Autor: Maria Dolores (espírito)
Em se falando de amor,
Lembra a dura indiferença,
Quando a treva se condensa
Nas forças da negação;
Recorda a porta fechada,
O desprezo, a zombaria
De quem atravessa o dia
Com trancas no coração.
Por quem és, alma querida,
Foge à sombra que enregela,
Esparze a luz clara e bela
Que em ti seja paz e amor…
Tão curta é a vida na Terra,
Viajas no mundo apenas,
Semeia os dons que armazenas
E ampara seja a quem for.
Olvida mágoas e afrontas,
A quem te fira, perdoa…
Compadece-te e abençoa
Mesmo se alguém te maldiz;
De todas as criaturas,
Aquela que mais condena
É a que merece mais pena
Por ser a mais infeliz.
Há muito pesar pelo mundo,
Ânsia das horas perdidas,
Solidão de muitas vidas
Que tanta angústia contêm!…
Alma boa que me escutas,
Na fé que jamais se cansa,
Sê a benção da esperança
E a chama viva do bem!…
Notas
1 – Desde os tempos mais antigos, a poesia tem sido uma ponte entre a alma e o infinito. No Espiritismo, ela encontra um campo fértil para inspirar, consolar e iluminar consciências, expressando em versos sentimentos que muitas vezes escapam à linguagem comum. Seja pela sensibilidade dos poetas encarnados ou pelas mensagens de origem espiritual que marcaram a literatura espírita, a poesia continua sendo uma valiosa ferramenta de reflexão, beleza e elevação do pensamento.
2 – Do livro Seara de Fé, obra mediúnica psicografada pelo médium Francisco Cândido Xavier.



