Autor: Cornélio Pires (espírito)
Obsidiado em casa, Nhô Cordeiro
Comia angu e sopa de gamela,
Mas levado à sessão em Vila Bela
Melhorava, rezando o dia inteiro.
Já quase são, ouviu da irmã Biela:
— “Se quer ter mais saúde, companheiro,
Ajude alguém!… Reparta algum dinheiro,
Dê de seu prato aos órfãos da favela!…”
Ouvindo esse conselho, o velho, aflito,
Começou a berrar que nem cabrito.
E gritou: — “Ninguém toca a minha renda!”
E preferiu morrer, largado e louco,
Mastigando farelo, barro e coco,
Debruçado num cocho da fazenda.
Notas
1 – Desde os tempos mais antigos, a poesia tem sido uma ponte entre a alma e o infinito. No Espiritismo, ela encontra um campo fértil para inspirar, consolar e iluminar consciências, expressando em versos sentimentos que muitas vezes escapam à linguagem comum. Seja pela sensibilidade dos poetas encarnados ou pelas mensagens de origem espiritual que marcaram a literatura espírita, a poesia continua sendo uma valiosa ferramenta de reflexão, beleza e elevação do pensamento.
2 – Do livro Cartas do Alto, obra psicografada pelo médium Francisco Cândido Xavier.



