Autora: Maria Dolores (espírito)
Ante os erros de amor que aparecem na vida,
Nunca ergas a voz.
Recorda, coração, se a pessoa acusada
Fosse qualquer de nós.
Quem poderá pesar as circunstâncias
De convivência, angústia e solidão!…
Quanta mudança chega de improviso
Por um “sim”, por um “não”!…
Entre afeto que sonha e dever que governa,
Quanto conflito surge e quanto anseio vem!…
Quando a dor de ser só escurece o caminho
Ninguém pode prever as lágrimas de alguém…
Votos no esquecimento, afeições destruídas,
Ocultas aflições, desencantos fatais!…
Quanto chora quem sofre, ante golpe e abandono,
E quem bate ou despreza, às vezes, sofre mais…
Ante as faltas de amor, alma querida,
Não te dês à censura sempre vã,
Que o teu dia de amor incompreendido
Talvez chegue amanhã.
Problemas de quem ama, em luta e prova,
Sejam teus, sejam meus…
Quem os conhecerá, desde o princípio?…
Quem os verá?… Só Deus.
Notas
1 – Desde os tempos mais antigos, a poesia tem sido uma ponte entre a alma e o infinito. No Espiritismo, ela encontra um campo fértil para inspirar, consolar e iluminar consciências, expressando em versos sentimentos que muitas vezes escapam à linguagem comum. Seja pela sensibilidade dos poetas encarnados ou pelas mensagens de origem espiritual que marcaram a literatura espírita, a poesia continua sendo uma valiosa ferramenta de reflexão, beleza e elevação do pensamento.
2 – Do livro Mãos marcadas, obra psicografada pelo médium Francisco Cândido Xavier.


