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Como entender a justiça divina?

Autora: Teresinha Olivier

O ser humano, desde os tempos mais primitivos, sempre teve a ideia inata da vida após a morte, e sempre acreditou também que a vida após a morte seria feliz ou infeliz, dependendo do bem ou do mal que tivesse feito em vida.

Devido à pouca evolução espiritual, à ignorância natural dos primeiros tempos de evolução, criou ideias absurdas e até grosseiras acerca da vida após a morte.

Imaginou que a alma passaria por sofrimentos físicos e eternos, pelo fogo que queima eternamente sem consumir, por caldeirões de óleo fervente, e tantas outras ideias, que hoje, com os conhecimentos que o Espiritismo nos proporciona, entendemos como absurdas, mas que faziam parte da infância da humanidade.

Existe sofrimento no mundo espiritual, mas é moral e não físico. Não podem ser materiais, pois a alma não é matéria.

Os Espíritos que se queixam de sofrimentos físicos, como dor, fome, sede, ou outra sensação física qualquer, é porque levam consigo, em suas mentes, as impressões, ou as lembranças fortes que marcaram sua encarnação. Para eles, parecem verdadeiras, mas são impressões e não são reais, das quais ele vai se libertando conforme for compreendendo melhor a sua situação.

Allan Kardec, em O Céu e o Inferno, capítulo VIII, As penas futuras segundo o Espiritismo, itens 1º, 2º e 3º,  edição da Feal, diz o seguinte:

A alma ou espírito sujeita-se, na vida espiritual, às consequências de todas as imperfeições das quais ela não se despojou durante a vida corporal. Seu estado feliz ou infeliz é inerente ao grau de sua depuração ou de suas imperfeições.

Sendo todos os espíritos perfectíveis, em virtude da lei do progresso, trazem em si os elementos da sua felicidade ou da sua infelicidade futura e os meios de adquirir uma e de evitar a outra, trabalhando em seu próprio adiantamento.

A felicidade perfeita está ligada à perfeição, ou seja, à depuração completa do espírito. Toda imperfeição é uma causa de sofrimento, da mesma forma que toda qualidade adquirida é uma causa de satisfação e de atenuação dos sofrimentos; donde resulta que a soma da felicidade e da infelicidade está na razão da soma das qualidades boas ou más que possui o espírito.

Diante disso, compreendemos que a ideia de castigos e recompensas divinos não faz parte das leis criadas por Deus, o que o Espiritismo explica de maneira bastante clara.

Segundo o que aprendemos com a Doutrina Espírita, a vontade de Deus está expressa nas leis que ele criou e que incidem sobre nossas existências. Leis que, segundo os Espíritos superiores, estão impressas na nossa consciência.

Segundo essas leis, nosso comportamento, nossas escolhas, decisões, ações, pensamentos determinam consequências naturais que, de uma forma ou de outra, mais cedo ou mais tarde, enfrentaremos.

Essas consequências podem ser muitas vezes bastante difíceis de serem suportadas, podem trazer muito sofrimento, mas o sofrimento dura enquanto durar o mesmo comportamento. Quando o Espírito se propõe a mudar, a se melhorar, o sofrimento vai se atenuando.

Allan Kardec, no mesmo livro acima, no mesmo capítulo, no item 7º, explica:

Sendo a justiça de Deus infinita, é mantida uma conta rigorosa do bem e do mal; se não há uma única má ação, um único mau pensamento que não tenha suas consequências fatais, não há uma única boa ação, nem um único bom movimento da alma – em suma, o mais ligeiro mérito – que seja perdido, mesmo nos mais perversos, porque é um começo de progresso.

As consequências têm como finalidade, não nos castigar, mas mostrar nossos enganos e nos ensinar a fazermos escolhas e tomarmos decisões mais acertadas, mais inteligentes.

São oportunidades que temos de revermos os valores que cultivamos, são oportunidades de usarmos o livre-arbítrio com mais sabedoria.

É um processo de educação da alma imortal, que somos todos nós.

Assim, vamos nos libertar da ideia de castigo e recompensa divinos, quando pensarmos na justiça de Deus. Vamos pensar em oportunidade de renovação e evolução sempre, compreendendo que somos os construtores da nossa felicidade ou infelicidade e, desde agora, podemos ir trabalhando em nosso íntimo aquilo que poderá ser fator de sofrimento para nós no futuro.

Dica

A autora participa semanalmente dos grupos de estudos online, abaixo. Se tiver interesse em participar também, são abertos para todos os públicos.

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