A concepção de Deus

Autor: Marcus De Mario

Alguns cientistas não conseguem conceber a existência de Deus pelo fato de não aceitarem racionalmente o Deus apresentado de forma dogmática, e mesmo um tanto irracional, por parte de diversas religiões. E estão cobertos de razão, pois não se pode aceitar uma ideia que não pode ser discutida e que não possui fundamentos que possam ser provados. Por não conhecerem outra ideia sobre Deus, qual a que o Espiritismo apresenta, negam sua existência e defendem exclusivamente a teoria materialista para explicar o universo e a vida. Mas, perguntamos: qual a origem da partícula elementar, pois que a mesma é um elemento material? E como explicar o extraordinário fenômeno da vida apenas e tão somente com a matéria? E a mente, com todo o seu prodigioso psiquismo, estaria encerrada em sinapses neuronais? E os sentimentos, as emoções, a afetividade, seriam produto do nosso organismo físico ou apenas ilusões? Como fica a chamada espiritualidade do ser humano, que comprovadamente afeta a saúde orgânica para melhor ou para pior? E por que temos que estudar, aprender, trabalhar, amar, sofrer se tudo acaba no túmulo? E para que servem os bilhões de astros espalhados pelo universo? Não podemos admitir a ideia do acaso, pois seria explicar uma coisa que não compreendemos por outra ainda mais incompreensível.

Mas o que é Deus? É o ser incriado, acima de qualquer concepção que o pensamento humano possa conceber, e que sabemos ser ao mesmo tempo Pai e Criador, dotado de atributos inigualáveis, tais como: eternidade, imutabilidade, imaterialidade, único, todo poderoso, soberanamente justo e bom. Sem esses atributos nossa razão não pode concebê-lo como Deus.

Quando entendermos que a religião e a ciência não existem para se excluírem mutuamente, mas que podem e devem unir seus esforços para o bem da humanidade, fazendo aproximações entre suas pesquisas e crenças, diminuiremos o espaço hoje existente entre ambas, e isso é justamente o que faz o Espiritismo.

E como podemos provar a existência de Deus? Na verdade, os cientistas é que deveriam provar a não existência desse ser supremo, mas como não conseguem fazer isso satisfatoriamente, tentemos responder algumas perguntas sem a crença na existência de Deus:

  1. Como uma causa material pode ser o princípio de todas as coisas?
  2. Como tudo no universo está em perfeita harmonia e equilíbrio?
  3. Qual é a origem da intuição inata nos homens da existência de um ser supremo?
  4. Se a partícula elementar é matéria, qual é a causa dessa partícula?
  5. Como explicar efeitos inteligentes sem uma causa inteligente?

Desafiamos os pesquisadores e pensadores materialistas para responder através de raciocínios lógicos, satisfazendo todas as consequências dessas perguntas, provando por A + B que não há necessidade da existência de Deus. Lembramos que no século 19 essa tentativa foi feita, e sem sucesso, pela teoria positivista encabeçada por Auguste Comte (1798-1857), lançando uma Religião da Humanidade não teísta, mas que acabou não conseguindo responder aos anseios espirituais dos indivíduos.

Concepção espírita da divindade

Na concepção espírita de Deus existe a certeza de um ser supremo ao mesmo tempo justo e misericordioso, princípio de tudo e que em tudo está, cujas leis são perfeitas e as quais vamos descobrindo paulatinamente, regendo a vida sem nos tirar o livre arbítrio. Essa concepção explica racionalmente os acontecimentos existenciais, esclarece ao mesmo tempo que consola, mostrando que todos temos um futuro glorioso pela frente, porque somos destinados a alcançar a perfeição intelectual e moral e, portanto, a felicidade.

Desembaraçando a ideia de Deus do antropomorfismo (Deus representado como um ser humano), da superstição, da crendice e da teologia, o Espiritismo reconhece que a crença racional sobre um ser supremo criador como ponto de partida da vida universal, é a crença que melhor responde aos anseios humanos de espiritualidade e religiosidade, aliando as pesquisas científicas com as religiosas e dando ao ser humano uma fé raciocinada que o eleva acima das questões circunscritas à vida material, pois o faz entrever o futuro espiritual que não apenas o aguarda, mas que lhe pertence como alma imortal que é, e que a morte não aniquila.

O Espiritismo não concebe Deus como um ser passional, muitas vezes vingativo, e mesmo injusto como várias doutrinas o apresentam. Nem considera que ele esteja envolto em mistérios insondáveis ao ser humano. Pelo contrário, a doutrina espírita combate essas visões sobre a divindade por considerá-las não racionais, insustentáveis diante da razão e da observação dos fatos. Para ser a inteligência suprema e o criador de tudo, Deus há de ser a perfeição, e um ser perfeito nada pode ter dos vícios e paixões que caracterizam os homens, e esse pensamento é lógico, daí porque a representação artística de Deus como um velhinho de barba branca ladeado de anjos estar muito longe de ser a melhor figura que podemos fazer dele, a qual o Espiritismo não sanciona, mostrando que ele é incomparável a qualquer coisa que possamos conhecer ou imaginar.

O LIVRO DOS ESPÍRITOS:O NASCER DO ESPIRITISMO

O nascimento do Espiritismo ou Doutrina Espírita aconteceu no dia 18 de abril de 1857, quando foi lançada a obra O Livro dos Espíritos, assinada por Allan Kardec, pseudônimo de Hippolyte Leon Denizard Rivail, ocorrido na cidade de Paris, em plena Europa da metade do século XIX. Antes dessa obra muitas doutrinas religiosas, por serem espiritualistas, já...

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