que não careçamos.
Crise, tribulação, instante de agonia,
Desilusão, tristeza e dissabor
São medidas de amor
Com que o Céu nos protege, dia a dia.
A passagem do tempo não é vã
E, ante a luta maior, a que a vida nos leva,
Tudo o que nos pareça prova ou treva
Será luz amanhã.
Notas
1 – Desde os tempos mais antigos, a poesia tem sido uma ponte entre a alma e o infinito. No Espiritismo, ela encontra um campo fértil para inspirar, consolar e iluminar consciências, expressando em versos sentimentos que muitas vezes escapam à linguagem comum. Seja pela sensibilidade dos poetas encarnados ou pelas mensagens de origem espiritual que marcaram a literatura espírita, a poesia continua sendo uma valiosa ferramenta de reflexão, beleza e elevação do pensamento.
2 – Do livro A Vida Conta, obra psicografada pelo médium Francisco Cândido Xavier.



