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Problemas na educação dos filhos

Autor: Marcus De Mario

Muitos pais confundem o amor aos seus filhos com permissividade, liberdade excessiva, chegando mesmo alguns a não permitir que outros familiares chamem a atenção dos seus filhos, afirmando que somente eles podem dizer “não” aos mesmos. Isso é um equívoco de funestas consequências, pois é por amor que os pais devem dar limites, chamando a atenção, promovendo regras e combinados, cobrando as responsabilidades e os deveres. O amor também disciplina. O amor deve educar, e para isso não pode prescindir da energia – não confundindo essa energia com castigos corporais ou com tirania, totalmente antipedagógicos e contrários ao respeito que devemos aos filhos. Agir com energia não é agir com violência.

Igualmente há confusão com a ternura dedicada aos filhos, muitas vezes excessiva, melosa e que os tornam dependentes do pai ou da mãe, ou que os protegem em demasia, acobertando os pequenos desvios de caráter. Ternura e esclarecimento devem estar de mãos unidas, pois é pela educação que os limites devem ficar claros, que os filhos devem entender da necessidade de respeitar o espaço dos outros, e que, quando isso é ultrapassado, deve haver a devida reparação. Ternura em excesso gera verdadeiros tiranos ou, pelo contrário, verdadeiros dependentes. É preciso procurar o equilíbrio nas manifestações de afeto e carinho junto aos filhos.

Criança deve ser sinônimo de alegria, de fantasia, de sonhos, de brincadeiras. Um lar alegre, feliz, e o contato com a natureza, devem propiciar momentos de prazer. Entretanto, o que fazemos? Vivemos a brigar com as crianças, a achá-las inoportunas, que somente nos dão trabalho, que não sabem obedecer e assim por diante. Colocamos no esquecimento o fato de que já fomos crianças, já vivemos o mundo infantil, querendo olhar as crianças tão somente do nosso ponto de vista adulto, dos nossos interesses e comodismos.

Devem os pais revisitar seus valores de vida, pois conforme estes, é como educarão os filhos. Na maioria das vezes o que fazemos é viciá-los através de maus exemplos, de falsos valores.

A ternura é importante, mas seu excesso, ocultando os erros dos filhos, é prejudicial na formação do caráter. Em crescendo, a antiga criança, agora um adulto, tenderá a sofrer, aprendendo com a própria vida, pois antes recebera excesso de mimos e agrados, em nome do amor, não sendo preparado convenientemente para os desafios existenciais, pelo contrário, tendo na dor sua educadora, quando isso poderia ter sido evitado pelos pais, bastando não cometer excesso de zelo e preparando os filhos para a vida.

Cada filho é um universo único, é uma individualidade com a sua história, com as suas tendências, com as suas ideias e com o seu próprio ritmo de aprendizado, motivo pelo qual os pais não podem dar a mesma educação para filhos que são diferentes.

Os problemas que os pais enfrentam na educação dos filhos, muitas vezes decorrem do mal uso da educação, ou mesmo da ignorância sobre a verdadeira finalidade da educação, e desta estar distanciada da formação moral e da espiritualização do ser. Pais e professores ensinam muitas coisas às crianças, mas não trabalham o essencial.

Que os pais melhor se preparem para colocar em prática a educação de seus filhos, visando estabelecer no mundo uma humanidade formada por pessoas éticas, com visão do coletivo, que viverão plenamente a bandeira que caracteriza todo aquele que se põe acima das coisas do mundo: solidariedade.

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