Autora: Teresinha Olivier
Desde menino, sempre que entrava naquela casa, sentia algo estranho, uma sensação diferente que não sabia explicar.
Iria passar uns meses na casa de sua tia Rosália para poder fazer um curso de especialização na área de computação. Depois, voltaria para a sua pequena cidade natal onde iria trabalhar na firma da família. Pretendia levar para a empresa as inovações necessárias para o seu crescimento e desenvolvimento.
Rosália sentia-se feliz por ter seu querido sobrinho na casa, sempre vazia. Não teve filhos e, desde que seu companheiro falecera, sentia-se muito solitária. Continuou morando na mesma casa onde nascera e que fora construída pelo seu avô.
Rafael foi acomodado num quarto amplo e confortável. Os móveis eram antigos, pesados, de madeira escura, diferente de sua casa, de decoração clara e leve, bem ao gosto de sua mãe.
Ela e a tia Rosália eram irmãs, mas nem parecia. Eram muito diferentes. Sua mãe era mais jovial e moderna enquanto sua tia parecia viver num tempo que não existia mais. Mas ele gostava muito dela que sempre o tratara com carinho. Talvez por não ter tido filhos, transferiu para ele seu potencial de amor materno. Por isso, não disfarçou sua alegria, quando ele telefonou perguntando se podia ficar na sua casa enquanto fazia o curso.
– É claro, Rafael! Será uma alegria imensa ter você aqui!
Nunca havia ficado muito tempo na casa de sua tia. As visitas eram rápidas. Às vezes, um final de semana, ou um pouco mais. Era a primeira vez que passaria um longo período com a tia Rosália.
Lembrava-se que, desde pequeno, quando dormia lá, acordava no meio da noite e sentia medo. Parecia que ouvia ruídos estranhos, que alguém o estava espiando. Agora, olhando o quarto onde iria ficar por um bom tempo, achava que era coisa de criança, que ficava impressionado com o estilo antigo da casa e dos móveis.
Depois de arrumar suas roupas e seus livros, desceu para o jantar. Tia Rosália estava ansiosa para conversar. Ficaram à mesa até tarde, lembrando de coisas passadas na sua meninice e contando as novidades de sua cidade.
Quando foi deitar-se, estava bastante cansado e ansioso pelo curso que iria fazer. Eram perspectivas novas para sua vida. Levou dias preparando suas coisas, preocupado em não se esquecer de nada.
Deitou-se, apagou a luz, suspirou e fechou os olhos.
No mesmo instante, teve a mesma sensação que tinha quando menino. Parecia que tinha mais alguém no quarto. Acendeu a luz. Olhou a sua volta. Nada.
– Que ridículo, Rafael! – Disse para si mesmo – Você não é mais um garotinho!
Fechou os olhos e dormiu.
Nos primeiros dias, sua vida transcorreu de maneira tranquila. A ansiedade pelo curso, pelas novas amizades, andar pela cidade grande no meio do trânsito pesado, tudo muito diferente da sua pequena cidade, o deixava bastante animado.
Nas primeiras noites dormiu muito bem. Chegava cansado. Sempre tinha um prato delicioso a sua espera. Tomava um banho, se alimentava e dormia como um bebê.
Porém, depois de alguns dias, quando já estava se ajustando à nova rotina, começou a acordar no meio da noite com impressões desagradáveis. Tinha a sensação de uma presença que não sabia definir, mas que lhe causava medo. Levantava-se, ia até à cozinha, tomava um copo d’água e deitava-se novamente. O sono demorava a voltar. O medo o mantinha acordado por um tempo, o suficiente para deixá-lo abatido no dia seguinte.
Não falava nada para a tia Rosália. Tinha vergonha de fazê-lo. O que ela iria pensar dele, um rapaz de vinte e dois anos tendo esses medos infantis?
Procurou se controlar.
Numa noite, tinha acabado de pegar no sono, quando sentiu uma respiração bem próxima ao seu rosto. Pulou da cama como um gato assustado. Acendeu a luz e não viu nada.
– O que está acontecendo?
Passou o resto da noite em claro.
Aquilo estava atrapalhando seus estudos. Estava com dificuldade de prestar atenção nas aulas porque sempre sentia muito sono durante o dia.
Numa noite de sábado, estava jantando com sua tia e ela comentou:
– Rafael, você está muito abatido, meu filho! Você está se alimentado direito? Está almoçando?
– Estou, sim, tia. Tem uma lanchonete muito boa na faculdade. Eu almoço bem.
– Então você está estudando demais. Vá com mais calma!
– Está tudo bem, tia, não se preocupe.
A verdade era que, depois daquela noite em que sentiu a respiração, praticamente não dormia. Passava as noites cochilando e acordando sobressaltado. Aquela impressão tinha sido muito forte e assustadora.
Numa dessas noites mal dormidas, teve uma experiência, a seu ver, horripilante.
Estava dormindo um desses sonos leves e agitados quando ouviu nitidamente um gemido bem próximo de sua cama. Num segundo estava de pé ao lado da cama, acendendo a luz. Porém, um segundo antes de acender a luz viu, ao lado da escrivaninha, um vulto envolto numa capa escura, com um chapéu preto. Com a luz acesa, a visão havia se desvanecido.
– Meu Deus! O que é isso? O que eu faço?
Tremendo da cabeça aos pés, pegou o travesseiro e uma coberta e foi para a sala e deitou-se no sofá, onde permaneceu acordado até clarear o dia.
Levantou-se e tomou um banho. Sentia o corpo pesado e a mente nublada. Não conseguia pensar direito.
– Não sei vou conseguir prestar atenção nas aulas hoje…
Sua tia já havia posto o café na mesa e estava esperando por ele. Ficou preocupada com a sua aparência.
– Rafael, você está com algum problema, meu filho? Está tão abatido! Você dormiu bem?
– Na verdade, tia, eu não tenho dormido nada bem.
Ela ficou alguns segundos em silêncio. Por fim, parecendo estar escolhendo as palavras, perguntou:
– É como quando você era garoto?
Ele olhou para ela surpreso.
– Como assim, tia?
– Você sente as mesmas coisas que sentia quando era pequeno e dormia aqui?
Ele ficou olhando para ela, entendendo onde ela queria chegar.
– É sim, tia. Só que ficou pior – disse olhando fixamente para a tia Rosália, procurando perceber alguma coisa na sua reação.
– É, eu sempre soube que você era como eu.
– Como a senhora? Em que sentido?
– Que você percebe coisas que os outros não percebem, como eu. Desde que você é criança que mostra sinais disso.
Ele endireitou-se na cadeira, muito interessado no que a tia estava falando.
– A senhora poderia me explicar melhor isso?
– Há anos que eu ouço e vejo coisas nesta casa. Até já me acostumei.
– O que a senhora vê, tia?
– Vultos. Vultos andando pela casa, às vezes emitindo ruídos. E você, o que você viu?
– Esta noite eu vi um vulto. Parecia um homem todo de preto. Já ouvi ruídos também. Outra noite senti uma respiração bem perto do meu rosto. Fiquei gelado de medo.
– Sabe, Rafael, apesar de ser assustador no começo, aprendi que não precisamos ter medo.
– Como a senhora pode ter certeza disso?
– Porque há muitos anos que eu percebo coisas e nunca me aconteceu nada de ruim. Parece que é algum Espírito que precisa de ajuda.
– Espírito?
– Sim, Rafael, Espírito. Fui a um centro espírita e lá me explicaram que existem entidades espirituais que, por alguma razão, ficam presas em determinados locais. Fui orientada a fazer preces por esse que anda por aqui.
– É difícil fazer preces quando se está apavorado, como eu fico. Não há um modo de se saber quem é esse Espírito?
– Talvez sim, Rafael. Talvez se possa conversar com ele. Eu nunca tentei isso. O que você acha? Gostaria de tentar?
– Eu não, tia. Tenho muito medo. Por que a senhora não vende esta casa e vai morar num apartamento? Esta casa é muito grande, deve dar muito trabalho para cuidar, e a senhora está sozinha aqui. E, além disso, tem esse problema de assombração. Será que vale a pena?
– Eu não posso, Rafael.
– Por que não, tia? O que a impede?
– Eu não sei, mas sinto que esta casa precisa continuar na família. Não posso me desfazer dela. De fato, estou um pouco cansada de cuidar de tudo sozinha. Até já pensei em falar com a sua mãe, mas não tenho coragem.
– Tenho certeza de que a minha mãe vai concordar com a venda da casa.
Nisso, ouviram um barulho na cozinha. Correram para lá e viram uma travessa espatifada no chão. Os dois se olharam e pensaram na mesma coisa.
Naquela noite, Rafael deitou-se mais apreensivo que de costume. Somente adormeceu porque estava muito cansado. Havia tido várias aulas difíceis e estava com o sono bastante atrasado.
Estava dormindo há algum tempo, quando acordou com um ruído vindo da porta do quarto. Abriu os olhos com dificuldade, pois estava num sono profundo. O que viu fez seu coração quase sair pela boca: a figura de um homem alto e corpulento, de capa e chapéu pretos. Uma sombra não permitia que se visse sua fisionomia, porém, seus olhos pareciam faiscar em sua direção.
Queria gritar por sua tia, ou levantar-se e sair correndo, mas não conseguia se mexer. Estava paralisado. Seus olhos estavam arregalados e seu coração batia descompassadamente.
Rafael não conseguia tirar os olhos daquela visão. De repente, aquela figura mostrou as palmas das mãos para ele e ele ouviu como que uma voz dentro da sua cabeça:
– Com minhas próprias mãos…
De repente, a figura desvaneceu-se, evaporou-se. Ele ainda continuou paralisado por alguns segundos, quando, finalmente, conseguiu emitir um som abafado, mais um gemido do que palavras.
Com grande esforço, conseguiu movimentar-se, levantando-se e dirigindo-se ao quarto da tia. Ela, acordando assustada, sentou-se rapidamente na cama.
– O que foi, Rafael? Você está bem?
– Tia, eu vi nitidamente um homem no meu quarto.
Rosália levantou-se e segurou Rafael pelos ombros e o fez sentar-se, preocupada.
– Acalme-se, filho. Fique aqui sentado. Vou buscar um copo d’água.
– Não precisa, tia. Fique aqui. Não quero ficar sozinho.
– Está bem. Então me diga exatamente o que você viu.
Rafael contou com detalhes a sua experiência.
– Foi muito nítido, tia. E assustador também. Parecia que ele estava me olhando com ódio.
Rafael ainda tremia muito, o que preocupava Rosália.
– Calma, Rafael, calma. Deve ter alguma explicação para tudo isso. E deve ter também uma solução. Você se lembra da conversa que tivemos ontem à noite, sobre vender esta casa e, logo em seguida, a travessa caiu na cozinha? Pois eu acho que a visão que você teve tem alguma coisa a ver com isso.
– Como assim, tia?
Acho que esse espírito está querendo dizer alguma coisa, está precisando de alguma ajuda. Eu vou chamar uma pessoa que conheci no centro espírita. Vou pedir a ela que venha até aqui. Ela é médium e talvez descubra uma forma de lidarmos com esta situação.
Dois dias depois, numa tarde em que Rafael faltou ao curso, estavam à mesa ele, Rosália, Lídia, Roberto e Samuel, sendo que os três últimos eram pessoas do centro espírita e que se dispuseram a fazer uma reunião mediúnica na casa de Rosália. Eles haviam se preparado no centro, pedindo que os trabalhadores espirituais os acompanhassem e assistissem.
Rafael não estava nem um pouco à vontade. Na verdade, estava com muito medo. Nunca tinha se interessado por nada que se referisse a Espíritos. Mas, também estava curioso e queria entender o que estava acontecendo com ele e com aquela casa.
Depois de uma prece proferida por Lídia, em que ela apela pela ajuda de benfeitores espirituais, houve alguns minutos de silêncio em que todos procuraram manter uma concentração respeitosa. Rafael havia sido orientado antes da reunião quanto a sua postura mental.
Nisso, ouve-se uma batida violenta na mesa. Rafael dá um pulo na cadeira, mas Lídia põe a mão sobre a sua, pedindo calma.
Ouve-se nova batida, mais outra e outra, cada uma num lugar diferente da mesa. Depois começaram as batidas nos móveis da sala e o lustre balançou.
Samuel, percebendo o medo de Rafael, procura acalmá-lo:
– Não precisamos ter receio. É um irmão que está precisando da nossa ajuda.
Nisso, Lídia bate com o punho na mesa e fala numa voz rouca:
– Quem disse que eu preciso de ajuda? Quem vocês pensam que são? O que estão fazendo na minha casa? Quero que saiam daqui! Esta é a minha casa!
Roberto começa, então, um diálogo com o Espírito:
– Não queremos desrespeitá-lo, de maneira nenhuma. Estamos aqui para esclarecer uma situação complicada e tentar encontrar uma solução.
– Não tem situação complicada nenhuma. Ninguém vai vender esta casa. É minha! Construí com minhas próprias mãos. Está vendo os calos na minha mão?
– Nós respeitamos você e todo o trabalho que você teve para construir esta casa, meu amigo. Porém, precisamos analisar algumas coisas, você não acha?
– Analisar o quê? O que eu sei é que vocês estão se intrometendo onde não foram chamados.
– Na realidade, viemos aqui porque fomos chamados, senão não teríamos vindo. Essa sua preocupação e apego com a casa está, na realidade, tornando difícil a vida dos que moram aqui. Você não percebe isso?
– Eu moro aqui! Não quero intromissões e nem que venham com ideias de vender a minha casa.
– Você acha que esta casa vai ser sua até quando?
– Vai ser sempre minha! Eu construí com muito sacrifício. Não abro mão dela. De jeito nenhum! Quem manda aqui sou eu!
– Acontece, meu irmão, que todos nós, em algum momento de nossas vidas, temos que deixar as coisas materiais, porque no lugar para onde vamos, não podemos levar nada. Você nunca pensou nisso?
– Não me venha com essa conversa de que quando morremos não levamos nada. Eu já morri e continuo morando na minha casa.
– Mas a sua situação nesta casa não é a mesma de quando você estava no corpo físico, não é verdade? Você já não pode fazer as mesmas coisas e nem ser obedecido como antes, não é?
O Espírito fica em silêncio e Roberto continua:
– Você já pensou que a vida material é apenas uma passagem? Que tudo o que fazemos, construímos e aprendemos aqui é para a nossa evolução espiritual? O que você acha disso?
– Nunca pensei nessas bobagens.
– Mas é justamente isso que você chama de bobagens que é o objetivo principal de nossas existências. Fomos criados por Deus para sermos Espíritos perfeitos um dia e precisamos trabalhar para isso. As conquistas materiais são apenas meios de atingirmos esse desígnio do Criador. Ou você acha que você vai ficar eternamente preso entre estas paredes, que um dia vão desaparecer, porque tudo que é material tem um fim. Até as construções mais grandiosas da humanidade hoje são simples ruínas. Você concorda?
O Espírito fica em silêncio. Roberto aproveita esse momento.
– Somos Espíritos imortais, meu irmão. Temos a eternidade pela frente. O que você vai fazer diante dessa eternidade? Vai ficar agarrado nestas paredes para sempre? Será que não há coisas mais importantes e mais interessantes para você aprender e fazer? Pense nisso, meu amigo.
Depois de alguns minutos de silêncio, o Espírito se desliga da médium, dando sinais de contrariedade. Roberto esclarece:
– Parece que por hoje foi o suficiente. O nosso irmão já tem elementos para pensar um pouco. Com isso, os Espíritos que o protegem e auxiliam poderão esclarecê-lo ainda mais e melhor do que eu. O importante é orarmos sempre por ele.
– Mas, quem é esse espírito? Por que esse apego por esta casa? Pelo que seu sei, ela sempre pertenceu a nossa família, não é, tia?
– Quem construiu esta casa foi meu avô paterno, seu bisavô, Rafael. Ele morreu quando eu era pequena, mas minha mãe dizia que ele era um homem extremamente severo e exigente com todos. Esta casa era tudo para ele. Não admitia nenhuma interferência com relação a mudanças, reformas, o que fosse mexer com a sua casa. Dá para entender agora esses fenômenos, que ocorrem há tantos anos e aquele que aconteceu quando falamos da venda da casa. Parece que ele continua aqui como senhor de tudo, como era quando vivo.
– A senhora sabia que era ele, tia?
– Eu desconfiava, Rafael, mas não tinha certeza.
Lídia comentou:
– Não se preocupem. Os primeiros passos para o esclarecimento desse espírito já foram dados. Continuaremos com o nosso trabalho de auxílio e esclarecimento a esse irmão lá no centro. A reunião de hoje foi bastante importante, tivemos um grande auxílio dos Espíritos interessados na sua recuperação.
– Mas, e nós, que faremos se ele continuar a aparecer? – Perguntou Rafael, aflito.
Samuel procura tranquilizá-lo:
– Eu tenho certeza que as coisas vão se acalmar agora que já iniciamos o trabalho de esclarecimento e auxílio. Mas, se acontecer alguma coisa, procurem não ter medo e orem por ele, pedindo aos bons Espíritos que o amparem e que sua mente se abra para as suas necessidades de renovação.
Lídia complementa:
– Seria interessante se vocês participassem das reuniões do centro, tomassem passes, assistissem às palestras esclarecedoras. Isso seria muito bom para vocês também.
Dois meses se passaram e, de fato, as noites de Rafael estavam bem mais calmas. Ele conseguia dormir tranquilamente.
Uma noite, Rosália esperou por ele. Estavam à mesa e ela disse:
– Sabe, Rafael, estive pensando muito em tudo o que aconteceu e me lembrei de alguns fatos da minha infância. Lembro-me de um dia quando meu avô me pegou pela mão, me levou até o quintal e disse:
– Você está vendo esta casa? Vai ser sempre desta família, viu? E você não vai deixar nunca ninguém fazer nada com ela. Ela vai ficar do jeito que eu a construí. Você está entendendo? Você vai ser a responsável por esta casa.
– Eu era uma criança, Rafael e havia esquecido esse episódio, porém, hoje à tarde, mexendo em fotos antigas, achei esta e me recordei dessas palavras do meu avô.
Rafael olhou a foto e lá estava ele, o homem alto, forte, de capa e chapéu pretos, de olhar penetrante e enérgico. Rosália continuou:
– Acho que aquelas palavras estavam gravadas bem no fundo da minha mente. Agora eu me lembro que fiquei muito impressionada na época. Acho que é por isso que sempre me senti muito presa a esta casa. Depois de tudo o que aconteceu, eu tenho a nítida impressão que meu avô, de certa forma, me mantinha aqui, sob sua influência.
– E agora, como a senhora está se sentindo?
– Estou me sentindo livre. Parece que tiraram um peso das minhas costas.
E olhando firme para o sobrinho, disse decidida:
– Está resolvido, Rafael, vamos vender esta casa!
Fizeram silêncio, como que esperando algum tipo de reação. Nada aconteceu.
Os dois se olharam, sorrindo.


