Implantação de artefatos perispirituais

Autor: Rogério Miguez

O capítulo das obsessões é oceânico, ou seja, há muita literatura espírita confiável sobre o tema e, sem dúvida, há muito ainda por conhecer, tão logo alcancemos maior entendimento das leis divinas e estivermos capacitados para receber novos informes do plano espiritual.

Ocorre que, como não há, no meio espírita, estudos continuados e regulares sobre o assunto, uma das muitas faces da obsessão ainda permanece desconhecida de grande maioria, isto é, a possibilidade de implantação de artefatos fluídicos no perispírito de certas vítimas de Espíritos extremamente vingativos. Estes Espíritos não ignoram certos recursos técnicos para se atingir o fim desejado: a perturbação absoluta do Espírito perseguido.

Do que conhecemos, há cinco relatos que indicam esta realidade, contudo, deve haver outros, seguramente. Vamos elencá-los para conhecimento:

  • A médium fluminense Yvonne do Amaral Pereira descreve o caso de um jovem com 12 anos de idade, levado pelo pai ao antigo “Centro Espírita de Lavras”, época em que a própria médium servia de intérprete ao Espírito Dr. Bezerra de Menezes. Este jovem fora atacado por uma espécie de paralisia infantil desde os seus dois anos, deformando-lhe pernas e braços. Era, além de tudo, também mudo. Yvonne assim descreve:

Ao penetrar a sede do Centro, acompanhado pelo pai, os dois videntes então presentes e também eu mesma, também presente, fomos concordes em perceber uma forma escura e compacta cavalgando o rapaz, como se ele nada mais fosse que uma alimária de sela, visto que até as rédeas e o freio na boca existiam estruturados na mesma sombra escura. […] médicos consultados já haviam esgotado os seus recursos científicos para o curarem.1

A forma escura montada nas costas do garoto nada mais era do que o seu obsessor, antigo escravo, odiento e vingativo, em virtude do sofrimento que lhe fora imposto pelo seu senhor de então. Todavia, mediante o tratamento espírita, o jovem ficou literalmente curado no espaço de trinta dias. E a médium assim finaliza o seu comentário:

Deslumbrado, o pai do rapaz tornou-se espírita com toda a família, desejoso de se instruir no assunto, enquanto o filho, falando normalmente, explicava sorridente:

– Eu sabia falar, sim, mas a voz não saia porque uma coisa esquisita apertava minha língua e engasgava a garganta…

Essa coisa esquisita seria, certamente, o freio forjado com forças maléficas invisíveis…2

  • Outra referência interessante encontra-se em obra de Manoel Philomeno de Miranda:

Iremos fazer uma implantação – disse em tom de inesquecível indiferença o Dr. Teofrastus – de pequena célula fotoelétrica gravada, de material especial, nos centros da memória do paciente. Operando sutilmente o perispírito, faremos com que a nossa voz lhe repita insistentemente a mesma ordem: “Você vai enlouquecer! Suicide-se!” Somos obrigados a utilizar os mais avançados recursos, desde que estes nos ajudem a colimar os nossos fins. Este é um dos muitos processos de que nos podemos utilizar em nossas tarefas… Estarrecidos, vimos o cruel verdugo movimentar-se na região cerebral do perispírito do jovem adormecido, com diversos instrumentos cirúrgicos, e, embora não pudéssemos lograr todos os detalhes, o silêncio no recinto denotava a gravidade do momento.3

Considerando este outro caso, o encarnado, diante do quadro de dificuldades apresentando-se em sua vida, terá amplificado o desejo do suicídio, sendo que este já pode inclusive estar em cogitação por ele mesmo, e, em consequência, pode acabar optando por esta falsa “solução” salvadora.

  • É ainda Manoel Philomeno de Miranda quem nos traz outra referência a instrumentos fluídicos para realizar uma cirurgia no plano espiritual, com menção inclusive a um aspirador para retirar fluidos deletérios. Neste caso, os aparelhos e a cirurgia foram recursos utilizados por bons Espíritos, visando o bem, contudo, devemos concordar que os maus Espíritos também podem construir aparelhos fluídicos e conhecer técnicas de cirurgia para, conjugando estes dois recursos, instalarem artefatos parasitas no perispírito de suas vítimas.4

Espíritos ignorantes e perversos não são incapazes, estão atrasados apenas moralmente, contudo, conhecem técnicas e possuem inteligência suficiente para tentar equiparar-se aos bons na elaboração de instrumentos e aparelhos visando evidentemente não o bem, mas a facilitação de seus objetivos doentios e perversos.

  • Em outra obra organizada por Manoel Philomeno de Miranda, temos uma menção do Dr. Ignácio Ferreira sobre o tema:

[…] Concomitantemente, as indiscutíveis terapias desobsessivas recebem cuidados especiais, particularmente nos processos de vampirização, para libertar aqueles que submetem as suas vítimas, internando-os logo depois para tratamento de longo curso; para cirurgias perispirituais de retirada de implantes perturbadores, que foram fixados no cérebro e prosseguem vibrando na área correspondente do psicossoma; […]5

Nesta mesma obra, no capítulo Indagações esclarecedoras, há mais uma menção a cirurgias para extração de células fotoelétricas implantadas no encéfalo perispiritual, clichês insculpidos na memória psíquica, etc.6

  • O Centro Espírita Nosso Lar Casas André Luiz, promoveu encontro com Divaldo Pereira Franco e, ao longo dos debates, o tribuno baiano fez menção, mais uma vez, à implantação de células perturbadoras nos perispíritos de muitos obsidiados, como nos de seus algozes.7

Convencidos de que a implantação de aparelhos parasitas no perispírito é um fato, como proceder para retirá-los ou, melhor ainda, como evitar este desfecho?

Da mesma forma que o aparelho parasita foi implantado, os trabalhadores do Mundo Maior podem promover a retirada deles. É claro que será preciso haver uma intervenção cuidadosa analisando a situação e determinando quais providências tomar caso a caso. No exemplo do livro Recordações da Mediunidade, foi suficiente retirar o freio bucal, e o menino voltou à normalidade, podendo falar.

Tudo vai depender do momento adequado para se desfazer ou retirar o aparelho parasita, uma vez que, se o implante foi colocado e permitido, o obsidiado deverá experimentar durante um tempo este tormento, considerando que algo deve ter feito para gerar tanto ódio dos obsessores, é uma questão de resgate.

É possível que trabalhadores do bem encarnados, ao doarem seus fluidos, conscientes ou não, possam também colaborar com as operações de retirada dos artefatos parasitas sem que o saibam, nas casas espíritas em que laboram.

Mas, é claro, a ação preventiva é que conta e, neste particular aspecto, a opção mais acertada seria a vivência do Vigiar e Orar, na sua plenitude, buscando evitar cair nas tramas de Espíritos ainda desorientadas que se transformam, temporariamente, em obsessores.

De posse de todas estas intrigantes citações, conclui-se, mais uma vez, sobre o quanto ainda há para se conhecer sobre as Leis Divinas.

Àqueles que desejem conhecer mais sobre o capítulo das obsessões, sugerimos, entre outros, que não apenas leiam, mas estudem a obra Obsessão em 100 respostas, publicado pela Editora O Clarim, nela poderão encontrar variados temas sobre as diversas modalidades das obsessões.

Referências

1 PEREIRA, Yvonne A. Recordações da Mediunidade. 4. ed. Rio de Janeiro: FEB, 2008. O Complexo Obsessão. p. 231.

2 _________. p. 234.

3 FRANCO, Divaldo P. Nos Bastidores da Obsessão. Pelo Espírito Manoel Philomeno de Miranda. 3. ed. Rio de Janeiro: FEB, 1984. Processos Obsessivos. cap. 8. p.159-160.

4 _________. Nas Fronteiras da Loucura. Pelo Espírito Manoel Philomeno de Miranda. 2 ed. Salvador – BA: LEAL, 1982. O caso Ermance. cap. 8. p. 69.

5 _________. Tormentos da Obsessão. Pelo Espírito Manoel Philomeno de Miranda. 9. ed. Salvador: LEAL, 2007. O Sanatório Esperança. cap. 2. p. 40.

6 _________. Indagações esclarecedoras. cap. 8. p. 119.

7 Centro Espírita Nosso Lar Casas André Luiz. MediunidadeEncontro com Divaldo. 4. ed. São Paulo: Mundo Maior Editora, 2004. O estudo doutrinário e o médium. perg. 13. p. 53.

UM SALVA OITO.DOE ÓRGÃOS