O critério da coerência

Autora: Cristina Sarraf

Há um critério útil e bom em sendo adotado, mesmo gradativamente e conforme se perceba, que é o da coerência conceitual.

Ao aceitarmos um conceito, é bom examiná-lo em seus desdobramentos, dentro das condições que tenhamos no momento observado. Após isso, a questão que se apresenta é a da postura científica, ou seja, pôr em prática o que passamos a pensar (postura filosófica). Assim é possível observar a validade do conceito e o que entendemos/podemos perceber como sendo seus desdobramentos.

Nesse ínterim, e após ele, outros conceitos nos chegam, ou os reconhecemos em nossa mentalidade; bem como os desdobramentos desses.

Agora é que entra o critério da coerência.

Se outros conceitos e seus desdobramentos são coerentes com aquele adotado como melhor, estes também o podem ser/permanecer. Mas se forem incoerentes, não; é bom darmos um jeito de os descartar.

Por quê? Porque ao adotar um conceito, ou desdobramento dele, incoerente com o que já examinamos e comprovamos ser mais coerente com nosso atual modo de pensar, estaremos criando um conflito interior. Haverá um certo desconforto na possível harmonia mental, não identificado como sendo essa incoerência. E ela acaba ficando notória para quem nos observa.

Esse conflito pode gerar uma crise pessoal; e sempre vai facilitar a ação de Espíritos mal-intencionados, que se esforçam para nos iludir e não deixar que nos tornemos mais lúcidos, firmes e harmoniosos em nossa mente, e portanto, em nós mesmos num todo; no individual e nos relacionamentos e atuações.

Simples exemplos: os conceitos espíritas (Princípios do Espiritismo) de Reencarnação e Evolução dos Espíritos não são compatíveis com as exigências de que tenhamos, ou que outros tenham, certos pensamentos e comportamentos que alguém considera bons. Lógico que poderá haver colaboração para tal, mas sem cobranças e imposições. Não combina também, com punições e castigos divinos, nem com pagamento de “pecados” de vida passada.

O Conceito espírita de Evolução não combina com o de que Deus decide, escolhe e nos dá situações e capacidades. Também não combina com o de que todos têm o mesmo arbítrio, as mesmas possibilidades e a mesma condição de entender e realizar. Muito menos com a ilusão de segurança, ao nos mantermos na zona de conforto.

O desdobramento do conceito espírita de Livre arbítrio, que é o do desenvolvimento de uma postura mental autônoma, não combina com os conceitos de obediência, submissão, Jesus resolve, Deus dá qualidades, vitimismo, coitadismo e terceirizar responsabilidades.

O conceito ensinado por Jesus, de agirmos com os outros como queremos que ajam conosco, não combina com impor valores, costumes, ideias e conceitos; nem que apenas o que é antigo, tradicional e consta de livros consagrados, seja o melhor; inclusive não combina com a acomodada divulgação de ideias que já sabemos serem falsas e ilusórias sobre a Vida.

Os conceitos espíritas de Mediunidade e Influência dos Espíritos não combinam com o de aceitar tudo (qualquer ideia, nome e sugestão, por mais que pareça correta) que venha dos Espíritos, sem rigorosa análise, isenta de vaidade e prepotência. Também não combina com o endeusamento de médiuns, nem com a falsa ideia   de que algum médium nunca seja enganado e iludido por Espíritos trapaceiros.

O desdobramento do conceito de obediência que é a submissão a “autoridade” política, religiosa, familiar, pessoa de fama… não combina com o conceito espírita de livre arbítrio; nem com o de cooperação e participação.

O conceito de fé cega não combina com o de arbítrio livre, auto-observação e decisão pessoal. Também não combina com o de que todos, sem exceção, somos falíveis.

Um pouco de atenção ao que se pensa, fala e faz, ajuda a percebermos essas incoerências. Quando notadas, podem nos ajudar a viver com menos conflitos íntimos, se adotarmos o processo natural, gradativo e persistente de criarmos coerência. Sem culpas, sem pressões e sem autocobranças. Apenas o exercício natural de promover uma pequenina melhoria diária.

Jornal do NEIE

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