O esquecimento do mal e o caminho para Deus

Autor: André de Sena

Dois monges conversam entre si, um idoso e um jovem. O homem de longas cãs diz:

– Eu sirvo a Deus, não aos homens. Quanto aos elogios, o que é elogiado hoje é ultrajado amanhã. Eles esquecerão de mim, de ti, de todas as coisas. Tudo é vaidade e cinzas. Coisas piores foram esquecidas. A humanidade já cometeu todo tipo de estupidez e baixaria. E agora isso só se repete para eles. Tudo é um eterno ciclo, que acontece de novo e de novo. Se Jesus retornasse à Terra, eles o crucificariam novamente.

– Se somente o mal for lembrado, tu jamais estarás feliz ao ver Deus. – responde o amigo.

– O quê?

– Talvez nós devamos esquecer algumas coisas, mas não todas. – completa.

Esse diálogo faz parte de uma cena do filme “Andrei Rublev”, do diretor russo Andrei Tarkovsky. Ela apareceu um dia desses para mim nas redes sociais. Rublev (o monge jovem) foi um renomado pintor que viveu na Rússia do século XV. A forma como Tarkovsky construiu suas falas na conversa lembrou-me da seguinte passagem do Evangelho Segundo o Espiritismo:

“Para ir a Deus, não há senão uma senha: caridade; ora, não há caridade sem esquecimento dos ultrajes e de injúrias; não há caridade com ódios no coração e sem perdão.”

Santo Agostinho, Paris, 1862

Parece o mesmo raciocínio escrito de formas diferentes, não?

A cena do longa fez eu ficar pensativo por sua profundidade filosófica. Já a mensagem mediúnica me deixou maravilhado, porque o caminho para Deus é belo e heroico.

QUEM EDUCAQUEM?

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