A crucificação

Autor: Olavo Bilac (espírito)

Fita o Mestre, da cruz, a multidão fremente,
A negra multidão de seres que ainda ama.
Sobre tudo se estende o raio dessa chama,
Que lhe mana da luz do olhar clarividente.

Gritos e altercações! Jesus, amargamente,
Contempla a vastidão celeste que o reclama;
Sob os gládios da dor aspérrima, derrama
As lágrimas de fel do pranto mais ardente.

Soluça no silêncio. Alma doce e submissa,
E em vez de suplicar a Deus para a injustiça
O fogo destruidor em tormentos que arrasem,

Lança os marcos da luz na noite primitiva,
E clama para os Céus em prece compassiva:
“– Perdoai-lhes, meu Pai, não sabem o que fazem!.. .“

Notas

1 – Desde os tempos mais antigos, a poesia tem sido uma ponte entre a alma e o infinito. No Espiritismo, ela encontra um campo fértil para inspirar, consolar e iluminar consciências, expressando em versos sentimentos que muitas vezes escapam à linguagem comum. Seja pela sensibilidade dos poetas encarnados ou pelas mensagens de origem espiritual que marcaram a literatura espírita, a poesia continua sendo uma valiosa ferramenta de reflexão, beleza e elevação do pensamento.

2 – A poesia acima, psicografada por Francisco Cândido Xavier, faz parte do livro Parnaso de Além-Túmulo

ATÉ QUE PONTO OS ESPÍRITOS NOS INFLUENCIAM?

Aprendemos com o Espiritismo que os espíritos estão por toda a parte. O mundo espiritual não fica lá em cima, nem embaixo. O mundo espiritual nos rodeia, os espíritos estão em torno de nós. Podem ver o que estamos fazendo e, até mesmo, o que estamos pensando. Podem ter acesso aos nossos...

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