Autor: João de Deus (espírito)
Logo após a cabra-cega,
Zezinho, todo suor,
Ao lado do professor,
Dizia para um colega:
— Eu hoje já fiz das minhas,
Amanheci no brinquedo,
Levantei-me muito cedo,
Apedrejando as galinhas.
Quebrei xícaras e pratos,
Pus fogo ao quintal vizinho,
Chicoteei meu cãozinho,
Dei pancadas em dois gatos.
Furtei doces à cozinha,
Queimei um sapato e um pente
E atirei água fervente
Ao rosto da empregadinha.
Esfregando as mãos, contente,
Sem respeito, sem temor,
Perguntou ao professor:
— Não julga que sou valente?
O mestre, sem repreender,
Respondeu-lhe, em desconsolo:
— Não passas de um grande tolo
Que tem muito que aprender.
Notas
1 – Desde os tempos mais antigos, a poesia tem sido uma ponte entre a alma e o infinito. No Espiritismo, ela encontra um campo fértil para inspirar, consolar e iluminar consciências, expressando em versos sentimentos que muitas vezes escapam à linguagem comum. Seja pela sensibilidade dos poetas encarnados ou pelas mensagens de origem espiritual que marcaram a literatura espírita, a poesia continua sendo uma valiosa ferramenta de reflexão, beleza e elevação do pensamento.
2 – Do livro Jardim da infância, obra psicografada pelo médium Francisco Cândido Xavier.


