A missão do homem inteligente na Terra

Autor: Igor Leal da Silva Freitas

Deus confere ao homem diversos meios para que possamos servir a Ele. Ao médium ostensivo lhe foi confiada a missão de consolar e servir de canal entre o mundo espiritual e o mundo material. Ao professor lhe foi confiada a missão de auxiliar na alfabetização e formação dos alunos. Ao psicólogo lhe foi confiada a missão de compreender os mistérios da psique para auxiliar o paciente. E ao homem inteligente, qual missão Deus lhes confiou?

O homem inteligente deve dispor de suas capacidades cognitivas para o Bem e para o progresso da humanidade. Afinal, para que outro fim útil seria a não ser cooperar para a marcha progressiva da Terra? Estudam e compreendem as coisas com eficiência e destreza de modo a abrir os olhos do mundo para algo inédito. No campo científico vemos diversos cientistas que contribuíram para o progresso da Humanidade:

  • A senhorita Marie Curie que desempenhou trabalhos incríveis no campo da Física e da Química, ganhando o Prêmio Nobel de Física e Química (única cientista que ganhou Prêmio Nobel em duas áreas científicas diferentes) por descobrir os elementos Rádio e Polônio. Após isso, Pierre Curie, seu marido, viu que a radiação poderia matar as células cancerígenas e retroceder o seu avanço, dando início ao que hoje nós conhecemos como radioterapia.
  • Albert Einstein que revolucionou a Física com a sua teoria da relatividade geral e restrita, e também ganhou o Prêmio Nobel de Física. Proporcionou grandes avanços, onde colaborou para o funcionamento dos GPS, das televisões e para o campo nuclear.
  • Charles Darwin clareou o mistério da evolução das espécies e proporcionou avanços no estudo e compreensão da origem das espécies.

Dentre muitos outros cientistas e gênios que eu longamente aqui poderia citar. Vimos, pelos exemplos acima, como esses gênios apontaram para a Humanidade caminhos que ainda não haviam sido desvendados e proporcionaram grandes avanços. Com esses trabalhos científicos, foi possível que esses gênios suprissem as necessidades humanas e, portanto, cumpriram a missão que lhes foi confiada. Em O Evangelho Segundo o Espiritismo, no capítulo XXV intitulado “Buscai e Achareis”, nos é esclarecido:

“Deus, porém, lhe deu, a mais do que outorgou ao animal, o desejo incessante do melhor, e é esse desejo que o impele à pesquisa dos meios de melhorar a sua posição, que o leva às descobertas, às invenções, ao aperfeiçoamento da Ciência, porquanto é a Ciência que lhe proporciona o que lhe falta. Pelas suas pesquisas, a inteligência se lhe engrandece, o moral se lhe depura.”

Quanto mais a civilização avança, mais necessidades ela tem. O homem inteligente, então, se encarrega de suprir essa constante busca pelo melhor e mais viável. Até o século XX, carroças e cavalos eram os meios mais comuns de locomoção. Depois, sobrevieram os carros, que também foram sendo aprimorados e hoje temos até os carros elétricos. Observamos como o homem constantemente se inova para ter uma vida confortável e prática em todos os aspectos. Os constantes avanços da tecnologia é uma prova disso: antigamente o meio de comunicação era por cartas, que poderiam levar muito tempo para chegarem em seu destino, atualmente temos os celulares que se conectam com o outro lado do mundo em fração de segundos, até mesmo sendo possível visualizar a pessoa pela câmera. 

A inteligência é sempre usada a favor do progresso?

A essa altura, nós já compreendemos a missão que os gênios aqui desempenham. Há, contudo, uma dúvida: os gênios sempre usam sua genialidade para o progresso? Em outras palavras, a inteligência e a moral caminham juntas? 

Para responder essa pergunta, iremos recorrer ao Codificador em O Livro dos Espíritos na questão 365, que diz o seguinte:

365. Por que é que alguns homens muito inteligentes, o que indica acharem-se encarnados neles Espíritos superiores, são ao mesmo tempo profundamente viciosos?

“É que não são ainda bastante puros os Espíritos encarnados nesses homens, que, então, e por isso, cedem à influência de outros Espíritos mais imperfeitos. O Espírito progride em insensível marcha ascendente, mas o progresso não se efetua simultaneamente em todos os sentidos. Durante um período da sua existência, ele se adianta em ciência; durante outro, em moralidade.”

Vejamos também a questão 780 e 780a

780. O progresso moral acompanha sempre o progresso intelectual? 

“Decorre deste, mas nem sempre o segue imediatamente.”

780a. Como pode o progresso intelectual engendrar progresso moral? 

“Fazendo compreensíveis o bem e o mal. O homem, desde então, pode escolher. O desenvolvimento do livre arbítrio acompanha o da inteligência e aumenta a responsabilidade dos atos.”

Nem sempre os homens utilizam dos meios que Deus dá para progredir para progredirem. A genialidade, não raro, é também corrompida. Basta que nos recordemos do Império Romano, por exemplo, onde eles criavam engenhosos métodos de tortura para que as vítimas sentissem a maior dor possível a longo prazo. Vemos também que o homem desvendou o mundo atômico, e, enquanto uns pegaram das propriedades energéticas dos átomos para desenvolverem a energia elétrica, outros fissionaram átomos para gerar a reação em cadeia e desenvolver a bomba atômica.

Cada um tem uma habilidade que deve ser utilizada para o bem, mas todos igualmente têm o livre arbítrio, e nele Deus não infere. Podemos usar de nossas habilidades para realizarmos o que quisermos, mas seremos escravos das consequências de nossos atos pela divina lei da ação e reação. Lembremo-nos, entretanto, que usar nossas capacidades, sejam elas quais forem, em favor de nossos irmãos é seguir a máxima que Jesus nos ensinou: a Caridade. E, como bem disse Allan Kardec: “Fora da Caridade não há salvação.” Encerro com um versículo de uma lição que Jesus disse, que serve como alerta para o uso da genialidade: 

“A quem muito foi dado, muito será exigido; e a quem muito foi confiado, muito mais será pedido.”

O LIVRO DOS ESPÍRITOS:O NASCER DO ESPIRITISMO

O nascimento do Espiritismo ou Doutrina Espírita aconteceu no dia 18 de abril de 1857, quando foi lançada a obra O Livro dos Espíritos, assinada por Allan Kardec, pseudônimo de Hippolyte Leon Denizard Rivail, ocorrido na cidade de Paris, em plena Europa da metade do século XIX. Antes dessa obra muitas doutrinas religiosas, por serem espiritualistas, já...

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