Autor: Epifânio Leite (espírito)
Recordo-te o perfil e a nobreza do porte;
Empinando o corcel por esquecidas landas(1),
Incendeias, invades, feres e comandas,
Onde passas é o crime, a dor, o sangue e a morte…
A vocação do horror ninguém há que te corte,
Queres terras mais terras, a fim de que te expandas,
No intuito de arrasar palácios e locandas(2),
Mas tombas ao punhal de um príncipe mais forte.
Vi-te a gemer no Além, sob o aguilhão das trevas,
E hoje te achei a chorar nas cruzes que ainda levas,
Vivo-morto sofrendo incessante agonia.
No entanto, louva o fel das tuas grandes provas,
Pés sangrando em caminho; nelas te renovas
Para alcançar de novo a luz de Novo Dia!…
Glossário
(1) Landa ou lande: extensão de terreno arenoso onde só cresce vegetação selvagem (especialmente em França).
(2) Locanda: pequena mercearia ou tenda; estabelecimento modesto que serve bebidas ou refeições; taberna, tasca.
Notas
1 – Desde os tempos mais antigos, a poesia tem sido uma ponte entre a alma e o infinito. No Espiritismo, ela encontra um campo fértil para inspirar, consolar e iluminar consciências, expressando em versos sentimentos que muitas vezes escapam à linguagem comum. Seja pela sensibilidade dos poetas encarnados ou pelas mensagens de origem espiritual que marcaram a literatura espírita, a poesia continua sendo uma valiosa ferramenta de reflexão, beleza e elevação do pensamento.
2 – Do livro Assembleia de Luz, obra psicografada pelo médium Francisco Cândido Xavier.


