Arbítrio e autorrealização

Autora: Cristina Sarraf

Sentir-se realizado é a mais gratificante das sensações.

Desde propor-se a algo e conseguir, até ficar em paz consigo mesmo, apesar dos desafios, passando pelas dificuldades psicológicas e de relacionamentos, a sensação de realização interior é inigualável.

Mesmo que referente a uma conquista parcial, brota como vida que se renova, vitalizando corpo e mente e nos deixando mais aptos para prosseguir na jornada dessa vida.

Todos podem sentir-se realizados; essa é uma capacidade humana.

O mais interessante e benéfico, é que ela é perene, pois se torna um sentimento, ou seja, uma conquista pessoal.

No prosseguir sucessivo dos dias e acontecimentos, cada sensação de realização vai ficando para trás, mas nunca deixa de nos fazer bem, pois ao recordar os fatos, nos sentimos plenos e felizes. Revigorados!

Talvez até seja por isso que muita gente, ao ficar com mais idade, vive recordando o passado das suas realizações. Certamente isso lhes faz sentir-se bem. No entanto, não são os muitos anos de vida que nos impedem de novas autorrealizações e sim a própria pessoa é que se impede, por pensar equivocado sobre as condições que a trazem. Ou seja, que é preciso ser jovem, que só vem através das grandes coisas, que é necessário vencer outros ou fazer o que ninguém fez, que precisa sentir-se assim em tudo…

Claro que situações como essas produzem a autorrealização, mas, nas mínimas coisas ela também pode vir, e geralmente é assim que vem, se a deixarmos vir.

Porém, se queremos tudo perfeito, se pensamos que é preciso vivenciar coisas mirabolantes ou novelescas, e também quando vivemos competindo com os outros, quando nos pautamos por valores que não são nossos de verdade, outras são as sensações que nos dominam. Nesse caso, aquele gostinho saudável e peculiar da autorrealização não vem.

Às vezes, um sucesso, um objetivo alcançado traz o bem-estar da realização pessoal, mas o orgulho o distorce em prepotência e vaidade. A pessoa fica arrogante e convencida de que tudo pode, de que está sempre certa e que os demais são inferiores e tolos. Torna-se desagradável e pretensiosa, querendo impor-se e até usando de agressão verbal e psicológica. Imaturidade comprometedora e de preço alto…

Outras vezes, o conceito equivocado sobre como nasce essa maravilhosa sensação de realização, cria o saudosismo, a tristeza e a depressão, porque a pessoa pensa que jamais se sentirá tão bem, de novo, por ser, de alguma forma, indigna disso. Podem até ser ideias religiosas, crenças limitantes e desvalorizadoras, algo que fez e se condena ou lembranças de palavras negativas de algum adulto insensato, quando a pessoa era criança, que causem essa deformação da realidade da vida.

Observemo-nos, porque é de atitudes assim destemperadas e descuidadas, de conceitos e entendimentos não revisados e nem analisados que se aproveitam os oportunistas e maldosos, encarnados e desencarnados. Estes últimos, desfrutando da invisibilidade, exercem sua influência perniciosa em favor próprio e de outros, iludindo e conduzindo à negatividade e ao sofrimento desnecessário; afora os comprometimentos morais advindos dos pensamentos infelizes, desqualificados e das ligações estabelecidas, levianamente, com esse tipo de gente.

A vacina está na autovalorização, buscando sentir-se fruto da vontade divina, ou seja, um Espírito imortal em evolução, uma pessoa plena de capacitações e rica em recursos, muitos não usados e alguns nem percebidos.

Mas, atenção: isso nada tem a ver com orgulho ou egoísmo e sim com a real situação de cada um, que não é mais e nem menos que os demais humanos terrestres do presente. Precisamos de todos e todos precisam de nós!

Essa autovalorização deve ser examinada e observada, porque ela implica no uso mais consciente e inteligente do arbítrio de que somos dotados, visando fazer opções lúcidas e de vontade própria.

Sim, porque é comum estarmos escolhendo induzidos pelas escolhas alheias, pela mídia, pelo medo de errar, pelos costumes, pelo egoísmo e pela vaidade. No que a alma, o gosto pessoal e a peculiaridade de cada um ficam de lado e até perdem sentido, a ponto de a pessoa não reconhecer mais o que é seu e o que vem de fora.

Ocorre que viver apenas segundo os outros, por mais que seja bom, deixa muito a desejar em termos de satisfação pessoal e autorrealização.

No entanto, aprender a escolher pede que nos dediquemos um pouco a nós mesmo, sentindo o que nos faz bem e o que foge das necessidades e características que são nossas. Distinguir-nos dos outros, não por serem piores, melhores ou ruins e sim porque cada um é um. Somos individualidades, ensina o Espiritismo. Indivíduos individuais.

Pequenas escolhas, grandes escolhas… nada a ver com disputas e competições por ser mais que os outros e muito menos o preconceito de fazer tudo diferente, só pela tolice de achar que se autoafirma desse jeito. Até porque, concordar conscientemente com escolhas alheias e adotá-las, faz parte de saber o que nos faz bem.

Pensemos melhor sobre tudo isso.

Novo ano e uma proposta de mudança de hábitos… Em favor de nós mesmos!

Jornal do NEIE

MORADOR DE RUA TEM NOME, TEMHISTÓRIA, TEM VALOR

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