Morte

Autor: Guaraci de Lima Silveira

*

Morte:

Eu a procurei nos escombros da vida.

Andei perdido cultuando a dor

às vezes ou sempre que passava por mim

levando pra longe os meus ternos sonhos…

Sim, os sonhos da vida que não morrem jamais.

*

Morte:

Um dia disseram-me que era sagaz.

Gerada na audácia voraz de criar

lágrimas e desesperos, desencontros,

desencantos, mergulhos no abismo,

no nada, niilismo, anarquismo sem

metas, objetivos ou marcas.

*

Morte:

Um dia curvei-me passivo, inerte

e sem cor ante a espada aguda

que sobrepunha em mim.

Assim eu chorei pelos que foram,

ou ficaram, pelos que copiaram o

exemplo malsão de chorar por você.

Digladiar com você, tão frágil e insípida

caminhando entre os homens.

*

Morte:

Hoje, passado no tempo, eu a vejo assim,

tão pequena e sem cor – morta que está

na presença de Deus.

*

Morte:

Hoje a procuro nos escombros da vida

e vejo em você os lampejos da aurora

que mora nos céus e espraia na vida, não

em escombros, assombros ou medos.

*

Eu a vejo solene, cumprindo missão.

Suplicando a Deus o ensejo de ir,

sumir e morrer entre os homens felizes.

*

Ah morte, como a cultuei, rituei e sofri por você!

Agora que está aqui tão morta no chão do

meu mundo eu a venero não pelo que leva

e sim pelo que traz.

Pois, por você morte, eu descobri que a vida

não cessa e que sua espada desviada aponta

solene os caminhos da renovação…

COMER CARNE VALETANTO SOFRIMENTO?

VEJA TAMBÉM

PARTICIPE

Conte sua opinião, dúvida ou experiência

Por favor digite seu comentário!
Por favor, digite seu nome aqui

Este site utiliza o Akismet para reduzir spam. Saiba como seus dados em comentários são processados.